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EMISSÕES ATMOSFÉRICAS

Livro aborda consequências da geração de CO₂ no Brasil

O crescimento das emissões atmosféricas de carbono no Brasil, em razão de incêndios verificados nos Estados do Amazonas e Maranhão, somados à degradação de florestas na Amazônia Legal, fizeram o país despencar de 10º lugar em 2007 para a 49ª posição em 2015 no ranking publicado anualmente pelo “The ClimateChangePerformance Index”, que avalia os esforços dos países para diminuir suas emissões. Com o propósito de abordar as consequências das maiores emissões de CO 2 , o ônus do desregulamento do sistema climático global, a crescente escassez hídrica em muitos países (inclusive no Brasil), a erosão dos solos e a desertificação, o acúmulo de lixo, a intoxicação química do planeta, com evidentes impactos sobre a saúde pública, além do colapso da biodiversidade terrestre e marítima, o estudioso Luiz Marques, da Unicamp, está lançando o livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”, que mostra que essas tendências combinadas têm por motor a máquina expansiva do capitalismo. “O livro demonstra que quanto mais obstáculos o capitalismo global encontra para satisfazer seu crescimento, mais ambientalmente destrutivo se torna, desencadeando um colapso ambiental que condena à extinção inúmeras espécies, inclusive a nossa”. A obra, com 648 páginas, tem o selo da Editora da Unicamp.

O crescimento das emissões atmosféricas de carbono no Brasil, em razão de incêndios verificados nos Estados do Amazonas e Maranhão, somados à degradação de florestas na Amazônia Legal, fizeram o país despencar de 10º lugar em 2007 para a 49ª posição em 2015 no ranking publicado anualmente pelo “The ClimateChangePerformance Index”, que avalia os esforços dos países para diminuir suas emissões.

Com o propósito de abordar as consequências das maiores emissões de CO2, o ônus do desregulamento do sistema climático global, a crescente escassez hídrica em muitos países (inclusive no Brasil), a erosão dos solos e a desertificação, o acúmulo de lixo, a intoxicação química do planeta, com evidentes impactos sobre a saúde pública, além do colapso da biodiversidade terrestre e marítima, o estudioso Luiz Marques, da Unicamp, está lançando o livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”, que mostra que essas tendências combinadas têm por motor a máquina expansiva do capitalismo.

“O livro demonstra que quanto mais obstáculos o capitalismo global encontra para satisfazer seu crescimento, mais ambientalmente destrutivo se torna, desencadeando um colapso ambiental que condena à extinção inúmeras espécies, inclusive a nossa”. A obra, com 648 páginas, tem o selo da Editora da Unicamp.

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ARTIGO
A precificação de carbono como ferramenta para o combate às mudanças climáticas

Por Gabriel Estevam Domingos* e Bianca Ayres ** A precificação do carbono é um assunto que vem sendo discutido no mundo nas últimas duas décadas. Cerca de 40 países, principalmente na Europa, já possuem uma legislação específica que determina a taxação de atividades empresariais por emissão de CO2. O intuito é gerenciar a crise climática e alavancar negócios de baixo carbono, haja vista preocupação com o aquecimento global. De acordo com o estudo de 2016 realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) junto com o We Mean Business e Carbon Disclosure Project (CDP), naquela época, 64 jurisdições internacionais já trabalhavam com precificação do carbono ou operavam sistemas de comércio de emissões, correspondendo a 13% dos gases de efeito estufa emitidos no mundo. No Brasil, apesar de o tema ser discutido desde 2011, ainda não existe uma legislação vigente específica para tributar as emissões de carbono. O Ministério da Fazenda e Banco Mundial se juntaram a diversas instituições para elaborar o projeto PMR. O objetivo é estudar formas de precificação de carbono, seja por meio do mercado de carbono ou imposto. O estudo foi iniciado em 2016 e finalizado em dezembro de 2020. O modelo apresenta um levantamento dos setores que seriam precificados e uma análise da estrutura produtiva, perfil de emissões, riscos de competitividade e alinhamento dos instrumentos econômicos que já existem para traçar formas de tributação. A fase inicial pretende trabalhar com taxações menores e aumentos progressivos. O mercado de carbono voluntário As grandes companhias fazem parte do mercado de carbono de forma voluntária. Existem multinacionais que realizam ações de redução ou remoção de emissões que geram um crédito de carbono dentro do mercado, como se fosse uma bolsa de valores. Essa unidade de crédito fica disponível nas certificadoras internacionais para que outras empresas, que não conseguiram reduzir, possam comprar. Os créditos de carbono gerados dependem das ações de redução ou remoção realizadas pelas companhias. Quando o crédito é advindo de remoção de CO2, o valor da tonelada de carbono é maior, enquanto que, em caso de redução de emissões, o valor do crédito tende a ser menor. Essa valorização é contrabalanceada em relação ao impacto socioambiental e quantidade disponível no mercado. O fato é que, de qualquer forma, outras empresas podem comprar, a fim de cumprir seus planos de zerar as emissões, com mediação das certificadoras de unidades de carbono. O mercado de carbono no setor público No setor público, também existem ações para implementar a taxação. Através da resolução Nº3 de 22, de julho de 2020, aprovada pela Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) alterou seu posicionamento e passou a reconhecer a contribuição do mercado voluntário de carbono para a redução de emissões e contenção das mudanças climáticas. O Programa Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais Floresta+ do Ministério do Meio Ambiente remunera pessoas físicas ou jurídicas para conservar, recuperar e proteger a vegetação nativa. De acordo com o ministério, um dos benefícios mais importantes do programa é a geração de crédito de carbono advinda da preservação florestal. O potencial do Brasil no mercado Tendo em vista esse cenário, há como afirmar que o Brasil possui muito potencial no mercado de carbono graças à tropicalidade territorial. A riqueza de terras e biodiversidade facilitam ações em prol da redução de mudanças climáticas. Plantações de longa vida, reflorestamentos e preservação do que já temos, incentivando o crescimento de bioma contribuem positivamente para atingir o objetivo de conter as emissões de CO2. Com todo esse potencial que o Brasil tem, diferenciado de muitos países desenvolvidos, é um alvo de investimento internacional ao incentivo dessas ações. O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) afirma que 15% a 20% da biodiversidade do planeta está no Brasil. Segundo a instituição, a Mata Atlântica e Amazônia têm uma diversidade tão grande que em um hectare de floresta encontram-se mais espécies de árvore do que em toda a Europa. O MMA estima que há 560 milhões de hectares de área com vegetação nativa, ou seja, 66% do território total. Por isso, é considerado um país com grande potencial para gerar créditos de carbono, com base em ações de reflorestamento e contenção da degradação ambiental. Diante de toda a riqueza e potencial para o mercado de carbono voluntário no Brasil, é preciso pensar de que forma instituir uma legislação para taxação, a fim de evitar consequências sociais. A precificação do carbono possui vários benefícios. É uma medida efetiva para reduzir as emissões, já que a tendência é a diminuição do consumo de produtos que causam altas taxas de emissão na atmosfera, consequentemente, as indústrias passam a fabricar aqueles que são mais ecológicos. Por outro lado, a taxação causa aumento de preço nas produções de forma direta ou indireta. Automaticamente, isso é repassado ao consumidor final. O valor das mercadorias sobe e essa situação pode ser um problema em um país de vulnerabilidade social, em que não há estrutura e muitas pessoas têm baixa renda. O Brasil ainda sofre com esse problema. Segundo dados do IBGE de 2020, a pobreza extrema atingiu 13,7 milhões de brasileiros no ano anterior em 2019. Os dados do ano passado ainda não foram divulgados pelo instituto. O estudo do CEBDS indica que a taxação de carbono afeta o consumidor final por conta do aumento de preços. A partir das legislações, as indústrias passam a produzir com custos mais elevados, precisam investir em sustentabilidade e isso encarece os produtos. Portanto, seria necessário um desenvolvimento do Brasil, visando a diminuição do índice de pobreza e miséria, para que o aumento de preços não prejudique a sociedade brasileira. Contudo, os resultados obtidos através dos cenários de simulação da precificação do carbono no PMR, realizados pelo instituto ClimaTempo, indicam que, mesmo com o aumento no índice de preços, houve redução da pobreza, com evolução real da renda média e disponível dos 20% mais pobres, além de um crescimento econômico, sendo 2,3% em 2030, menor taxa de desemprego e aumento de investimentos. Segundo o Banco Mundial, a receita gerada através de precificação de carbono atingiu US$66.6 bilhão em 2018, com iniciativas representando 20% das emissões globais. O FMI acredita que a receita decorrente de precificação de carbono pode ser equivalente a 1% do PIB brasileiro em 2030. O mercado de carbono será o assunto do momento Nos próximos anos, a tendência é a discussão em relação à taxação do carbono e as consequências dessa ação para a economia e sociedade. As grandes empresas já estão agindo de forma voluntária e diversas instituições e órgãos, como Banco Mundial, ONU e Ministério do Meio Ambiente já discutem o assunto há tempos. Enquanto isso, o mundo acompanha o mercado de carbono e as próximas decisões a serem tomadas acerca do tema. A contribuição positiva da eleição de Biden influencia, a nível mundial, o audacioso e necessário objetivo do Acordo de Paris em limitar as emissões mundiais a 500 bilhões de toneladas de carbono. O retorno das políticas norte americanas ao compromisso de redução de 4,4% ao ano, assumido por Obama e excluído dos planos de Trump, agora retornam a uma velocidade de redução de 5,4% das emissões, com Biden. Uma corrida que custará caro aos processos industriais, mas extremamente significativa para todo o mundo alcançar o delta de 1.5ºC de aquecimento global em 2050, preservando vidas neste planeta. * Gabriel Estevam Domingos é Diretor de P&D da Ambipar ** Bianca Ayres, gerente de P&D da Ambipar

8 de março, 2021
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Emissões brasileiras devem crescer até 20% com recessão

Segundo análise do Observatório do Clima lançada dia 21 de maio, as emissões brasileiras de gases de efeito estufo podem subir entre 10% e 20% em 2020 na comparação com 2018, último ano para o qual há dados disponíveis. A recessão gerada pela pandemia do COVID-19 no restante do mundo pode gerar redução de 6% dos gases. O aumento das emissões no Brasil é explicado de acordo com nota técnica do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC), pelo aumento do desmatamento na Amazônia neste ano. Este crescimento das emissões brasileiras tende a compensar a queda esperada das emissões no setor de energia e na atividade industrial, além da redução que também vem sendo verificada no desmatamento no Cerrado. Considerando a média dos últimos cinco anos do desmatamento nos meses de maio a julho, as emissões decorrentes da destruição da floresta em 2020 serão 29% maiores que em 2018. Caso o desmatamento em maio, junho e julho deste ano seja semelhante ao do mesmo período do ano passado, porém, a Amazônia pode terminar 2020 com 14,5 mil km2 desmatados e emissões 51% maiores do que em 2018. O desmatamento é medido sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Em julho se encerra a série de 2020. A redução do consumo de carne em abril contribuiu para o aumento nas emissões do Brasil. Em abril, os abates de bovinos caíram 20%, o que pode significar um ligeiro acréscimo nas emissões do setor. A pecuária responde sozinha por 20% das emissões do Brasil, sobretudo devido ao metano emitido pelo rebanho bovino (o popular "arroto" do boi). A redução nos abates significa mais bois no pasto e, portanto, mais emissões. Outros setores com tendência de queda são o de transportes, por exemplo, a partir da adoção do isolamento social, em março. No entanto, o consumo de diesel no transporte de carga subiu, o que levou a uma queda de 1% nas emissões no primeiro trimestre, no cômputo geral – uma redução pequena. A geração de eletricidade e a indústria tiveram quedas nas emissões. Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente, divididas da seguinte forma - 21% em energia, 5% em processos industriais, 25% em agropecuária, 5% em resíduos e 44% em mudança de uso da terra. A depender do que possa acontecer com o desmatamento da Amazônia, as emissões podem ser da ordem de 2,1 bilhão a 2,3 bilhões de toneladas brutas neste ano. Isso desviaria o país tanto do cumprimento da Política Nacional de Mudança do Clima, que tem meta de emissões decrescentes para 2020, quanto do Acordo de Paris, que prevê emissões de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 equivalente para 2025. "O efeito da pandemia é redução das emissões no mundo inteiro. Mas, no Brasil, temos a maior parte das emissões vinculadas a mudanças do uso da terra, que estão descoladas da Covid-19", disse Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

25 de maio, 2020
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AMAZÔNIA
Desmatamento cresce 24% até julho de 2015

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia atingiu 6.207 quilômetros quadrados entre agosto de 2014 e julho de 2015, o que configura aumento de 24% na comparação com o período anterior. “O Brasil assumiu um compromisso internacional na Conferência do Clima, no ano passado, mas os números atuais indicam que estamos indo na direção contrária do que é necessário para cumprir o acordo”, afirma o Diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães. A mudança no uso da terra ainda é a principal causa da emissão dos gases estufa no Brasil. Com o desmatamento da floresta amazônica, o País coloca em xeque a ratificação do Acordo de Paris, que deve entrar em vigor em 30 dias. Para conter o desmatamento na Amazônia é preciso investir em fiscalização, principalmente das áreas não designadas, e realizar monitoramento da aplicação de políticas públicas que incentivem a conservação, além de debater sobre o fim do desmatamento legal e ilegal. "O fim do desmatamento na Amazônia é urgente se quisermos ter um clima mais equilibrado e benéfico para a região, para a agricultura e para o país. Para chegar lá, será preciso ir além do comando e controle”, explica o pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho. “A conservação da floresta amazônica terá de ser compensada financeiramente. E o caminho mais promissor é o mecanismo de REDD+, atualmente em discussão no âmbito da Convenção de Mudança Climática da ONU." O Ipam propõe um sistema simples de distribuição de benefícios de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), chamado de “estoque-fluxo". Através destes sistemas, os estados que reduzirem suas emissões por desmatamentos e mantiverem florestas conservadas serão beneficiados. “Nós temos competência, capacidade e determinação para que o desmatamento da Amazônia seja controlado e o Brasil seja um manancial de boas práticas na gestão de florestas”, diz Guimarães. “Ao unirmos todas essas características, o país pode ajudar o mundo no controle das mudanças climáticas.”

13 de outubro, 2016
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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estudos vêem saúde humana em risco

Segundo os estudos do Secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho deste ano, e da Rockefeller Foundation, dos Estados Unidos, em colaboração com a revista Lancet , do Reino Unido, realizado em julho de 2015, a degradação ambiental observada em todo o planeta Terra coloca a saúde humana cada vez mais em risco. As duas publicações foram lançadas no Brasil em 24 de setembro, durante o painel “Planetary health: a challenge for individual health”, realizado no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista. “Os dois relatórios se complementam e resumem o atual conhecimento científico sobre as relações entre saúde e meio ambiente”, disse Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário-executivo da CDB, em sua palestra durante o evento. O primeiro estudo intitulado “Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health” da CDB e OMS, aponta que a degradação ambiental tem causado o declínio da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos no mundo, como o fornecimento de água, alimentos e ar limpo. Esta queda, segundo o estudo, representa risco à saúde humana e para a sustentabilidade econômica do planeta, avaliam os autores do documento. “Diferentemente das mudanças climáticas, que podem se manifestar por meio de eventos extremos muito perceptíveis, como maior frequência de secas e inundações, a perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos pela degradação ambiental é um processo lento, contínuo e pouco visível. Por isso, a maior parte das pessoas não se dá conta disso”, afirmou Dias. O relatório indica que a contínua degradação ambiental já ocasionou a perda de mais de 80% da vegetação herbácea, além de 90% de todas as áreas úmidas e dos estoques de peixes de maior porte no mundo. Resultou também na perda de mais de 90% da variedade genética de espécies de trigo, arroz e frutas, como maçã, nas últimas décadas. “A perda dessa diversidade de cultivares está tornando a população mundial mais vulnerável a surtos de pragas agrícolas e a um colapso na oferta de alimentos”, disse Dias. Ele cita entre os principais fatores que estão causando essa degradação as mudanças no uso da terra, sobre-explotação de recursos biológicos, poluição, dispersão de espécies exóticas e invasoras, além das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos. Os desequilíbrios nos ecossistemas causados por essas formas de degradação ambiental provocam surtos de doenças, como as causadas por ebola e hantavírus, aponta o relatório. Ação coletiva urgente Já o relatório “Safeguarding human health in the Anthropocene epoch”, da Rockefeller Foundation, em parceria com a Lancet , afirma que a degradação ambiental demandará uma ação coletiva urgente, tanto em nível global como local, e a cooperação será indispensável. A Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada na sede da ONU, em Nova York – em que os países passaram a adotar oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –, e a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), em Paris, no início de dezembro, representam uma janela de oportunidades para colocar em pauta a discussão sobre os impactos da degradação ambiental na saúde na agenda global, avaliam os autores do relatório. “É necessário que os países se empenhem em atacar as causas das mudanças ambientais, promovendo padrões sustentáveis e equitativos de consumo, controlando o crescimento de suas populações e que usem o poder das novas tecnologias para promover mudanças”, disse Sir Andy Haines, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, em sua palestra por videconferência durante o evento. Entre as medidas apontadas no estudo para reduzir o impacto da degradação ambiental na saúde humana estão a proteção de recursos hídricos, combate e redução do desperdício de alimentos, investir em planos escaláveis e modelos de financiamento para a implementação de energias renováveis e incentivar o investimento regional em infraestrutura de transporte urbano. “As soluções devem se basear na redefinição de prosperidade, com foco na melhoria da qualidade de vida e na promoção da saúde, juntamente com o respeito pela integridade dos ecossistemas”, disse Haines. O encontro teve a participação de José Goldemberg, presidente da Fapesp, e de representantes da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, da USP e dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein. Na avaliação de Goldemberg, a pesquisa científica pode auxiliar muito na busca de soluções. A descoberta de que a palha da cana-de-açúcar poderia ser usada para gerar eletricidade fez com que a prática da queima da planta para a colheita manual fosse substituída pela colheita mecanizada da cana crua nos canaviais no Estado de São Paulo, exemplificou. “O aproveitamento desse subproduto da cana-de-açúcar contribuiu para diminuir a poluição, está ajudando a gerar lucros para as usinas e produzir eletricidade para o país”, avaliou Goldemberg. “É preciso olhar para as causas e consequências da degradação ambiental, que podem resultar em soluções como essa”, afirmou. O relatório Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health pode ser acessado em www.cbd.int/health/stateofknowledge/default.shtml . Já o relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch pode ser consultado no site www.thelancet.com/commissions/planetary-health .

30 de setembro, 2015
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MEIO AMBIENTE
Junho Ambiental

Por Marcia Ramazzini* Todo 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, porém nunca se falou tanto sobre o tema como neste ano. A Conferência do Clima em Paris, será realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro, deverá atrair cerca de 50.000 pessoas de 95 países. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCC) visa conter as emissões de carbono, visto que as Nações Unidas têm como objetivo limitar o aquecimento global em 2ºC. As mudanças climáticas estão ocorrendo nos quatro continentes. Seca na Califórnia, ondas de calor na Índia ocasionando mortes, falta de água na região sudeste do Brasil que já está na iminência de ficar sem energia, inundações no deserto do Atacama e isso sem falar no terremoto do Nepal, dentre outras catástrofes ambientais. Assim, a Conferência do Clima virá no momento adequado para acordos de redução da emissão de carbono. Representantes de 200 países se reuniram em Bonn, na Alemanha no início de junho com objetivo de preparar o acordo para a Conferência de Paris. Porém, houve pouco progresso. Os participantes reclamaram do tempo exíguo, sendo que basicamente cinco temas foram discutidos. Objetivo a longo prazo: limitar a 2ºC o aquecimento global. Divisão de esforços: é o mais polêmico. A novidade é a liderança que a China adotou como país em desenvolvimento. O país do oriente quer manter as condições da Rio 92, onde os países em desenvolvimento não assinaram o protocolo de Kioto visando não limitar seus crescimentos. Porém, a China se esquece que é a maior emissor de carbono da atualidade. Adaptação à mudança climática: alguns países da América Latina querem receber “perdas e danos”. Afirmam terem sido afetados por mudanças climáticas em algumas ilhas e estados, com prejuízos ao seu desenvolvimento. Financiamento: países desenvolvidos deverão desembolsar 100 bilhões de dólares até 2020 para que países em desenvolvimento se adequem à energia limpa. Forma jurídica do acordo: retificar a fórmula utilizada no protocolo de Kioto ou transformar em Declaração Política acarretando menor impacto. Enfim, uma nova reunião deverá ocorrer em setembro para acertos antes da Conferência de Paris. Por outro lado, a grande novidade positiva do mês foi o lançamento, no dia 16 de junho, da Encíclica Papal “Laudato si” ou “Louvado Seja”, sobre ecologia. Pela primeira vez o Vaticano se manifestou sobre o tema meio ambiente e veio no momento certo. O Papa Francisco é uma pessoa carismática, respeitada e progressista. Há um ano, o pontífice vem consultando especialistas e, agora, responsabiliza a sociedade pela situação climática atual, pede por mudança de hábitos, racionamento e conscientização. Segundo ele “ecologia não é apenas uma questão de economia, mas também de ética e de antropologia”. Penso que nada do que disse é novidade, porém, teme que a escassez de recursos naturais possa levar futuramente a guerra entre nações . Já no dia seguinte a publicação “Laudato si” foi o lançamento de Jeb Busch como candidato a presidente dos Estados Unidos pelo partido republicano. Filho e irmão de ex-presidentes, sempre teve a imagem de um político mais moderno e maleável, mas começou mal. Criticou o papa publicamente no discurso de lançamento de sua campanha, embora sempre tenha vendido a imagem de católico fervoroso. Casado com uma hispânica, tem tudo para amealhar voto dos imigrantes. Mas, católicos não gostam que falem mal do papa e hispânicos são na maioria católicos. Portanto, Sr. Jeb Busch, perdeu uma grande oportunidade de ficar quieto, visto que os EUA são um dos maiores emissores de carbono. Seu pai não assinou o protocolo de Kyoto, mas com certeza Barack Obama em final de mandato vai assinar acordo firmado na Conferência de Paris. Se Jeb for o vencedor terá que cumprir! Portanto, meio ambiente foi o foco do mês de junho. E o Brasil? Nossa região sudeste continua a mesma. Nossas reservas aumentaram graças a chuvas fora de época e a escassez de recursos hídricos deixou de ser foco. Adotaram medidas punitivas apenas, ou seja, o valor da conta de luz foi aumento em até 45% e só. As obras que estavam sendo feitas pelo governo do estado foram postergadas e, ainda por cima, reduziram nossa cota de retirada de água do rio Atibaia. Bem, continuamos como a dois meses atrás, sem ações eficazes e na eminência de racionamento de água e energia e aguardando a vontade de Deus visto que para alguns ministros é o grande responsável por esta situação. * Marcia Ramazzini é engenheira civil pela PUC Campinas, engenheira em segurança do trabalho e meio ambiente pela Unicamp e mestranda em Saúde Ocupacional também pela Unicamp. Tem especializações em Riscos Industriais e Construção Civil pela OSHA (Occupational Safety Health Administration), Ministério do Trabalho dos Estados Unidos. Marcia é diretora da Ramazzini Engenharia e tem 20 anos de experiência de mercado.

4 de agosto, 2015
Dimensão ecológica da globalização
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Dimensão ecológica da globalização

Por Reinaldo Dias* Costumamos entender globalização como um fenômeno essencialmente econômico que envolve um aspecto comercial com a abertura dos mercados, uma globalização financeira caracterizada pela liberalização dos movimentos de capitais e uma dimensão tecnológica baseada no desenvolvimento e na expansão das novas tecnologias. Nas análises sobre o processo de globalização a dimensão ecológica tem sido pouco destacada, embora tenha contribuído significativamente para que o mundo reduza seu tamanho. Diversos problemas ambientais tem uma dimensão global como: a redução da biodiversidade, as alterações climáticas induzidas pelo homem, o efeito estufa, a diminuição da camada de ozônio entre outros que contribuem para uma maior aproximação entre os habitantes do planeta que vão se conscientizando de que o mundo é um só, e para mantê-lo é necessária a participação de todos. Como uma das questões mais urgentes a serem enfrentadas destaca-se o aquecimento global que tem afetado diversas regiões do mundo. As altas temperaturas assolaram boa parte do Brasil em 2014, a Califórnia enfrenta a pior seca de sua história, temperaturas de mais de 47°C à sombra mataram mais de 800 pessoas na Índia em maio de 2015. As maiores temperaturas do planeta desde o século XIX, quando se iniciou seu acompanhamento foram registradas no ano passado, e neste ano o prognóstico dos cientistas é que a temperatura média será ainda maior. Nesse caso é a sobrevivência humana que está em pauta. Por isso, a solução deverá vir de uma abordagem ampla que não reduza a área de ação a nenhum lugar geopolítico determinado, pois o meio ambiente, as mudanças climáticas, não reconhecem fronteiras políticas. Aqui surge uma dificuldade. Uma solução global passa pelo estabelecimento de um amplo consenso de como enfrentar a crise ambiental, o que nem sempre é fácil de ser obtido. No entanto os problemas são globais e exigem respostas no plano internacional, nenhum Estado isolado conseguirá resolvê-los. A solução só virá da união consensual de todos. Daí a importância dos fóruns internacionais, debates, discussões, infindáveis reuniões para obtenção de medidas coletivas para enfrentar o problema. Obter propostas comuns envolvendo uma grande diversidade de culturas, que apresentam pontos de vista e ideias muitas vezes completamente opostas, exige um enorme esforço e boa vontade para que se obtenha um consenso. No final deste ano a humanidade terá mais uma oportunidade de dar um salto para frente, pois ocorrerá em Paris a COP-21 (Conferência das partes) que tem como objetivo obter um acordo vinculante global sobre reduções de gases de efeito estufa, que substituirá o protocolo de Quioto que venceu em 2012 e que foi prorrogado até 2020. As discussões anteriores foram difíceis, com destaque para a de Copenhague (COP-15) em 2009 quando se tentou alcançar um novo acordo mundial, mas as negociações fracassaram. A de dezembro de 2014 (COP-21) realizada em Lima já avançou um pouco mais no sentido de que se estabeleceu um novo consenso de que os países em desenvolvimento deveriam arcar de algum modo com os custos de combate ao aquecimento global. Nesse encontro repercutiu positivamente o acordo entre EUA e China, os dois principais emissores de gases efeito estufa (GEE), e que estabeleceram metas de redução de emissões. O cenário positivo para o encontro de Paris é motivado pelo maior conhecimento científico sobre as metas para que se consiga limitar o aquecimento global em, no máximo, 2 graus Celsius, sobre a temperatura do período pré-industrial. O Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), síntese de estudos de milhares de cientistas de todo mundo, divulgado em 2013, confirmou com ainda maior clareza que o homem é responsável pelo atual aquecimento do planeta. O documento concluiu afirmando que: a principal causa do aquecimento global é a emissão de GEE pelas atividades humanas, com destaque para as emissões de gás carbônico; os mares estão se tornando mais ácidos pela absorção de gás carbônico; o gelo está em recuo acelerado na maior parte das regiões frias do mundo; o regime de chuvas, as correntes marinhas e o padrão dos ventos estão sendo perturbados, aumentando a tendência de secas e enchentes. Se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimento vai aumentar, podendo chegar a 4,8°C até 2100, com efeitos catastróficos para a humanidade. A contribuição da comunidade científica internacional está sendo decisiva para que se adotem medidas no âmbito político internacional. O passo dado pela China e EUA foi importante para que o encontro de Paris seja um sucesso. Nessa reunião será necessário que se adotem medidas concretas a serem seguidas por todas as nações, deixando de lado as propostas excessivamente endógenas e privilegiando aquelas que visam ao fortalecimento do convívio global e da perspectiva humanitária priorizando a sobrevivência de todos e das gerações futuras. *Reinaldo Dias é professor da Universidade Mackenzie Campinas. É mestre em Ciência Política, doutor em Ciências Sociais pela Unicamp e especialista em Ciências Ambientais.

29 de maio, 2015