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SANEAMENTO

Explosão em obra da Sabesp no Jaguaré mata uma pessoa e reacende debate sobre segurança em obras

Explosão em obra da Sabesp no Jaguaré mata uma pessoa e reacende debate sobre segurança em obras

Explosão em obra da Sabesp no Jaguaré deixa um morto e reacende debate sobre segurança em obras com interferências subterrâneas. Equipe perfurou tubulação de g…

Uma explosão de grandes proporções ocorreu na tarde de segunda-feira (11) no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, após equipes da Sabesp perfurarem acidentalmente uma tubulação da rede de distribuição de gás natural da Comgás durante a execução de uma obra de remanejamento de tubulação de água. O incidente resultou em um óbito, três feridos e danos estruturais em ao menos 35 imóveis na Rua Floresto Bandecchi e adjacências.

Durante a execução dos serviços de remanejamento, a equipe da Sabesp atingiu mecanicamente a tubulação de gás natural da Comgás. O impacto físico sobre o duto provocou a ruptura da canalização, liberando gás natural sob pressão para o ambiente. A Sabesp confirmou que, ao identificar o atingimento da rede de gás, os trabalhos foram imediatamente paralisados e a Comgás foi notificada para adoção dos procedimentos técnicos de reparo e contenção do vazamento. 

Contudo, durante o intervalo entre a ruptura da tubulação, a notificação à concessionária de gás e a mobilização da equipe técnica para contenção, o gás natural acumulou-se em concentração suficiente para atingir o limite de inflamabilidade. A ignição — ainda com causa a ser apurada — desencadeou a explosão.

O intervalo crítico entre vazamento e ignição

Do ponto de vista técnico, esse intervalo é o principal fator de risco em ocorrências desse tipo. O gás natural, composto majoritariamente por metano (CH₄), possui limite inferior de inflamabilidade (LII) de aproximadamente 5% em volume no ar. Em ambientes semi-confinados — como valas abertas, subsolos e edificações adjacentes com aberturas — a dispersão do gás pode atingir concentrações explosivas em minutos, especialmente quando há pressão residual na rede rompida.

A Comgás informou que recebeu o chamado de vazamento às 15h15 e que sua equipe chegou ao local às 15h37 — 22 minutos após a notificação. A explosão ocorreu às 16:10, antes que o isolamento e o corte do fornecimento pudessem ser concluídos.

A Sabesp afirmou que a obra estava "previamente alinhada e acompanhada pela concessionária responsável pela rede de gás", indicando que houve coordenação prévia entre as empresas quanto ao traçado e à presença de interferências subterrâneas. A investigação deverá apurar se o mapeamento das interferências foi adequado, se os procedimentos de sondagem e detecção de redes enterradas foram seguidos antes da escavação, e se os protocolos de resposta a emergência foram acionados dentro dos prazos estabelecidos pelas normas técnicas e pelos contratos de concessão.

A legislação brasileira e as normas da ABNT estabelecem que obras em áreas com interferências subterrâneas devem ser precedidas de levantamento de interferências por meios não destrutivos — como georadar (GPR) — e que qualquer atividade de escavação próxima a dutos de gás deve seguir procedimentos específicos de segurança, incluindo distâncias mínimas de escavação manual em relação à tubulação.

As causas formais do acidente estão sendo apuradas pela Polícia Civil e pelos órgãos reguladores, com participação das duas empresas envolvidas. A vítima fatal, um homem de 45 anos, residia em uma das edificações destruídas pela explosão. O Corpo de Bombeiros mobilizou 12 viaturas e, na noite de segunda-feira, ainda buscava uma possível segunda vítima desaparecida

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