MANANCIAIS

Cantareira opera na Faixa 2 – Atenção e tem melhoria com chuvas de setembro

Cantareira opera na Faixa 2 – Atenção e tem melhoria com chuvas de setembro

Sistema fechou setembro com 41,10% do volume útil, ante 32,99% em agosto, e a Sabesp fica autorizada a retirar até 31 m³/s em outubro; a redução da pressão noturna segue por oito horas.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) informam que o Sistema Cantareira irá operar, em outubro de 2026, na Faixa 2 - Atenção, conforme o que estabelece a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017. No período seco, que vai de 1º de junho a 30 de novembro de 2026, a solicitação das vazões a serem liberadas para as bacias PCJ é realizada por meio de comunicado dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Comitês PCJ), dirigido à SP Águas.

No último dia 30 de setembro, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo registrou 41,10% de seu volume útil, um aumento significativo em relação aos 32,99% observados em 31 de agosto, último dia útil do mês passado. Como o volume útil está na faixa entre 40% e 60% no último dia útil de setembro, a operação do Sistema em outubro de 2026 passará a ser na Faixa 2 - Atenção. Com isso, a Sabesp está autorizada a retirar do Cantareira até 31 m³/s previstos na Resolução Conjunta nº 925/2017.

Como medida de mitigação, a Sabesp poderá utilizar em outubro, além dos 31 m³/s autorizados do Sistema Cantareira, a vazão eventualmente transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitado o limite outorgado. A ANA e a SP Águas reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda no contexto dos serviços de abastecimento de água tanto para a redução do consumo de água e de perdas quanto para o estímulo ao uso racional do recurso pela população. As agências recomendam, ainda, a adoção de medidas de uso racional de água pelos demais usuários para preservar o volume de água armazenado nos reservatórios do Sistema.

O Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica decidiu pela manutenção da operação na Faixa 2 dos reservatórios de água da Grande São Paulo, com a continuação da redução da pressão noturna (GDN) pelo período de oito horas. A deliberação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e da SP Águas para o mês de outubro segue a metodologia de gestão hídrica do Estado de São Paulo. “Estamos cumprindo o previsto na Deliberação Arsesp nº 1.813/2026, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo, mantendo uma postura mais conservadora em relação ao relaxamento das medidas, mas sempre buscando o equilíbrio entre as medidas de segurança hídrica, com a preservação dos mananciais, e a prestação dos serviços à população”, explica o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues. A reservação observada no Cantareira, de 41,12%, ainda está abaixo do mínimo projetado para a situação de normalidade (41,61%).

As chuvas de setembro contribuíram para a recuperação dos mananciais e para a elevação dos níveis dos reservatórios. No Cantareira, o acumulado no mês foi de 282,5 milímetros, equivalente a 358,3% da média climatológica de 78,8 milímetros. No Sistema Integrado Metropolitano (SIM) foram registrados 353 milímetros, correspondentes a 397,1% da média de 88,9 milímetros. No Alto Tietê, a precipitação chegou a 247,1 milímetros, ou 433,1% da média histórica para o período.

Na comparação com o mesmo período de 2025, os níveis de reservação também são superiores. O SIM passou de 31,46% para 55,27%, aumento de 23,81% em relação ao ano passado. No Cantareira, o aumento foi de 12,74%, passando de 28,38% para 41,12%, enquanto o Alto Tietê passou de 25,03% para 54,29%, diferença de 29,26%.

Os volumes atuais também estão acima das projeções das curvas de contingência. No SIM, o volume registrado foi de 55,27%, frente a 33,86% projetados. No Cantareira, foram registrados 41,12%, enquanto a curva de contingência indicava 23,77%.

Para outubro, as previsões meteorológicas indicam chuvas acima da média em áreas do Estado de São Paulo, principalmente nas regiões sul, litorânea e central. “Percebemos que houve uma antecipação do período chuvoso como consequência dos efeitos do El Niño, mas também tivemos variações importantes de temperatura, com dias de calor intenso. É importante que sigamos cautelosos, monitorando a situação e protegendo nossos reservatórios, até para garantir que tenhamos uma situação mais confortável também no médio e longo prazo”, ressalta Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas. Desde o início da Gestão de Demanda Noturna, em agosto de 2025, a medida já contribuiu para uma economia estimada de mais de 209 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas.

A Gestão de Demanda Noturna é uma medida preventiva e temporária de segurança hídrica. A iniciativa consiste na redução controlada da pressão da rede de distribuição durante o período noturno, quando o consumo é menor, contribuindo para a redução das perdas de água e para a preservação dos volumes armazenados.

A medida teve início em 27 de agosto de 2025, com oito horas de duração. Em setembro daquele ano, o período foi ampliado para dez horas. Em agosto de 2026, diante da melhora das condições hidrológicas, a duração da GDN foi novamente reduzida para oito horas. A Arsesp e a SP Águas seguem acompanhando os níveis dos reservatórios, as chuvas, as vazões dos rios e os demais indicadores de segurança hídrica. As medidas são reavaliadas periodicamente pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, de acordo com os critérios técnicos e regulatórios vigentes.

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