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BARRAGENS

ANA divulga Relatório de Segurança de Barragens 2026 e evidencia fragilidades na fiscalização

ANA divulga Relatório de Segurança de Barragens 2026 e evidencia fragilidades na fiscalização

ANA divulga Relatório de Segurança de Barragens 2026 e evidencia fragilidades críticas na fiscalização, com redução de profissionais e 213 estruturas demandando maior atenção em termos de segurança.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançou o Relatório de Segurança de Barragens (RSB) 2026, documento que consolida o panorama de segurança das estruturas hídricas brasileiras ao longo de 2025. O lançamento ocorreu em webinário realizado em Brasília e reuniu representantes de órgãos fiscalizadores, gestores públicos e especialistas no tema.

O relatório funciona como o principal instrumento de monitoramento da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), instituída pela Lei nº 12.334/2010. A política estabelece diretrizes para garantir padrões adequados de segurança nas estruturas brasileiras, priorizando a prevenção de acidentes, a proteção da vida, do meio ambiente e do patrimônio, além de contribuir para a segurança hídrica do país.

Entre os principais temas analisados no documento estão a atualização do cadastro nacional de barragens, identificação de estruturas prioritárias para acompanhamento, registro de acidentes e incidentes, atuação dos órgãos fiscalizadores e recomendações para fortalecer a gestão. O relatório também avalia a implementação de instrumentos previstos na PNSB, como Planos de Segurança de Barragem (PSB), inspeções de segurança, Revisões Periódicas de Segurança (RPSB) e Planos de Ação de Emergência (PAE).

Deficiências na estrutura de fiscalização

Um dos pontos críticos identificados é a redução de 6% no número de profissionais dedicados à segurança de barragens. A maioria dos órgãos fiscalizadores opera sem alcançar o quadro técnico mínimo recomendado para executar adequadamente suas atividades. Este diagnóstico evidencia que a implementação efetiva da PNSB depende não apenas da legislação, mas também do fortalecimento institucional dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

O relatório apontou 404 barragens como prioritárias pelos órgãos fiscalizadores. Após aplicação dos critérios padronizados da ANA, 213 estruturas foram classificadas como demandando maior atenção em termos de segurança, por apresentarem problemas de conservação ou descumprimento de requisitos da PNSB. Essas barragens estão distribuídas por 19 estados e pelo Distrito Federal.

Dados alarmantes emergem da análise: 60 dessas 213 barragens prioritárias permanecem na lista desde 2023, indicando que situações de risco seguem sem solução há pelo menos dois anos. Ainda mais preocupante, entre as 202 barragens prioritárias enquadradas na PNSB, 146 (72%) não possuem registro de elaboração do Plano de Ação de Emergência (PAE), documento obrigatório para orientar ações em situações de emergência e reduzir impactos em caso de acidentes.

Lacunas no conhecimento técnico

O relatório revela que quase metade das barragens cadastradas (48%) não possui informações técnicas suficientes para verificar seu enquadramento na PNSB. Essa fragilidade compromete o controle e a prevenção de riscos nas estruturas hídricas brasileiras.

Para especialistas que acompanham o setor, o fortalecimento dos órgãos fiscalizadores é condição indispensável para que a política de segurança cumpra seu papel preventivo. Argumenta-se que é necessário aumentar recursos estruturais e autonomia dos órgãos responsáveis em relação às empresas operadoras, possibilitando a aplicação efetiva das medidas de mitigação de riscos.

Participação das comunidades atingidas

A implementação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), instituída pela Lei nº 14.755/2023, é apontada como fundamental para equilibrar a relação entre comunidades e empreendedores. A legislação reconhece direitos das populações, cria mecanismos de reparação e garante acesso à assessoria técnica independente, retirando das empresas o poder exclusivo de definir quem é atingido. A regulamentação efetiva dessa política é essencial para fortalecer a proteção das populações e enfrentar o histórico de injustiça ambiental associado aos grandes empreendimentos hídricas brasileiros.

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Cursos de especialização em segurança

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Quase 70% têm dano potencial alto

A Agência nacional das Águas lançou o Relatório de Segurança de Barragens (RSB) 2018, onde consta que 68% das barragens submetidas à Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) apresentam Dano Potencial Associado (DPA) alto e 23% das barragens apresentam Categoria de Risco (CRI) alta. A atualização do RSB traz dados do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), informados pelos 32 órgãos nacionais e estaduais responsáveis pela fiscalização da segurança de barragens no País. Segundo o levantamento, o Brasil possui 909 barragens com DPA e CRI elevado, o que representa 19% das barragens classificadas. Em relação ao relatório anterior, houve aumento de 26% das barragens classificadas nas duas categorias: DPA alto e CRI alto. Para desenvolver o RSB 2018, a ANA recebeu informações de órgãos fiscalizadores sobre 6.577 barragens classificadas quanto ao DPA, o que representa um acréscimo de 20% em relação às 5.459 reportadas no RSB 2017. Já em relação a CRI, foram reportadas 5.086 barragens, um acréscimo de 21% em relação às 4.201 reportadas no RSB 2017. Os órgãos fiscalizadores apontaram 68 barragens como críticas contra 45, em 2017, e 25, em 2016. A maioria das barragens que preocupam os fiscalizadores de todo o País, entre órgãos estaduais e federais, têm problemas de baixo nível de conservação da estrutura da barragem. No entanto, existem outros motivos para a classificação preocupante, como insuficiência do vertedor ou ausência de empreendedor. Neste ano novamente houve aumento no número de entidades fiscalizadoras que listaram as barragens que mais as preocupam (18 fiscalizadores, contra 13 em 2017 e nove em 2016). Em relação ao RSB 2017, 25 barragens continuam preocupando os fiscalizadores e 20 foram retiradas da lista. Porém, outras 43 barragens foram incorporadas à listagem. 60% das barragens que preocupam os órgãos fiscalizadores pertencem a órgãos e entidades públicas, seja na esfera federal (18 barragens), estadual (18 barragens) ou municipal (quatro barragens). O RSB é elaborado anualmente sob coordenação da ANA. E possui em seus cadastros 17.604 barragens, das quais se sabe que 4.830 são submetidas à PNSB. O RBS 2018 abrange dados no período entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2018, logo a tragédia de Brumadinho (MG) será abordada no próximo RBS, referente a 2019.

16 de dezembro, 2019