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CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL

Brasileiros preferem marcas sustentáveis

Segundo levantamento realizado pela Union + Webster, 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos de marcas sustentáveis. A pesquisa mostrou ainda que 24% da população brasileira é da geração Z, jovens nascidos entre 1999 e 2019, tornando-os o segundo maior público consumidor do país, atrás apenas dos millenials — a geração nascida entre 1981 e 1998. Os jovens estão mais engajados em causas socioambientais e é cada vez mais difícil uma empresa sobreviver sem se preocupar com estes temas. Por outro lado, além de visar o lucro, grande parte dos negócios (principalmente aqueles que têm como cliente final o consumidor jovem) tem se reinventado e focado em ações que diminuam o impacto negativo de suas ações no planeta e na sociedade em que estão presentes. “O fato é que o consumidor evoluiu e, assim como o mercado está em constante mudança, a sua satisfação passa por um processo de adequação, uma vez que envolve algo mais que um bom produto com características positivas ou serviço prestado”, diz o professor de Marketing Digital do Centro Universitário Internacional Uninter, Achiles Batista Ferreira Junior. “Quem compra hoje, leva em consideração os aspectos sociais, ambientais e econômicos, sendo que, especificamente no quesito social, trata do capital humano de uma empresa ou sociedade. Ou seja, nesse novo mercado, definitivamente não basta ser bom, tem que parecer ser bom e provar em todos os aspectos suas qualidades, com um ciclo definido, como começo, meio e fim’’, afirma. O professor diz ainda eu est é uma tendência mundial, influenciada, muitas vezes, pela democratização da informação que aproximou a realidade do mundo’’, diz o especialista. Fatores anteriormente vistos como menos importantes, como preocupação com meio ambiente, logística reversa, tempo de decomposição, qualidade de vida e desenvolvimento regional, por exemplo, agora são prioridade para um consumidor cada vez mais consciente dos impactos da indústria e comércio no meio ambiente e na sociedade como um todo.

Segundo levantamento realizado pela Union + Webster, 87% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos de marcas sustentáveis. A pesquisa mostrou ainda que 24% da população brasileira é da geração Z, jovens nascidos entre 1999 e 2019, tornando-os o segundo maior público consumidor do país, atrás apenas dos millenials — a geração nascida entre 1981 e 1998.
 
Os jovens estão mais engajados em causas socioambientais e é cada vez mais difícil uma empresa sobreviver sem se preocupar com estes temas. Por outro lado, além de visar o lucro, grande parte dos negócios (principalmente aqueles que têm como cliente final o consumidor jovem) tem se reinventado e focado em ações que diminuam o impacto negativo de suas ações no planeta e na sociedade em que estão presentes.
 
“O fato é que o consumidor evoluiu e, assim como o mercado está em constante mudança, a sua satisfação passa por um processo de adequação, uma vez que envolve algo mais que um bom produto com características positivas ou serviço prestado”, diz o professor de Marketing Digital do Centro Universitário Internacional Uninter, Achiles Batista Ferreira Junior. “Quem compra hoje, leva em consideração os aspectos sociais, ambientais e econômicos, sendo que, especificamente no quesito social, trata do capital humano de uma empresa ou sociedade. Ou seja, nesse novo mercado, definitivamente não basta ser bom, tem que parecer ser bom e provar em todos os aspectos suas qualidades, com um ciclo definido, como começo, meio e fim’’, afirma.
 
O professor diz ainda eu est é uma tendência mundial, influenciada, muitas vezes, pela democratização da informação que aproximou a realidade do mundo’’, diz o especialista. Fatores anteriormente vistos como menos importantes, como preocupação com meio ambiente, logística reversa, tempo de decomposição, qualidade de vida e desenvolvimento regional, por exemplo, agora são prioridade para um consumidor cada vez mais consciente dos impactos da indústria e comércio no meio ambiente e na sociedade como um todo.

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Greenwashing: a maquiagem que custa caro

Artigo por Renan Vargas * Tratar sobre o meio ambiente e a importância de preservá-lo é um assunto que está cada vez mais recorrente. Não apenas nos círculos sociais ativistas dessa causa, as pessoas têm reconhecido e internalizado a importância de conhecer e implementar mais ações sustentáveis no seu dia a dia. Naturalmente, essa tendência tem sido refletida também nas relações comerciais e de marketing: percebe-se que mais produtos e propagandas com selos sustentáveis e orgânicos passaram a encher as prateleiras dos supermercados e chegar às casas dos consumidores. É possível afirmar que isso está se desenvolvendo em nível global, mas de fato o Brasil vem se destacando quando se trata de priorizar marcas que se mostram responsáveis por produtos sustentáveis. Segundo uma pesquisa lançada pelo Capterra e divulgada em 2021, sete em cada dez brasileiros confirmaram que são influenciados a escolher produtos ou selecionar fornecedores quando estão relacionados a ações sustentáveis. Demonstraram também que preço não é um problema: 47% dos brasileiros entrevistados afirmaram que concordam, de alguma maneira, que o preço atribuído a esses produtos é justo. Apesar desses dados apontarem o que deveria ser uma mudança positiva do direcionamento das empresas para uma produção com menor impacto ambiental no mundo, essa nova realidade gerou um comportamento massivo de empresas que ficou conhecido como greenwashing . A maquiagem O greenwashing , ou lavagem verde (em tradução livre), foi uma infeliz consequência do aumento pela procura de produtos ecofriendly, que acontece quando alguma marca adiciona aos seus anúncios, notas nas redes ou peças publicitárias, algum indício que dá a falsa aparência de que os seus processos e produtos são sustentáveis, levando o consumidor ao erro. Essas empresas e marcas apresentam uma verdade maquiada, para atender ao quesito sustentabilidade. Desta forma, é importante pontuar que isso também acontece por uma pressão decorrente de extremismos que são resultado dessa busca por mais sustentabilidade. Disso vem o medo de ser “cancelado”, o temor do “cancelamento”. Esse termo tem se tornado muito popular, por representar o comportamento de exclusão que as pessoas têm se mobilizado tanto nas redes sociais como em padrões de consumo, que é baseado no fato das empresas alcançarem ou não suas expectativas relacionadas a valores morais sobre o que consideram certo e errado. Este é apenas um exemplo de como essa onda de cancelamentos tem funcionado e afetado o trabalho de marcas, sobretudo suas ações relacionadas à publicidade. Um outro termo, o “ pink washing ”, é usado em uma circunstância parecida: quando há a associação de marcas com um apoio ao público LGBTQIA+ com o único intuito de captar mais consumidores, e não um suporte genuíno à causa. Medidas de aparência É possível observar que as marcas agem desta forma não com o intuito de fazer o que é correto sustentavelmente falando, mas de fazer o que as pessoas acham que é correto. Isso para que se encaixem neste contexto e possam estabelecer boas relações com potenciais públicos consumidores. A grande problemática nesta questão é investir muito em manter as aparências, deixando de se posicionar e não realizando ações concretas que beneficiem o meio ambiente. Isso é arriscado, pois pode gerar um ciclo vicioso de cancelamento em massa e ainda mais greenwashing , o que, na prática, não beneficia ninguém. Ou há um benefício momentâneo para a marca, mas pode custar sua reputação e respeito estabelecido com clientes fiéis. E o preço cobrado é bastante alto: quando atos de greenwashing são comprovados, a empresa comprovadamente perde credibilidade no mercado, além de enfrentar questões judiciais. Um exemplo disso pode ser observado no caso da fabricante de café Keurig Canada, que fez declarações falsas sobre reciclar suas cápsulas de café e foi multada em 3 milhões de dólares canadenses. O desperdício de forças direcionado ao greenwashing pode ser direcionado para mudanças, mesmo que pequenas, mas significativas, que de fato impactam positivamente para o mundo e para a própria empresa. Outro exemplo é a Volkswagen com a Dieselgate , onde houve comprovação de fraude no sistema de controle de gases dos veículos. Um caminho interessante é investir na gestão de resíduos, por exemplo. Além de tratar de uma determinação legal, definida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10), gera resultados reais que impedem a contaminação e são marcados pela preservação de fauna e flora local. Além do mais, quem não apoia uma empresa que investe em reciclagem e dá um destino adequado aos seus resíduos? Neste sentido, há de se observar também o ponto de vista de quem está à frente de um negócio. Implementar a cultura da gestão correta de resíduos junto aos colaboradores, assim como adquirir toda a estrutura necessária para isso, pode ser um grande desafio para as empresas. Por isso é necessário que uma empresa que siga essa tendência tenha um suporte especializado de ponta a ponta para que o empreendimento possa realizar uma gestão de resíduos adequada. Isso se aplica a todo o processo: realizar coleta, gerenciar a destinação e fazer a mensuração. O trabalho, via de regra, é direcionado para uma cooperativa, que recebe o material e dá um destino adequado para ele. Além, é claro, das medidas educativas, que envolvem a sinalização dos espaços e a capacitação de funcionários, gestores, clientes, equipes operacionais e de limpeza. A preocupação da iniciativa não é vender aparências ou um produto conceitual, mas dar suporte de ponta a ponta na gestão de resíduos e gerar uma mudança de verdade. E essa é uma tendência que podemos observar em negócios inovadores que estão alcançando o sucesso nos últimos anos: trabalhar com a verdade junto ao seu público. Sem “maquiagens” e sem o indesejável cancelamento por greenwashing. * Renan Vargas é Diretor de Negócios e sócio-fundador da Trashin

26 de setembro, 2022
ESG e as mudanças nas formas de consumo
ARTIGO
ESG e as mudanças nas formas de consumo

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

2 de setembro, 2021
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ARTIGO
Mudança para o paradigma empresarial da sustentabilidade

Por Marcus Nakagawa * Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro? Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento? * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

22 de março, 2021
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MEIO AMBIENTE
Brasileiros não compram produtos prejudiciais

Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência encomendada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) em parceria com o Programa de Comunicação de Mudança Climática da Universidade de Yale (Yale Program on Climate Change Communication), quatro em cada cinco brasileiros acham que as queimadas na Amazônia prejudicam a imagem do Brasil no exterior e 78% acreditam que elas podem prejudicar as relações do Brasil no mercado internacional. A pesquisa foi realizada com brasileiros de todas as regiões, classes e níveis de escolaridade, refletindo o perfil da população brasileira acima dos 18 anos. Para 77% dos brasileiros, é fundamental proteger o meio ambiente, mesmo que isto signifique um menor crescimento econômico. Entre os brasileiros, é praticamente uma unanimidade que o aquecimento global está acontecendo (92%) e já pode prejudicar – e muito – a atual geração (72%). Em relação às queimadas, 90% indicam que elas são uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta e 92% acreditam que elas prejudicam a qualidade de vida da população. A pesquisa traz um alerta para políticos e empresários: quase metade dos brasileiros (42%) declarou já ter votado em algum político em razão de suas propostas para defesa do meio ambiente e mais da metade (59%) deixou de comprar ou usar algum produto que prejudique o meio ambiente. “A atual política ambiental do Brasil nos isola no cenário internacional e pode nos custar empregos e atrasar nossa recuperação pós-COVID. O Brasil caminha na direção contrária do que esperam os investidores e líderes internacionais, bem no momento em que o mundo se realinha para combater o problema das mudanças climáticas”, analisa Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. Para os brasileiros, governos e empresas, com 32% e 35%, respectivamente, podem contribuir para resolver o problema das mudanças climáticas. “O entendimento dos brasileiros reflete o que desejam consumidores e investidores. As empresas devem buscar desempenhar um papel mais estratégico no desenvolvimento sustentável. Várias corporações já se uniram nesse esforço, mas precisamos avançar mais se quisermos permanecer relevantes nas cadeias econômicas globais”, completa Marcello Brito, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que reúne mais de 270 organizações do setor privado, financeiro, sociedade civil e academia. 77% dos brasileiros apontam a ação humana como principal causa das queimadas na Amazônia para 77%, dentre os quais os maiores responsáveis seriam madeireiros (76%), agricultores (49%), pecuaristas (48%) e garimpeiros (41%). Mesmo quando se considera apenas o indicado em primeiro lugar, estes atores continuam sendo os mais citados. Perguntados sobre de quem é a responsabilidade em contribuir para resolver o problema, mais da metade da população (54%) entende que a responsabilidade é do governo. Segundo Anthony Leiserowitz, diretor do Yale Program on Climate Change Communication, há semelhanças e diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos: “Os resultados são fascinantes – eles nos ajudam a entender a opinião pública brasileira e fornecem um contraste muito interessante com a opinião pública nos Estados Unidos. Por exemplo, 92% dos brasileiros entendem que o aquecimento global está acontecendo. Nos Estados Unidos, esse percentual é de apenas 73%. Da mesma forma, 78% dos brasileiros dizem que o aquecimento global é uma questão muito importante, em comparação com apenas 37% dos americanos. Ao mesmo tempo, também vemos padrões semelhantes entre os dois países. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os jovens, aqueles que se declaram mais à esquerda no espectro político, com ensino superior e as mulheres, afirmam conhecer mais e estar mais preocupados com as mudanças climáticas, o desmatamento e o meio ambiente do que os entrevistados mais velhos, que se declaram mais à direita politicamente, com menor grau de instrução e homens. Esperamos que esses resultados sejam úteis para muitos atores no Brasil, como funcionários do governo, líderes empresariais e organizações da sociedade civil”. Rosi Rosendo, diretora de contas na área de Opinião Pública, Política e Comunicação do IBOPE Inteligência, afirma que os resultados apontam para uma grande preocupação da população brasileira em relação ao meio ambiente, pauta que tem tomado conta dos noticiários nos últimos anos, principalmente em função das queimadas que ocorreram na Amazônia em 2019 e no Pantanal e no Cerrado no segundo semestre de 2020, ambos acontecimentos que tiveram forte repercussão internacional. “As queimadas foram percebidas pelos brasileiros como acontecimentos que prejudicam a imagem do Brasil no exterior e que podem até impactar negativamente a relação comercial com outros países. No entanto, ainda que a população considere importante a preservação do meio ambiente, há muito que se avançar em termos de educação e disseminação de conhecimento sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global, já que apenas um em cada cinco brasileiros declarou saber muito sobre o assunto, resultados que devem ser levados em conta tanto pelo governo quanto pelas empresas em ações de preservação do meio ambiente”, acrescenta Rosi. Fabro Steibel, diretor do ITS, explica que novas rodadas da pesquisa serão realizadas e que o objetivo é medir a percepção do brasileiro sobre o clima ao longo dos anos. “Nós percebemos que há pesquisas sobre a percepção de clima, mas elas não têm continuidade. Dando continuidade, poderemos acompanhar se haverá evolução da preocupação”.

8 de fevereiro, 2021
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BENS DE CONSUMO
Brasileiros mais preocupados com desmatamento

Empresa global especializada em dados, insights e consultoria, a Kantar lançou a 2ª edição do estudo Who Cares, Who Does?, o qual revelou que os brasileiros estão mais preocupados com o desmatamento (+10%) e com o desperdício de agua (+9%) na comparação com 2019. A pesquisa apontou que esses clientes passaram a exigir responsabilidade das indústrias de bens de consumo massivo (FMCG). Na América Latina, a água é a principal preocupação, seguida pelas mudanças climáticas e desmatamento, em terceiro, praticamente empatado com contaminação do ar. O papel das empresas de bens de consumo massivo foi destaque da pesquisa. Quase todos os entrevistados assinalaram a influência dessa indústria na área ambiental. “Ainda que o reconhecimento dela como agente de mudança seja unanimidade globalmente, é ainda mais forte entre os consumidores latino-americanos”, explica Kesley Gomes, Diretora Latam de LinkQ da Kantar. Segundo Kesley, 21% desses consumidores responderam que as empresas têm um papel relevante no cuidado com a água ao evitar o desperdício, a escassez ou a contaminação durante a fabricação de seus produtos. Os consumidores exigem indústrias responsáveis e 48% acreditam que a primeira ação a ser tomada por elas é explicar e educar a população quanto ao uso adequado da água. O desenvolvimento e a inovação também são importantes. Um exemplo são produtos fáceis de enxaguar ou concentrados que demandem menos água. “O consumidor está cada vez mais responsável. Porém, enquanto os hábitos já estão arraigados, ainda existe muita oportunidade no que se refere ao uso de produtos”, finaliza a executiva. O estudo Who Cares, Who Does? dividiu os consumidores em três grupos de relação com o meio ambiente: 68% dos brasileiros têm pouco ou nenhum interesse pelos desafios ambientais do planeta e não estão fazendo nada para mudar esta postura. Eles integram um grupo chamado de EcoDismissers. O percentual é o mesmo de 2019. Já os EcoConsiderers, tomam algumas medidas para reduzir seu impacto ambiental, cresceram 1%, passando para 24% em 2020, enquanto os EcoActives, que trabalham constantemente para diminuir os níveis de resíduos plásticos e para proteger o meio ambiente, cresceram de 6% para 8%. Na América Latina como um todo, o número de EcoDismissers caiu de 63% para 47%, enquanto o de EcoConsiderers passou de 26% para 36% e o de EcoActives de 12% para 18%. O estudo contou com a participação de 80 mil consumidores de 19 países, localizados na Europa, América Latina, Estados Unidos e Ásia. Mais informações em www.kantar.com/whocareswhodoes .

9 de novembro, 2020
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CERTIFICAÇÕES
Brasileiros identificam selos ambientais

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em parceria com o instituto de pesquisa e opinião pública Market Analysis, apresentou 27 selos ambientais para 906 adultos de onze capitais do Brasil e perguntou se eles reconheciam selos ambientais. A pesquisa “Identificação e conexão do consumidor com os selos ambientais”, constatou que pelo menos oito em cada dez brasileiros conseguem identificar no mínimo um selo. Em Salvador e Brasília os selos são mais conhecidos: 99% e 96% dos entrevistados, respectivamente, afirmam reconhecer pelo menos um deles. Por outro lado, os residentes de Porto Alegre, Curitiba e Rio Janeiro identificaram 50%, 69% e 71%, respectivamente. Os selos ambientais são mais conhecidos entre os jovens entre 18 e 24 anos (91%), entre a população de renda mais alta (85% dos que pertencem às classes A e B) e de maior escolaridade (95% entre os que possuem pelo menos o ensino superior incompleto). O selo mais conhecido é o Procel, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, que identifica equipamentos e eletrodomésticos de maior eficiência energética. Os resultados mostram que 3 em cada 4 brasileiros (75%) o reconhecem, uma proporção muito acima dos demais selos estudados. Já o Conpet é reconhecido por 22% dos entrevistados. Assim como o Procel, este selo é conferido aos produtos mais eficientes no uso de derivados de petróleo e gás natural. É destinado a determinados segmentos como: automóveis, fogões, fornos a gás e aquecedores de água a gás. No terceiro lugar aparece a certificação oficial Produto Orgânico Brasil (14%), que garante o cultivo de alimentos sem agrotóxicos ou fertilizantes artificiais. “Há uma notável capilaridade da eficiência energética como virtude ambiental na cabeça dos consumidores, e também se destaca a força dos selos desenvolvidos por vários stakeholders ou endossados por entidades normalizadoras isentas”, disse Fabián Echegaray, Diretor do instituto Market Analysis. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas face a face em 906 domicílios das cinco regiões do País, com homens e mulheres com idades entre 18 e 69 anos, pertencentes a todas as classes socioeconômicas. As entrevistas aconteceram entre os dias 25 de janeiro e 14 de fevereiro de 2016. O estudo abrange as capitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Manaus, Belém, Brasília e Goiânia. Foram pesquisados os seguintes selos e certificações: ABIO – Associação de Agricultores Biológicos; Cerflor: Certificação Florestal; Certified Vegan; Coatings Care; Conpet; D2W; Dolphin Safe; EarthCheck; Ecocert; Energy Star; Fairtrade; Falcão Bauer; FSC; I’m Green; IBD Orgânico; ISO14001; LEED; Natrue; PEFC; Procel; Produto Orgânico; Rainforest Alliance; RoHS; Rótulo Ecológico ABNT; RSPO; Sustentax; Terracycle.

25 de maio, 2016