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LIXO

Desabamento de aterro contamina córrego e rio no Centro-Oeste

Desabamento de aterro contamina córrego e rio no Centro-Oeste

Desabamento do aterro em Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal, contaminou o córrego Santa Bárbara e em seguida o rio do Sal.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Goiás informou que o desabamento do aterro em Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal, contaminou o córrego Santa Bárbara e em seguida o rio do Sal. A secretária da pasta, Andréa Vulcanis, disse que apesar da proximidade do rio Descoberto, a contaminação não irá afetar o abastecimento público da cidade de Brasília. De acordo com a Semad, o local foi interditado e não pode mais receber resíduos.

Em nota, a empresa Aterro Sanitário Ouro Verde, responsável pelo local, lamenta o incidente ocorrido no último 18 de junho e comprometeu-se em mitigar os danos ambientais e com a preservação da área afetada, adotando todos os cuidados para evitar novos riscos. Ainda na nota, a empresa informou que não houve feridos

A secretária alerta para que todas as propriedades localizadas em volta do córrego Santa Bárbara e do rio do Sal não utilizem a água proveniente destas fontes que estão contaminadas, de acordo com os primeiros laudos. Segundo a Semad, apesar de não haver abastecimento público na bacia atingida, muitas propriedades rurais utilizam a água em criações e poços de abastecimento residenciais. A Semad informou que a pilha de lixo segue instável e que há chances de novos desabamentos atingirem o córrego. Andréa afirma que equipes da pasta seguem em campo tomando as medidas administrativas e judiciais cabíveis, além do levantamento dos danos causados e medição do risco de novos desabamentos.

A secretaria ainda alerta a população que vive nos bairros ao redor do lixão sobre o risco de transmissão de doenças. Devido à pilha de lixo aberta, vetores como insetos, urubus e ratos são atraídos ao local e depois podem ir para os bairros. A Semad e o Ministério Público de Goiás informaram que o lixão funcionava sem licença e sem os estudos ambientais exigidos por lei para a operação adequada. Segundo a nota divulgada pelo MP-GO, em 2021 foi ajuizada uma ação civil pública na Justiça Federal de Luziânia requerendo a interdição do lixão, que funcionava sem licença ambiental e dentro da área de preservação permanente. Durante o processo, foi obtida liminar suspendendo o funcionamento do lixão, que posteriormente foi cassada por decisão do Tribunal Regional Federal.

A Semad esclarece que mesmo diante de sete autos de infração e embargos administrativos, o lixão continuou operando com base em liminares concedidas pela Justiça.

No dia do desabamento, a prefeitura de Padre Bernardo emitiu uma nota informando que havia adotado as providências cabíveis, notificando os órgãos estaduais e federais para que sejam tomadas as medidas necessárias com urgência. Ainda na nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) solicitou formalmente a atuação da Semad para a fiscalização e adoção das providências legais para mitigar qualquer impacto social e ambiental decorrente do ocorrido. A prefeitura também reafirmou o compromisso com a preservação do meio ambiente e com a saúde da população, e informou ainda que seguirá cobrando soluções eficazes por parte dos responsáveis e das autoridades.

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ARTIGO
Investimento em aterros sanitários é solução viável para o fim dos lixões

Por Francisco Oliveira * Com o aumento do descarte de lixo, que nos últimos anos cresceu três vezes mais rápido que o número de habitantes, soa como retórica a importância e necessidade da implantação de aterros sanitários no Brasil. Garanto que esta é a solução mais viável e acessível para amenizar os males dos lixões a céu aberto e descartar, de forma ambientalmente correta, os resíduos. Claro que quando falamos de tratamento de lixo, a instalação de usinas de compostagem é o plano ideal para reduzir os danos ambientais inimagináveis causados pelo descarte incorreto em lixões. Mas, sabemos também que esta é uma solução que está longe da realidade financeira de muitas prefeituras. Para se ter uma ideia do atraso quanto à atenção ao caso, desde 2014 lixões a céu aberto deveriam ter sido erradicados nos municípios de todo o país, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída pelo governo federal em 2010. Porém, o prazo não foi cumprido, tendo o governo prorrogado o período limite para este ano, 2021, e cidades com mais de 100 mil habitantes têm até agosto de 2022 como prazo final. Estre grande desafio assumido pelos novos prefeitos eleitos pode ter uma solução economicamente acessível com a implantação de aterros sanitários. De acordo com um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), o Brasil necessita de aproximadamente 500 aterros sanitários para erradicar os lixões, podendo ser todos construídos com um investimento de R$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 63,40 per capita). Ainda segundo relatório da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA), os investimentos necessários para dar destinação adequada aos resíduos, em atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, demandam cerca de um terço do prejuízo anual causado pelo descarte incorreto. Para que um local seja considerado um aterro, são necessárias diversas características, tais como: possibilidade de alojamento em células especiais para vários tipos de resíduos; células para rejeitos oriundos do lixo domiciliar e hospitalar; isolamento inferior não permitindo que o chorume atinja os lençóis freáticos; isolamento superior evitando contaminação do ar e atração de animais que se alimentam dos resíduos; sistema de drenagem pluvial para evitar que a água da chuva penetre no aterro e dessa forma gere ainda mais chorume; entre outras. Ou seja, aterro sanitário é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos que possui regras e benefícios para não causar danos à saúde pública e ao meio ambiente, minimizando inúmeros impactos ambientais. Se não há capacidade para investimentos, seja com recursos públicos ou privados, a sociedade merece uma solução que seja, a curto prazo, funcional e benéfica. * Francisco Oliveira é Engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e fundador da FRAL Consultoria.

28 de janeiro, 2021
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BARRAGENS
Ibama multa Samarco em R$ 250 milhões

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17 de novembro, 2015