RESÍDUOS SÓLIDOS

Nove municípios estudam modelo integrado para transformar resíduos em economia e novas receitas

Nove municípios estudam modelo integrado para transformar resíduos em economia e novas receitas

Proposta reúne alternativas jurídicas, financeiras e tecnológicas para modernizar a gestão dos resíduos sólidos urbanos e ampliar o aproveitamento de materiais e energia

Um estudo técnico sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos na Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) aponta oportunidades de redução de custos públicos, ampliação da eficiência operacional e adoção de novas tecnologias para o tratamento e a destinação dos resíduos. Elaborado pelo vice-prefeito de Jundiaí, Ricardo Benassi, em parceria com o Fórum Regional de Comércio, Indústria e Serviços de Jundiaí e Região (FORCIS), o documento propõe uma atuação integrada entre nove municípios.

O estudo “Resíduos Sólidos Urbanos na RMJ” foi concluído na última semana e já foi entregue aos prefeitos de Jundiaí, Louveira, Itupeva, Várzea Paulista, Cabreúva e Vinhedo. O material também será encaminhado aos municípios de Jarinu, Campo Limpo Paulista e Cajamar. A proposta foi apresentada à promotora de Justiça do Meio Ambiente de Jundiaí, Luciane Rodrigues Antunes.

Entre as estimativas apresentadas está o potencial de economia de mais de R$ 20 milhões por ano apenas para Jundiaí, a partir da modernização da gestão dos resíduos. Segundo o estudo, a adoção de soluções compartilhadas entre os municípios poderá ampliar os ganhos econômicos e gerar novas possibilidades de receitas, à medida que o modelo seja estruturado e aprofundado.

A Região Metropolitana de Jundiaí reúne cerca de 1 milhão de habitantes e possui um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto superior a R$ 31 bilhões. Nesse contexto, o estudo avalia que a gestão regionalizada pode contribuir para ganhos de escala, racionalização de contratos e melhor aproveitamento da infraestrutura existente.

“A ideia é apresentar também possibilidades de geração de riqueza para os municípios e, paralelamente, economia aos cofres públicos. Todos ganham: a administração pública, a população e o meio ambiente”, afirma Ricardo Benassi.

O documento é resultado de encontros técnicos realizados ao longo de 2026 pelo FORCIS, com a participação de gestores públicos, especialistas, universidades, órgãos ambientais e instituições ligadas ao setor. A partir dessas discussões, foram analisados diferentes modelos jurídicos e administrativos para a gestão compartilhada dos resíduos.

Entre as alternativas estão desde os formatos tradicionais de contratação pública até modelos de concessão regional estruturados por meio de consórcio público. O estudo também identifica possíveis fontes de financiamento e tecnologias capazes de ampliar o aproveitamento dos resíduos.

Além da destinação adequada, a proposta considera o potencial dos resíduos como fonte de materiais e energia. O levantamento avalia alternativas tecnológicas para transformar parte dos resíduos urbanos em energia, combustíveis e novos produtos, criando possibilidades de aproveitamento econômico dentro de uma lógica de economia circular.

A estratégia também prevê o aproveitamento de estruturas regionais já existentes. Um dos exemplos é o Geresol – Centro de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, unidade da Prefeitura de Jundiaí destinada ao recebimento, à triagem, à reciclagem e à destinação adequada de diferentes tipos de resíduos.

Outra possibilidade apontada é a utilização do Consórcio Intermunicipal de Ações Sustentáveis (CIAS) como estrutura capaz de incorporar os municípios interessados e iniciar uma gestão integrada em escala regional.

A proposta parte do princípio de que a cooperação entre municípios pode ampliar a capacidade de negociação, otimizar investimentos e reduzir despesas relacionadas à coleta, tratamento e destinação dos resíduos sólidos urbanos.

Para Benassi, a discussão ganha relevância diante do cenário de restrição orçamentária enfrentado pelas administrações municipais. “Cada real economizado nos contratos de resíduos sólidos urbanos é um real que pode ser redirecionado para Saúde, Educação, Mobilidade, Segurança e Qualidade de Vida da população”, destaca.

Mais do que uma estratégia para reduzir despesas, o estudo coloca a gestão regional de resíduos como uma oportunidade para estruturar um modelo de longo prazo, combinando planejamento público, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e eficiência econômica.

A proposta agora depende da avaliação individual dos municípios e do avanço das discussões técnicas e jurídicas para definir quais soluções poderão ser implementadas de forma conjunta na Região Metropolitana de Jundiaí.

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