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RESÍDUOS SÓLIDOS

Projeto no Sul transforma lixo em produtos de valor agregado

Projeto no Sul transforma lixo em produtos de valor agregado

As atividades avançam rumo à instalação de uma usina teste para processar cinco toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos no Aterro Sanitário Rincão das Flores.

Os municípios que integram a iniciativa da Universidade de Caxias do Sul que prevê a transformação de lixo em energia e em produtos de valor agregado foram apresentados em 21 de agosto ao status do projeto Resíduos Serra – RS UP. As atividades avançam rumo à instalação de uma usina teste para processar cinco toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos no Aterro Sanitário Rincão das Flores, na localidade caxiense de Apanhador. O coordenador técnico do RS UP e responsável pelo Laboratório de Energia e Bioprocessos da UCS, professor Marcelo Godinho, contou detalhes e fez um prognóstico das próximas etapas. O projeto técnico da usina, bem como a solicitação da licença de instalação (LI) junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) protocolada no dia 21 de agosto, e que segue tendo o acompanhamento da equipe técnica da UCS. A etapa vigente do projeto será finalizada com a expedição da LI da usina.

“É um projeto muito inovador e será a primeira licença de instalação para um processo de reaproveitamento térmico de resíduo sólido urbano no Rio Grande do Sul. Então, consistirá em algo muito impactante para o Estado e para o país. O projeto RS UP envolve diferentes técnicas, mas, basicamente, a nossa meta é evitar a destinação de resíduos para o Aterro. Todo o resíduo sólido urbano se transformaria em produtos, retornaria à comunidade como algo útil para a sociedade”, comenta Godinho. Participaram da reunião os representantes dos cinco municípios vinculados à fase dois do projeto Resíduos Serra – RS UP, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA-RS), o Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) da Serra Gaúcha e a UCS. Atualmente, são consorciados à iniciativa os municípios de Caxias do Sul, Flores da Cunha, Serafina Corrêa, Bom Jesus e São Marcos. Além do professor Marcelo Godinho, integram a equipe técnica do projeto os professores Gabriel Pauletti, Monica Mattia e Lademir Beal, os engenheiros Maurício Monteiro Almeron, Celso Victor Hahn e Daniel Cezario, o arquiteto Milton da Silva Becker e o químico industrial Ivan Pedro Lazzarotto.

No dia 13 de agosto, os secretários municipais de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Marcus Vínicius Caberlon, e do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Ronaldo Boniatti, foram recebidos no gabinete da reitoria para reforçar o interesse e a parceria da Prefeitura de Caxias do Sul na continuidade do projeto Resíduos Serra – RS UP. Em setembro de 2024, o acordo firmado com a UCS formalizou a cedência de espaço físico para a instalação da usina teste, que terá capacidade de processar cinco toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente, beneficiando também outros municípios. O método usado é a pirólise, processo de decomposição química que ocorre na ausência ou deficiência de oxigênio.

Em 2019 iniciou um debate em busca de alternativas sustentáveis para a disposição final dos resíduos sólidos urbanos (RSUs) em aterros sanitários. A UCS foi convidada a contribuir do ponto de vista científico e tecnológico na concepção e execução de um projeto estruturante e sustentável para a destinação final dos RSUs dos municípios da região. A pesquisa para o desenvolvimento do processo de geração de energia e produtos de valor agregado a partir de resíduos sólidos urbanos é desenvolvida pela UCS desde 2019, através do Laboratório de Energia e Bioprocessos (Lebio), do Laboratório de Análises Ambientais (Latam), da Fazenda Escola e da Agência de Inovação (UCSiNOVA).A fase inicial do projeto foi operacionalizada em março de 2022. A segunda etapa teve início em setembro de 2024 e segue até a liberação da licença de instalação pela Fepam – o que dará origem à fase três, demandando a elaboração de um plano de negócios entre as prefeituras consorciadas e a UCS, visando à implantação da usina teste.

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ARTIGO
Com tecnologias, Brasil poderia transformar mais lixo em energia

Por Francisco Oliveira * A reciclagem energética, que consiste na transformação de resíduos sólidos (inclusive os não-recicláveis e orgânicos) em fontes de energias renováveis térmica e elétrica, tem sido cada vez mais utilizada em diversos países. Neste processo, os resíduos são queimados em um forno industrial em alta temperatura, fazendo com que os gases quentes sejam aspirados para uma caldeira de recuperação, onde é produzido vapor - que aciona o gerador. Em muitos casos, substitui a energia dos derivados do petróleo e gera menos gases do efeito estufa, associados ao aquecimento global. Porém, a queima do lixo no Brasil ainda não é vista como uma prática correta e limpa, pois, em tese, libera gases poluentes durante a operação - um equívoco muito grande porque tecnologias disponíveis, já há alguns anos, permitem o controle dessas emissões atmosféricas. E, diferentemente da incineração, garante uma ação extremamente segura para o meio ambiente, durante e depois da queima. Além dessa visão deturpada quanto à prática, a falta de investimentos, sejam eles de iniciativas privadas ou parcerias público-privadas (PPP), em tecnologias para a criação dessas usinas, é algo que preocupa e atrasa o sistema de reciclagem dos resíduos, impossibilitando a obtenção de grandes ganhos ambientais e sociais e a geração de riquezas por meio de um destino muito mais nobre, em vez do envio para os lixões - uma realidade triste e muito preocupante em nosso país. Segundo dados da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), o Brasil tem potencial de gerar cerca de 3% da demanda nacional por eletricidade por meio da reciclagem energética. Mas, infelizmente, essa prática é quase inexplorada no país, fazendo com que deixemos de aproveitar uma fonte ambientalmente sustentável e praticamente permanente. Já de acordo com a Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), a tecnologia tem potencial de atrair R$ 145 bilhões em investimentos nos próximos 10 anos. As informações ainda revelam que, se uma fatia de 35% de todo o lixo descartado no País fosse destinada à geração de energia, o Brasil poderia produzir 1.300 GWh/mês. Enquanto isso, quase 2.500 usinas do tipo operam no mundo, sendo a China a maior produtora de energia térmica a partir do lixo, com 339 usinas e a Europa, com 522 em operação - a Alemanha, por exemplo, aboliu os aterros sanitários em função da reciclagem energética. As pessoas precisam entender que queimar não é destruir e, muito menos, ir contra a reciclagem. O grande desafio que enfrentamos é o equilíbrio econômico da cadeia de produtos, e o Brasil precisar agir, implementar tecnologias, investir e dar a devida atenção quanto ao descarte e destinação de resíduos. Falta conhecimento, investimento, responsabilidade ambiental e social. * Francisco Oliveira é Engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e sócio diretor da EPAL Engenheiros Associados

15 de março, 2021
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BIOGÁS
RS projeta usina de R$ 100 milhões

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, assinou um protocolo de intenções com a empresa JMalucelli Ambiental para elaboração de um projeto de biogás. A expectativa é que se instale no município de Montenegro uma usina que transforme resíduos agrossilvopastoris em biometano (35.000 m³/dia), CO2 (40 ton/dia), energia térmica e elétrica (2 MWm) e biofertilizante (4.000 ton/mês). Serão investidos R$ 100 milhões no projeto pioneiro gaúcho. Entretanto, para o governador, não cabe ao estado produzir energia, mas possibilitar que outros possam realizar investimentos para o desenvolvimento do setor. “O Estado possui grande potencial energético. Atrair investimentos para essa área é um desafio. Estamos preparados para assumir esse papel. É preciso ter convicção e olhar para frente. Modernizar o estado, ser mais eficiente e projetar o que queremos para o futuro”. O diretor da JMalucelli Ambiental, Eduardo Covas Barrionuevo, explica que o projeto está sendo estruturado há três anos. “Escolhemos Montenegro em função da central de compostagem da Ecocitrus. Além disso, toda a matéria-prima está disponível na região. São 15 atividades industriais, com cerca de 30 tipos de resíduos, que são de interesse do projeto”. O Atlas das Biomassas do Rio Grande do Sul, estudo desenvolvido em 2016, em parceria entre a Secretaria de Minas e Energia e a Sulgás, com levantamento técnico realizado pelo Centro Universitário Univates, destaca as regiões potenciais de produção de biogás e biometano no Estado. Apenas na região do Vale do Caí, o volume de biomassas agroindustriais e de dejetos de animais correspondem a aproximadamente 2 milhões de toneladas/ano. Destacam-se os dejetos de suínos e aves, como sangue, vísceras e lodos das estações de tratamento de efluentes, principalmente em Montenegro (185 mil toneladas).

9 de julho, 2018
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RESÍDUOS
CS Bioenergia obtém licença para gerar energia

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) concedeu Licença de Operação para a CS Bioenergia gerar energia elétrica a partir de resíduos orgânicos descartados por shoppings, restaurantes, supermercados, entre outros. Cerca de 300 toneladas de resíduos orgânicos descartados anteriormente em aterros e lixões serão destinados, a partir de agora, à geração de energia limpa e renovável. Com a Licença de Operação, a usina poderá aproveitar o recurso energético de resíduos sólidos urbanos e gerar energia elétrica e térmica a partir da combinação do lodo de esgoto com adição de material orgânico. Essa é a primeira usina no Brasil com essa configuração. “O lodo de esgoto com adição dos resíduos orgânicos é a perfeita combinação para geração do biogás de altíssima qualidade, que será utilizado para geração de 2,8 MW de energia elétrica e térmica, energia suficiente para atender à demanda de duas mil casas populares” afirma o diretor da Cattalini Bio Energia, sócia da CS Bioenergia, Sérgio Vidoto. O diretor conta que a tecnologia empregada separa material fibroso (inorgânico) do orgânico, que é bombeado para os tanques de biodigestão e misturado com 1.000 m3 de lodo de esgoto. Cada tanque tem capacidade de 5.000 m3 e todos são totalmente vedados, aquecidos, além de possuírem vários agitadores para fins de homogeneização. Toda a biomassa é degradada por microorganismos em um processo anaeróbio e produz biogás de altíssima qualidade. A planta é monitorada 24 horas por dia, 365 dias por ano. A boa condição de funcionamento possibilita a geração de 12 milhões de m3 de biogás, que serão convertidos em 22.400 MW de energia elétrica. A usina tem ainda como subproduto um biofertilizante inodoro de alta qualidade, que contém nutrientes importantes para aplicação na agricultura, completando o ciclo de aproveitamento de todo material orgânico. Além do biofertilizante, o material inorgânico também é aproveitado. O material inorgânico é usado como matéria-prima para produção de sacolas plásticas, fechando o ciclo dos resíduos e atuando diretamente na economia circular.

2 de março, 2018
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BIOGÁS
Geração de energia com resíduos do Ceasa-PR

A CS Bioenergia iniciou mais uma etapa de implantação de sua usina de biogás, ao receber 30 toneladas de resíduos do Ceasa (Centro de Abastecimento do Paraná S/A), um dos grandes geradores da região metropolitana de Curitiba, para comissionar o maquinário e efetuar testes preliminares de funcionamento. Os resíduos são compostos de embalagens, sacolas plásticas e em sua fração orgânica de restos alimentares, frutas, vegetais, entre outros. “A tecnologia implantada é o estado da arte em separação de resíduos sólidos, o moinho de martelo corta, tritura, diluí e separa os resíduos, o que nos permite reaproveitar o máximo da fração orgânica. Após a certificação, a usina pode receber diariamente um volume de até 200 toneladas de resíduos”, afirma Fabiana Campos, presidente da CS Bioenergia. Segundo ela, o material coletado é transportado até a usina em caminhões, que depositam os resíduos em um banker que transporta automaticamente para o moinho de martelo, que tritura e separa a fração orgânica das embalagens. Esta fração é bombeada até os biodigestores, onde é misturada ao lodo de esgoto da estação de tratamento. A massa homogeneizada é agitada através de agitadores e aquecida, O sistema de separação rotativo integrado separa e direciona a fração orgânica para os tanques de biodigestão através de bombas. O sistema integrado corta as embalagens, lava e separa para serem reaproveitados como combustível alternativo. A CS Bioenergia já opera gerando biogás a partir do lodo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém. A capacidade de geração da usina, quando estiver com capacidade máxima, é de 2,8 MW, energia suficiente para atender à demanda de duas mil casas populares. Falta apenas a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a conexão da energia na rede. “O objetivo agora é conectar a planta à rede de distribuição da Copel (Companhia Paranaense de Energia). Aguardamos somente a liberação do órgão regulador, a Aneel, o que deve acontecer em janeiro de 2018”, prevê Fabiana Campos.

19 de janeiro, 2018
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RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
IPT e Bertioga assinam projeto-piloto

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Prefeitura de Bertioga assinaram em dezembro um convênio para desenvolver projeto-piloto para auxiliar as prefeituras do estado de São Paulo a reduzirem os custos de investimentos e de operação no gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos. O projeto prevê ainda avanços tecnológicos no aproveitamento energético dos materiais e na minimização da massa e do volume destinados à disposição final. Denominado “RSU – Energia”, o projeto é resultante de uma demanda feita ao IPT pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, que visa estruturar uma plataforma de conhecimentos para apoiar os municípios na avaliação de rotas alternativas de tratamento de resíduos sólidos urbanos, levando-se em conta aspectos socioambientais e urbanos. Segundo a PNRS resíduos sólidos urbanos são aqueles originários de atividades domésticas – resíduos domiciliares - e da varrição, limpeza de vias públicas e outros serviços de limpeza urbana. O projeto-piloto em Bertioga é previsto para durar 24 meses. Os pesquisadores do IPT avaliarão o impacto dos processos de coleta seletiva, separação e pré-tratamento na eficiência das tecnologias (conteúdo energético dos resíduos), aplicar uma ou duas tecnologias em escala de demonstração em um bairro de Bertioga, estabelecer a infraestrutura (competências técnicas e laboratoriais) necessária para que o IPT possa apoiar os municípios nas decisões relativas aos resíduos e desenvolver ou adaptar novas tecnologias. “Os resíduos sólidos urbanos são uma matéria-prima complexa, pois incluem materiais heterogêneos, úmidos e variáveis em função do consumo e estações de ano. Na Baixada Santista, por exemplo, aproximadamente 54% do total coletado são materiais orgânicos”, explica Cláudia Echevenguá Teixeira, pesquisadora do Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas do IPT e coordenadora do projeto. O projeto será dividido em três etapas – Na primeira haverá a criação de um projeto de planta de avaliação/demonstração, com mapeamento das alternativas tecnológicas, definição da escala de instalação, elaboração de layout das unidades e definição de prazo e custo. A expectativa de duração é de três anos. A segunda etapa será de montagem e desenvolvimento da planta, com memorial descritivo em detalhes e contratação de fornecedores de máquinas e equipamentos que serão instalados. A segunda etapa tem previsão de 15 meses e inclui ainda a criação de um protocolo de coleta de amostras de resíduos, com mobilização e integração da população para o caso escolhido, o lançamento do programa de auxílio aos municípios, com um evento e divulgação dos mapeamentos, e a inauguração das unidades e realização de testes de monitoramento. Por último, será colocar o projeto em prática, com operação, monitoramento e avaliação da planta em Bertioga e a proposta de solução para o município. O prazo é de seis meses, totalizando dois anos de projeto.

27 de janeiro, 2016