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ÁGUA

A irrigação como agente mitigador da seca no sul do Brasil

A irrigação como agente mitigador da seca no sul do Brasil

É possível produzir mais com menos, em um ambiente de seca extrema através da irrigação localizada. Por: Maxwell Soares da Silva (*)

A estiagem que afeta o sul do Brasil levou 44 municípios do Rio Grande do Sul a decretarem estado de emergência, com prejuízos na casa dos milhões na agricultura, tendo em vista que essa região é grande produtora de grãos.

A seca é um fenômeno antigo e cíclico, que o ser humano deve buscar conviver e buscar alternativas que mitiguem os seus danos. Como exemplo de como lidar com a seca, temos Israel, localizado no oriente médio, que nos ensina uma grande lição: é possível produzir mais com menos, em um ambiente de seca extrema através da irrigação localizada.

Israel se tornou exportador desta tecnologia para o mundo inteiro, onde através de mangueiras com emissores de alta tecnologia, fornecem água e nutrientes de maneira localizada e na quantidade ideal para a planta, sem desperdício. Essa tecnologia se chama irrigação por gotejamento.

O gotejamento transformou a realidade de regiões áridas em todo o mundo, como por exemplo o vale do são Francisco e Mossoró no Rio Grande do Norte, grandes pólos exportadores de frutas. Nestas regiões a pluviosidade é muito baixa durante o ano, sendo praticamente impossível produzir dependendo exclusivamente da chuva.

Esta tecnologia por gotejamento pode ser utilizada com outras tecnologias de monitoramento do solo, como tensiômetros e estações meteorológicas, que proporcionam um ajuste mais fino da quantidade de água a ser ofertada à planta. A estação meteorológica fornece dados como a evapotranspiração, que é a quantidade de água que o solo perdeu pela evaporação, tendo também a transpiração, que é quantidade de água que a planta perdeu, necessitando assim repor essa água de acordo com a fase fenológica da cultura. Os tensiômetros auxiliam no fornecimento da informação da quantidade de água disponível no solo para a planta, servindo como ferramenta de quando se deve irrigar. Com essas informações fornecidas, o agricultor tem em mãos a escolha de quando irrigar e fertirrigar, utilizando os insumos e recursos naturais de forma mais precisa, produzindo com mais qualidade.

(*) Especialista Agronômico da Netafim



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O Dia Mundial da Água e os Conflitos
ARTIGO
O Dia Mundial da Água e os Conflitos

Artigo por Paulo César Alves Rocha Por Paulo César Alves Rocha * Nesta terça-feira, 22, é celebrado o dia mundial da água. Há pouco o que se comemorar. Nos últimos anos, notícias sempre nos dão conta da diminuição da precipitação de chuvas, uma anormalidade que vem ocorrendo sem data para terminar. Este fenômeno traz também chuvas de grande precipitação em pouco tempo, o que causa enchentes, alagamentos, deslizamentos e uma série de efeitos trágicos. As causas destes problemas são pioradas pela poluição gerada por combustíveis fósseis e a derrubada de matas e florestas, estas últimas ocasionando a seca das nascentes de água. Os reservatórios destinados a água tratada e os de hidroelétricas estão há alguns anos sempre abaixo de sua capacidade e houve até aproveitamento por meio de bombeamento do seu nível morto. Algumas hidroelétricas já pararam de produzir energia por falta de água, mas elas têm que manter vasão mínima, e estarão quase todas na situação de produção abaixo de sua capacidade no prazo de um ano. A redução na vazão de rios já provocou diversos casos de salinização de foz de rios, com problemas para a população, além de provocar todo um conjunto de falta de emprego e diminuição de produção para quem necessita de água. Também já estamos tendo conflitos envolvendo água. Pequenos produtores rurais em conjunto com a população de cidades contestama retirada de água de rios para irrigação de plantações de grandes produtores rurais. Pequenos conflitos envolvendo pessoas e empresas, que retiram água do subsolo e dos rios, já ocorreram também, tanto entre estados, quanto em municípios. O caso mais recente ocorreu em decorrência de quem regularia a vazão do Rio Paraíba do Sul. Todo este embate em torno da água afeta diferentes setores no país. O transporte fluvial que fica prejudicado, as cidades enfrentam racionamento de água potável, a qualidade da água como um todo segue piorando porque a diminuição de chuvas não é acompanhada por uma redução de lançamento esgotos e lixo, ao contrário, este ponto se agrava, mas não se vislumbra nenhuma ação nem dos Governos nem da Sociedade para estes graves problemas. A irrigação deve ser modernizada para que se economize água. Uma ação efetiva nas bacias hidrográficas, deveria contemplar as Agências Governamentais como ANA, ANEEL, e Antaq, além do IBAMA, EMBRAPA e outros órgãos federais, o Operador Nacional do Sistema Elétrico -- ONS, além dos órgãos estaduais e municipais que tratam de água, agricultura, meio ambiente, irrigação, saúde e saneamento. Ou seja, todos os órgãos dos Governos direta ou indiretamente envolvidos, além da Sociedade como um todo, tem que participar de um esforço para termos água num mínimo necessário para que todos possam sobreviver. Deve ser lembrado que em bacias hidrográficas atualmente, as cidades à jusante captam na verdade esgotos das cidades à montante, para tratar e distribuir para a população, revertendo em esgoto que é lançando sem tratamento adequado no mesmo rio, que fará com outra cidade à jusante capte a água para uso humano e assim sucessivamente. Exemplo como a água que é tratada para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que trata água que vem do Rio Paraíba do Sul, as margens do qual poucas cidades tratam esgoto, agravada pelos afluentes do Rio Guandu que vêm de regiões onde o esgoto é lançado in-natura nos mesmos. Ou seja, já se usa na prática em larga escala a água de reuso, por que então não alargarmos este conceito para as cidades? Fica a sugestão. * Paulo César Alves Rocha é especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior com mais de 50 anos de experiência em infraestrutura, transportes, logística, inovação, políticas públicas de habitação, saneamento e comércio exterior brasileiro. Mestre em Economía y Finanzas Internacionales y Comércio Exterior e pós-graduado em Comércio Internacional pela Universidade de Barcelona. É mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estratégico, Engenharia e Logística) pela COPPE-UFRJ. Pós-graduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edições Aduaneiras.

22 de março, 2022
Perda de recursos hídricos. Não é bem assim
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Perda de recursos hídricos. Não é bem assim

Artigo por Alysson Nunes Diógenes Por Alysson Nunes Diógenes * Recentemente, a imprensa repercutiu a notícia de que o Brasil perdeu 15% dos seus recursos hídricos em 30 anos, uma perda de quase o dobro da superfície de água de todo o Nordeste, de acordo com estudo inédito do MapBiomas – grupo de pesquisadores com muita credibilidade e correto em seus dados e conclusões. Por outro lado, faltou apresentar algumas informações históricas, sem as quais esse dado sobre a perda dos recursos hídricos fica descaracterizado, como o do crescimento populacional. Desde a década de 1990, a população brasileira saltou de 150 milhões de habitantes para 211 milhões, um aumento de 40%. População que tem muitas necessidades no dia a dia: comida, bebida, deslocamento, habitação e lazer. Coisas simples, mas que necessitam de recursos. É, no mínimo, simplista apresentar esse dado e ignorar nosso histórico. Há alguns anos vivemos crises energéticas. No governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, por exemplo, houve uma delas. No governo Dilma, mais uma crise, dessa vez, por causas diferentes. A população e, em especial, a indústria precisam de energia. Muito se critica as recentes obras para geração de energia no rio Madeira e no rio Xingu, mas é mais desejável construir hidrelétricas do que acionar as geradoras termelétricas. Mas, alguém há de questionar. E as energias alternativas? Solar e eólica, as mais difundidas. Elas não são opções viáveis, por acaso? A resposta é que ambas têm um custo de operação muito maior do que as fontes citadas, as hidrelétricas. No entanto, o mesmo brasileiro que deseja o meio ambiente preservado, não se dispõe a pagar mais na conta de energia. Outro dado relevante é que na década de 1990 as fronteiras do Brasil eram fechadas para o comércio exterior. Mas o governo Collor participou do movimento mundial que ficou conhecido como globalização, trazendo grande desenvolvimento à nossa agricultura e pecuária. Parece outro mundo, mas foi apenas 30 anos atrás. E, é claro, isso teve consequências. Cerca de 70% da água que é consumida no país é para irrigação e outros 10% para consumo animal. Mais do que alimentar a população brasileira, somos grandes exportadores de soja e milho, além de carnes de frango, suína e bovina. Com esses dados, nota-se um conflito que, esse sim, deve ser abordado. A presença humana é prejudicial ao meio ambiente. E o que é possível fazer? Alguns exemplos: o governo federal, por meio do IBAMA, pode aumentar a fiscalização e multar os infratores da legislação ambiental, incentivando-os a respeitar as leis. O Judiciário, em todas as suas instâncias, não deve anular essas multas por qualquer motivo. O produtor que respeita as leis deve ser premiado por sua boa conduta. Prefeituras e estados devem fazer cumprir seus marcos de saneamento e parar de poluir os rios com esgotos e de autorizar construções em áreas de preservação. Na outra ponta, o cidadão que pode e deve adotar práticas sustentáveis de vida, que sabemos, são mais caras, mas garantem um futuro melhor para as próximas gerações. Entre as mudanças de comportamento, está o consumo de produtos com selos de sustentabilidade, como o da Rainforest Alliance, que certifica a prática de agricultura foi sustentável. Nem falarei em usar transporte público, e modais alternativos, como a bicicleta. Se apenas reduzirmos o desperdício de água e de energia elétrica, já será bastante significativo. Há muito trabalho a ser feito, mas, certamente, as ações renderão frutos – entre eles, inclusive, retorno financeiro. Mas, uma coisa é certa: com ações como as citadas, um futuro mais sustentável estará garantido para as próximas gerações. * Alysson Nunes Diógenes é Engenheiro eletricista, doutor em Engenharia Mecânica (UFSC), é professor do Mestrado e Doutorado em Gestão Ambiental da Universidade Positivo (UP).

20 de setembro, 2021
Estiagem é sinal de alerta
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Estiagem é sinal de alerta

Por Leo Cesar Melo * A pior seca em 91 anos enfrentada por cinco estados brasileiros, entre eles São Paulo, de acordo com um comitê de órgãos do governo federal, fez com que fosse anunciado o alerta de emergência hídrica no país. Mas, além da falta de água nas torneiras de casa, do apontamento da estiagem como responsável pelo aumento da conta de luz e de colocar o país sob risco de apagão, acima de tudo é importante refletir sobre o mau uso que se faz da água. Há uma demanda crescente por esse bem natural e, com isso, uma degradação cada vez maior dos nossos recursos hídricos. Portanto, é indispensável que ações e novas técnicas de preservação ambiental, que possam reduzir ao máximo esses impactos, sejam tomadas urgentemente. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), até 2030 o planeta deve enfrentar um déficit de água de 40%. Uma das alternativas para reverter esse quadro é a captação e tratamento da água da chuva. Além de uma economia que pode chegar até 50% do consumo de água, tanto de uma residência como de uma indústria, a medida gera impactos positivos ao meio ambiente. Hoje, a engenharia oferece soluções para isso. Em um terminal portuário no Espírito Santo, por exemplo, projetamos e construímos uma Estação de Tratamento de Águas Pluviais (ETAP) em uma área de 110 hectares que já está operando com capacidade de 4 mil m³/h de tratamento. Isso equivale a quase duas piscinas olímpicas por hora. Projeto que pode ser adequado, de acordo com a necessidade de cada indústria, além de outros fatores. Cuidar da água está intimamente ligado à sustentabilidade, já que não há futuro sustentável se tivermos desabastecimento. Portanto, a afirmação "água é vida" resume bem o tom de conscientização que todos nós devemos ter. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis.

2 de julho, 2021
O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia
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O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia

Por Marco Dutra * Conhecido pela abundância dos recursos hídricos, o Brasil tem vivido períodos de escassez. O país enfrenta uma situação crítica com o menor nível de chuvas dos últimos 91 anos, com reflexos na retomada da economia e em outros setores importantes, a exemplo do elétrico e da agricultura. As transformações no meio ambiente, impulsionadas pelo avanço da globalização, têm causado inúmeras mudanças climáticas, ocasionando em baixas precipitações pluviométricas, aumento das estiagens e secas, assim como os desastres provocados pela natureza. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, somos convocados a reduzir o nosso consumo para mitigar a possibilidade de racionamento. O que nos faz lembrar da finitude dos recursos naturais - motivo que por si só reforça o uso mais racional da água e da energia. Só a mudança de hábitos dos brasileiros pode mudar esse cenário, inclusive na decisão de compra do consumidor, por meio da escolha de produtos eficientes que geram redução de consumo e despesas. É evidente e primordial que os setores da economia incrementem investimentos na área socioambiental e de governança (ESG). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor agrícola consome 70% de água, a indústria 22% e o uso residencial 8%. Segundo o boletim anual de mercado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), divulgado neste ano, 32% de toda a energia do País é consumida por grandes indústrias, comércios e empresas ligadas em média e alta tensão, que precisam urgentemente mudar sua matriz de energia por fontes renováveis, bem como buscar soluções em máquinas e equipamentos mais econômicos. As instituições, juntamente com a população, precisam se empenhar para evitar desperdícios. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que, em 2030, a sociedade precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia. A responsabilidade por um mundo mais sustentável, em prol das gerações futuras, é dever de todos. Menos gastos dos recursos hídricos podem produzir mais riqueza na economia. É o que afirma um estudo elaborado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na contramão do mundo, o país desperdiça 39,3% de água potável, devido a perdas no sistema de distribuição, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2019). Já a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 do IBGE revela também que o consumo pelo brasileiro supera a média mundial em 30 litros. Assumir a agenda da sustentabilidade é se comprometer com a economia e com o planeta. Seja a diferença! * Marco Dutra é Diretor da Kärcher no Brasil

10 de junho, 2021
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ÁGUA
Como reduzir o consumo na agricultura e aumentar a produtividade?

Por Ana Paiva * Precisamos falar sobre água. Um recurso que sempre foi tido como inacabável, mas que há alguns anos sabemos que a realidade é outra. As mudanças climáticas, somadas a séculos de indústrias fabris e o uso excessivo de recursos naturais, tornaram a água um bem escasso. Em relatório divulgado em março de 2019, a ONU informa que mais de dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e mais de quatro bilhões não tem acesso à esgoto sanitário. Dado este cenário, é com grande urgência que o agronegócio, atividade que demanda grande quantidade de recursos hídricos, precisa se mover. Conhecer, desenvolver e aplicar tecnologias e inovações são essenciais neste momento, tanto para garantir a perenidade do próprio negócio como para proteger o planeta das mudanças climáticas. Exemplos positivos existem mundo afora. Em alguns países que a água nunca foi abundante, como Israel, a irrigação por gotejamento, por exemplo, vem sendo utilizada há décadas com muito sucesso. Originado nos anos 1940, na Inglaterra, este sistema se desenvolveu e passou a ser comercializado mais amplamente na década de 1960, nos Estados Unidos e principalmente em Israel, junto com o lançamento do plástico polietileno. Hoje é utilizado no cultivo de cereais, flores, algodão, hortaliças, frutas, cana-de-açúcar, vinhedos, grãos, entre outros. As soluções de plástico estão extremamente alinhadas com os objetivos do agronegócio, que busca produzir mais, com menos recursos. O sistema de irrigação por gotejo é um bom exemplo disto, uma vez que promove aumento de produtividade minimizando o consumo de fertilizantes e água por tonelada produzida, algo essencial para preservação do meio ambiente. A principal característica da irrigação por gotejamento é a economia dos recursos hídricos, pois oferece total controle da água utilizada, garantindo que será colocado no solo exatamente a quantidade de água que a planta precisa. Neste sistema utiliza-se gotejadores com tecnologia autocompensante (que controlam a vazão) e anti-sifão (que impedem a entrada de partículas do solo). Os gotejadores são inseridos em tubos de polietileno que podem ser produzidos com resinas de origem fóssil ou renovável (à base de cana-de-açúcar). Estes tubos de polietileno podem ser colocados na superfície do solo ou enterrados, dependendo da forma de manejo da cultura que será irrigada. Irrigação da cana-de-açúcar com tubos gotejadores enterrados já é uma realidade. Na Índia, por exemplo, há canaviais que a cada dez milímetros que se irriga por gotejamento, ganha-se uma tonelada de cana e a possibilidade de plantar em todo o ano aumenta o rendimento dos equipamentos de plantio. Algo impensável para o país sul-asiático antes desta tecnologia surgir. Essa tecnologia já está em operação nos canaviais brasileiros, pois uma usina goiana registrou um aumento de 70% em sua produção no primeiro ano de irrigação, na comparação com a produtividade obtida em área de sequeiro (área não irrigada). Ou seja, este é apenas um dos vários exemplos que mostram que, com uso de tecnologia, o agronegócio pode aumentar de forma significativa sua produção com consumo muito otimizado de recursos naturais. * Ana Paiva é especialista em Desenvolvimento de Mercado da Plataforma Agro da Braskem.

18 de maio, 2020
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RECURSOS HÍDRICOS
Cartilha sobre de uso racional na agricultura

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolveu a cartilha “Uso racional da água na Agricultura”, editada pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e com supervisão técnica do engenheiro agrônomo Mário Ivo Drugowich, especialista no tema conservação do solo. A publicação, com 35 páginas, tem como objetivo apresentar, de maneira simples, as principais práticas difundidas pela Secretaria para que as ações da agricultura não comprometam a qualidade e a quantidade de água. A cartilha aborda conceitos sobre irrigação, proteção de nascentes com plantio de mata ciliar e tecnologias voltadas à irrigação, que têm o objetivo de reduzir o consumo de água, tornando-o mais eficiente. Outros temas como a conservação do solo também são abordados no material. Solos descobertos sofrem erosões provocadas pelas chuvas e estes sedimentos são carreados até os cursos d’água, assoreando córregos, riachos e os rios. Erosões fazem aflorar o lençol freático. “Este material precisa ser lido pela equipe de extensão rural e disseminado aos agricultores. Que as experiências relatadas na cartilha sirvam de exemplo para muitos que estão dia a dia nos campos, enfrentando as mudanças climáticas. Que todos cuidem e usem de forma consciente este recurso hídrico e que nos ajudem a realizar um trabalho proativo de cuidar deste bem valioso e finito, que é a água. Estamos fazendo em São Paulo uma agricultura harmônica com o meio ambiente, como sempre nos orienta o governador Geraldo Alckmin”, alertou Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

15 de janeiro, 2018
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ÁGUA
A real situação de nossos reservatórios

Por Diogo Taranto* Devido à retomada de parte dos níveis nos reservatórios da região sudeste do Brasil ao final do período de chuvas no ano de 2015 (janeiro – março) e também às notícias de que neste ano a média dos índices pluviométricos históricos foi ultrapassada em aproximadamente 16%, a preocupação de grande parte da população pelo uso racional dos recursos hídricos foi momentaneamente esquecida. Apesar da aparente melhora nos níveis dos reservatórios, após alguns meses e transcorrida uma época de seca desta região, a situação dos reservatórios continua sendo muito preocupante. Em comparação ao ano de 2014, atualmente o nível de armazenamento dos reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo está inferior em aproximadamente 5%. Isso, apesar do índice de redução deste volume também ter diminuído por algumas ações prévias tomadas pelo governo do Estado. Ou seja, em 2014 os reservatórios se esvaziavam mais rápido que em 2015, mas em contrapartida a média de chuva no mês de julho de 2015 foi 56% abaixo da média histórica, e agosto é considerado o mês mais seco do ano. Com base nisso, podemos analisar o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 5,6 milhões de pessoas na Grande São Paulo. O volume útil deste reservatório, sem considerar a reserva técnica (volume morto), é de 982 milhões de metros cúbicos. Com a reserva técnica, o volume total é de 1.269,5 milhões de metros cúbicos. Atualmente, o volume útil foi completamente consumido e, do volume disponível na reserva técnica de 287,5 milhões de metros cúbicos, há armazenados somente 161,3 milhões, de acordo com dados da Sabesp. Considerando que não sejam adotadas medidas de racionamento de água, não ocorram chuvas que contribuam diretamente com o aumento de nível e o consumo da população mantenha os padrões atuais (150 litros por pessoa/dia), o volume armazenado seria consumido em aproximadamente 192 dias pelas pessoas abastecidas por esse sistema. Em São Paulo, a Sabesp vem atuando na regularização da medição e consumo de água, mas ainda assim há um desperdício considerável. Em 2014, aproximadamente 20% da água se perdia no trajeto entre as represas e as residências, e a meta da Sabesp é chegar aos 16,7% de perdas até 2020. Embora este índice já tenha sido pior, ainda está longe do ideal. No Japão, por exemplo, o desperdício é de aproximadamente 10%. Obras importantes estão em andamento para contribuir com a equalização dos volumes entre os reservatórios do Estado e, assim, levar água de pontos com maior disponibilidade hídrica, de menor consumo e menos populosos, a locais mais populosos e com maior consumo. O projeto que oferecerá maior segurança hídrica na região metropolitana de São Paulo e Campinas é a obra de transposição entre as represas Jaguari e Atibainha, para o carente sistema Cantareira. No entanto, a obra, que deve trazer 8.500 litros por segundo ao sistema Cantareira, só vai ficar pronta em 2017. Para garantir o abastecimento na Grande São Paulo, destacam-se duas obras com prazos mais curtos: a transposição do Rio Grande para o esvaziado Alto Tietê, por meio de um projeto de 22 quilômetros de tubulações e que terá capacidade de transferir 4.000 litros de água por segundo da região do ABC até Suzano; e a transposição de água do rio Guaió para o Sistema Alto Tietê, que bombeará 1.000 litros de água por segundo até o Ribeirão dos Moraes, curso d'água que termina no rio Taiaçupeba-Mirim, onde fica a estação de tratamento do Alto Tietê, hoje com capacidade ociosa por falta de água. O volume equivale ao consumo de cerca de 300.000 pessoas. Ações na área de infraestrutura são fundamentais para melhorar a distribuição e equalizar as fontes de recursos hídricos nas diversas regiões do Estado. Além disso, investimentos em unidades de captação e tratamento de água alternativas, como o reuso de efluentes tratados dos atuais sistemas de tratamento de esgoto, processos de dessalinização e até mesmo ideias como a utilizada no reservatório de água na Califórnia – EUA (a superfície de três reservatórios foi coberta por bolas pretas recicláveis com objetivo de reduzir o processo de evaporação da água) também devem ser estudadas e levadas em consideração pelos órgãos e pessoas responsáveis pela gestão dos recursos hídricos. Contudo, a maior das ações, e a que se reflete em melhores resultados, é o uso racional da água pelos consumidores finais urbanos e industriais, que podem contribuir desde o fechamento da torneira ao escovar os dentes, até por meio de investimentos em tecnologias de reuso e otimização de água em suas unidades. *Diogo Taranto é diretor de Operações da Nova Opersan

17 de setembro, 2015
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FENASAN
A experiência da Califórnia no combate à seca

Garantir o abastecimento das cidades com água potável, em meio ao grande crescimento da população, períodos de seca e deficiências nos investimentos em infraestrutura, é hoje um dos principais desafios para todos os países. No Brasil, a falta de água, com a forte seca em 2013 em 2014, atinge os principais reservatórios há mais de um ano, principalmente no Estado de São Paulo. O Estado da Califórnia, nos EUA, também vive uma de suas piores secas, desde 2012. As medidas para enfrentamento do período de estiagem no Estado americano foram tema de uma mesa-redonda realizada ontem durante a 26ª edição da Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan). O debate, promovido pela consultoria GO Associados, em parceira com o Instituto das Américas, contou com a coordenação de Carlos Alberto Rosito, senior advisor da consultoria e membro da Associação Internacional da Água (IWA) e de Jamal Khokhar, presidente do Instituto, além de Allison Lassiter, doutora em planejamento ambiental pela Universidade de Berkeley e editora do livro “Sustainable Water: Challenges and Solutions”, que fez a explanação das práticas adotadas pelo governo californiano e de como as 400 agências responsáveis pelo abastecimento de 90% dos municípios da Califórnia têm atuado para reduzir em 25% o seu consumo de água, em resposta às restrições fixadas pelo governador Jerry Brown. Para garantir a eficácia da meta, foram previstas medidas punitivas, incluindo multas que podem chegar até US$ 10.000. O debate contou com as presenças de Shimon Constante, da empresa israelense Miya Group, especialista na redução de perdas de água; Lee Mackey, pesquisador da Universidade da Califórnia (UCLA) em planejamento ambiental; Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe); Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil; Newton Azevedo, governador do Fórum Mundial da Água e vice-presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB).

5 de agosto, 2015