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SANEAMENTO

Corsan, do RS, será totalmente privatizada

Corsan, do RS, será totalmente privatizada

A medida substitui a IPO de oferta de ações na Bolsa por uma venda integral da companhia.

O Governo gaúcho decidiu mudar o processo de privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). A medida substitui a IPO de oferta de ações na Bolsa por uma venda integral da companhia. A privatização da Corsan tem como objetivo garantir o cumprimento das metas do novo marco regulatório de saneamento, o que exigiria investimentos além da capacidade atual da companhia.

A mudança no processo de privatização visa atender aos prazos para os investimentos determinados pela legislação federal que estabelece o marco regulatório do saneamento – 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Em caso de interposição de recursos no âmbito do Tribunal de Contas do Estado, não mais seria possível concluir dentro das janelas de mercado pela modalidade de oferta de ações em Bolsa, que segue normativas específicas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O encaminhamento de novos esclarecimentos ao TCE, ou a interposição de recursos, não permitiria, na janela atual, até o final de julho, o lançamento da Oferta Pública, como explicou o governador Ranolfo Vieira Júnior.

“Embora o Estado tenha muita confiança em todo o processo desenvolvido até aqui, com a decisão do TCE, não conseguiríamos concretizar a privatização na janela prevista. Em razão disso, o Estado, reunindo o Conselho Diretor do Programa de Reforma e o Comitê de Governança Corporativa das Estatais, decidiu por não recorrer da decisão do Tribunal, já que um eventual recurso atrasaria o processo e passaríamos a correr concretamente o risco da não efetivação da venda ainda no ano de 2022”, afirmou Ranolfo. O secretário Extraordinário de Parcerias, Leonardo Busatto, disse ainda que haverá mais celeridade e entendimento no processo. “O processo de IPO foi um trabalho extenso, conduzido de forma profissional e séria, o que foi atestado pelo próprio TCE em uma série de relatórios. No momento de definição do valor mínimo para a venda das ações do Estado, o Tribunal, em uma discordância técnica, entendeu que deveriam ser realizados ajustes, o que não permitiria a efetivação da operação dentro da janela. O Estado optou por acatar a manifestação e remodelar o projeto, que vai passar a ser de venda integral, mais célere e com mais entendimento, como ocorreu com os outros projetos conduzidos pelo Estado, a Sulgás e a CEEE”, acrescentou.

A venda integral da Corsan pode potencializar uma maximização do preço da companhia, segundo o presidente da companhia, Roberto Barbuti “Com a remodelação, a intenção é concluir o processo de venda até o final de 2022, medida necessária para a sustentabilidade da Corsan e para a melhoria do atendimento à população”, explicou. A privatização da Corsan é necessária, pois dentro do novo marco do saneamento, serão precisos aportes de quase R$ 13 bilhões nos próximos 10 anos para garantir maior eficiência operacional e dignidade social pela oferta de serviços de saneamento.

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Governo deve ficar com cerca de 30%

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, oficializou a intenção de abrir capital e vender controle acionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), atualmente responsável pelo abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos em 317 municípios gaúchos. A privatização da Corsan tem como objetivo preparar a empresa para atender às exigências do Marco Legal do Saneamento. “Vamos buscar junto à Assembleia o apoio para percorrer rapidamente o processo legislativo que vai disciplinar a desestatização. Pretendemos fazer o IPO da Corsan, capitalizar a companhia e vender ações. O governo do Estado deixará de ser o controlador, mas vai manter posição como acionista de referência. E será como acionista que o governo do Estado continuará presente na definição dos destinos da companhia”, anunciou o governador. O novo regime jurídico da companhia será definido por conta da votação da PEC 280/19, de autoria do deputado estadual Sérgio Turra. A PEC encontra-se em tramitação na Assembleia do estado e retira a obrigação de plebiscito para privatização de estatais que ainda dependem da consulta popular (Corsan, Banrisul e Procergs). A aprovação é fundamental para que o governo dê o passo seguinte, que é propor um projeto de lei que discipline a desestatização. O Governo gaúcho pretende fazer a IPO (Oferta Pública Inicial, em inglês) com a alienação de mais de 50% do capital, inicialmente prevista para outubro, e previsão de capitalização para investimentos na empresa da ordem de R$ 1 bilhão, ou seja, recursos para investimento na própria Corsan. O objetivo, com isso, é alavancar e acelerar investimentos em saneamento no estado. O percentual que ficará com o Governo ainda será avaliado no processo de modelagem, mas deve ser em torno de 30%, o que irá garantir que o Executivo, mesmo não sendo mais o controlador da companhia, fique sendo o maior acionista individual da empresa e ajudando a tomar as decisões sobre o futuro da Corsan. “A nova Corsan que irá nascer deste processo será́ uma companhia com maior capacidade financeira para atrair R$ 10 bilhões em investimentos, que vão multiplicar obras pelo Estado nos próximos anos, gerando diretamente milhares de empregos e destravando o potencial construtivo de muitas regiões. Estas obras, certamente, irão impulsionar a construção civil e gerar outros milhares de empregos indiretamente”, destacou Leite. O governador, durante campanha de 2018, disse ser contra a privatização da Corsan, pois os contratos com os municípios poderiam perder a validade. Entretanto, a aprovação do novo Marco do Saneamento acabou com os chamados contratos de programa, firmados, sem licitação, entre municípios e empresas estaduais de saneamento. Esses acordos, atualmente, são firmados com regras de prestação de tarifação, mas sem concorrência. Com a nova lei (nº 14.026), abre-se espaço para os contratos de concessão e torna obrigatória a abertura de licitação, podendo, então, concorrer à vaga os prestadores de serviço públicos e privados. Os municípios e as concessionarias agora têm a obrigação legal de, até 2033, tratar 90% do esgoto e levar água tratada a 99% da sua população. “Muito embora tenha investido o maior valor da sua história em 2020 com um aporte de R$ 430 milhões na ampliação das suas estruturas, o fato é que a Corsan não tem capacidade financeira para dar conta destas novas exigências de universalização. Para cumprir o que determina o novo Marco Legal do Saneamento, seria necessário, no mínimo, triplicar o nível atual de investimento da Corsan”, afirmou Leite. Atualmente, apenas 32,3% da população gaúcha tem acesso a esgoto tratado. Em São Paulo, por exemplo, este percentual é de 90,3%. “Eu sei que, mesmo tendo explicado os motivos, interesses e adversários individuais irão me atacar por não cumprir com o que manifestei em 2018. Mas prefiro arcar com o prejuízo político, que é individual, é meu, do que causar enorme prejuízo ao patrimônio público e à qualidade de vida das pessoas se deixasse, diante da mudança das regras, a Corsan perder seus contratos de concessão. Acreditem: a questão mais importante agora não é sobre o que eu disse no passado. É sobre o que estamos fazendo para o futuro. E o que estamos fazendo com a Corsan é o melhor para ela, para os municípios, para as pessoas e para todo o Rio Grande”, concluiu o governador no anúncio feito por chamada de vídeo. O Diretor-presidente da Corsan, Roberto Barbuti, fez uma manifestação direcionada aos funcionários e colaboradores da companhia.“O setor está passando por uma transformação como nunca vista, o que cria um risco substancial para a companhia. Estou extremamente convencido da solidez do plano, baseado numa governança corporativa muito forte, e faremos tudo com muita transparência. Queria reforçar que é uma grande oportunidade para todos. É um momento de transformação”, afirmou Barbuti. Entre os impactos com a futura privatização da Corsan estão R$ 10 bilhões em investimentos, com universalidade de serviço de água e esgoto; Geração de empregos, dentro de um contexto de retomada econômica pós-COVID; Destravar potencial construtivo de regiões com limites de expansão, como no Litoral Norte; Suporte ao aumento do turismo em todo o Estado, com mais abastecimento e esgoto; Ganhos de sustentabilidade, na medida em que melhora a proteção de mananciais; Diminuição do impacto de futuras estiagens, com um plano de segurança hídrica; Cada R$ 1 gasto em saneamento básico economiza R$ 4 em saúde (segundo a OMS); Impacto no IDH e na competitividade, com inclusão social e redução de desigualdade e Incentivo à tecnologia e à inovação.

22 de março, 2021
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Aegea assina PPP com a Corsan

A Aegea Saneamento assinou contrato de Parceria Público-Privada (PPP) com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). O acordo sela a vitória da Aegea em leilão realizado pela companhia gaúcha em novembro de 2019. E contempla a execução de coleta e tratamento de esgoto em nove municípios da região metropolitana de Porto Alegre (RS). A Aegea irá operar na região por meio da concessionária Ambiental Metrosul. “Acreditamos que esta parceria vai contribuir de modo significativo para melhorar os índices e qualidade do serviço de saneamento na região, que ainda apresenta grandes desafios. Para a Aegea é uma satisfação fazer parte deste projeto”, afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea Saneamento. A PPP irá atender as cidades de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Eldorado do Sul, Esteio, Gravataí, Guaíba, Sapucaia do Sul e Viamão – todas localizadas na área metropolitana de Porto Alegre, onde vivem cerca de 1,7 milhão de pessoas. O contrato prevê investimentos de R$ 1,77 bilhão, sendo R$ 1,4 bilhão da Aegea, dividido em R$ 1,03 bilhão para expansão do sistema de esgoto e R$ 374 milhões para ações comerciais e operacionais. Em contrapartida, a Corsan investirá R$ 370 milhões. O Consórcio Aegea venceu o leilão ao apresentar uma proposta de tarifa em R$ 2,40 por m³ de esgoto faturado. A tarifa máxima determinada pela Corsan era R$ 3,31. Com a assinatura formal do contrato, a Ambiental Metrosul passa a acompanhar as operações da Corsan (entre os meses de abril e julho) para então ter início as demais fases da parceria – constituição formal da PPP e demais detalhes operacionais. A transferência definitiva da operação para a PPP está prevista para fevereiro de 2021.

31 de março, 2020