EFEITO ESTUFA

Resíduos sólidos respondem por 4%

Resíduos sólidos respondem por 4%

Desde 2010, as emissões cresceram 23%, sendo que 65% delas são provenientes de aterros sanitários, aterros controlados e lixões.

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG, 2020), os resíduos sólidos urbanos responderam por 4% do total de emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2019, o que significa à emissão de 96 milhões de toneladas de CO2 equivalente, sendo que as usinas de recuperação energética podem evitar 48 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, segundo estudo realizado pela ABREN.

Desde 2010, as emissões cresceram 23%, sendo que 65% delas são provenientes de aterros sanitários, aterros controlados e lixões. O 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que as usinas de recuperação energética de resíduos (URE) reduzem em oito vezes as emissões de gases de efeito estufa quando comparadas com os aterros, e são a forma mais eficaz para mitigação dos gases de efeito estufa dos resíduos sólidos urbanos (RSU). Para cada tonelada de resíduo tratado em uma URE, deixa-se de emitir cerca de 1.550 kg de CO2 equivalente em relação a aterros com 20% de queima por flare de segurança.

As URE estão sujeitas a mais rigorosa legislação ambiental e são equipadas com sistemas de tratamento de gases de combustão altamente eficientes, com valores típicos de emissões entre 50% e 75% abaixo dos valores-limite impostos pela diretiva Europeia 2010/75/EU. Esta diretiva significa que há um monitoramento dos limites de emissões de mais de 20 componentes, ao passo que em plantas de combustão com capacidade térmica superior a 50 MW apenas três componentes poluentes são monitorados. A resolução SMA 79/2009 adotada pelo Estado de São Paulo utilizou esta diretiva como referência. Os aterros estão sujeitos a regulamentos mínimos de emissão de ar, apesar da emissão de mais de 170 poluentes e 46 toxinas do ar, incluindo quatro cancerígenos conhecidos e 13 prováveis.

Um estudo realizado pela Comissão Europeia indicou que a recuperação energética de 10 mil toneladas de resíduos pode criar até 40 postos de trabalho. Durante a fase de construção de usinas URE, são necessários em média de 200 a 300 trabalhadores diretos no pico da obra, que dura cerca de 36 meses. Na fase operacional, uma planta de tamanho médio pode gerar cerca de 80 a 100 empregos diretos permanentes durante 30 anos, sem considerar os indiretos. Por outro lado, para cada 10 mil toneladas de resíduos enviados a aterros, estima-se a criação de somente cerca de 10 postos de trabalho.

A implementação de UREs no Brasil permitiria a recuperação de, em média, 23 kg de metais reciclados para cada tonelada de resíduo tratado. A implantação de usinas em 28 regiões metropolitanas Brasileiras, com mais de 1 milhão de habitantes, e também nas capitais brasileiras cujos aterros sanitários se situam em área de preservação ambiental, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Vitória (ES), Belo Horizonte (BH), Curitiba (PR), Recife (PE), Teresina (PI), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Aracaju (SE) teria potencial de recuperar mais de 800 mil toneladas de metais por ano, que continuariam enterrados e perdidos, enquanto os aterros não permitem a recuperação de metais.

Artigos Relacionados

IPCC abre cadastro para especialistas atuarem na revisão de Relatório 2027
CLIMA
IPCC abre cadastro para especialistas atuarem na revisão de Relatório 2027

O processo de revisão é fundamental na preparação dos relatórios do IPCC. Ele ajuda a garantir o rigor científico, a mais ampla gama de perspectivas, além de relevância e orientação para aqueles que compilam os inventários de emissões.

5 de dezembro, 2025
Brasil define regras para o hidrogênio de baixo carbono
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Brasil define regras para o hidrogênio de baixo carbono

Regulamentação traz segurança jurídica e fortalece a indústria de baixo carbono no Brasil.

14 de novembro, 2025
Os ‘lixões’ persistem, mas aterros sanitários evoluem
ARTIGO
Os ‘lixões’ persistem, mas aterros sanitários evoluem

A busca constante por inovação e investimentos em pesquisa resultou no desenvolvimento de soluções sustentáveis

8 de janeiro, 2025
Entidades se unem para fechar todos os lixões na Paraíba
RESÍDUOS
Entidades se unem para fechar todos os lixões na Paraíba

Todos os 223 municípios da Paraíba estão livres de lixões e agora descartam seus resíduos em aterros sanitários ambientalmente adequados

14 de setembro, 2024
Sacolas plásticas são vetadas em primeira votação
SÃO PAULO
Sacolas plásticas são vetadas em primeira votação

A proposta deverá passar por votação em segundo turno em abril de 2022.

13 de dezembro, 2021
Que o meio ambiente seja comemorado todos os dias
ARTIGO
Que o meio ambiente seja comemorado todos os dias

10 de junho, 2021
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
Ecoparques: a saída para o uso inteligente de RSU no Brasil

19 de fevereiro, 2021
Saneamento Ambiental Logo
RESÍDUOS
Lançada frente pela recuperação energética

8 de junho, 2020