TERRAS INDÍGENAS

FSC cria Fundação Indígena para debater alianças sustentáveis

A Fundação Indígena (FI) é a mais nova unidade da família FSC e servirá como elo para criação de alianças multisetoriais com foco em soluções criativas e duradouras para a gestão sustentável dos territórios indígenas em todo o mundo. "Nosso objetivo é, por meio da plataforma global do FSC, que reúne 1.100 membros de mais de 90 países, representando interesses sociais, ambientais e econômicos, apoiar esforços de irmãos e irmãs indígenas a fim de aumentar o reconhecimento dos direitos dos nossos povos com proteção e uso sustentável de nossas florestas e territórios baseados nas nossas culturas e práticas tradicionais", disse Francisco Souza, do povo indígena Apurinã, da Amazônia brasileira, e diretor-executivo da fundação há seis meses. 

Para Souza, os territórios indígenas precisam ser vistos como fornecedores de soluções inovadoras para combater as mudanças climáticas e a exploração predatória dos recursos naturais. "Para conseguir isso, a Fundação Indígena quer unir força com sociedade civil, governos, empresas e entidades financeiras no apoio à luta e objetivos de autodeterminação dos povos Indígenas do Planeta", afirma. 

Entre os muitos serviços ambientais prestados pelas florestas dos povos indígenas para a sociedade estão a proteção dos estoques de carbono nos seus territórios, proteção da biodiversidade, a conservação do solo, a preservação dos ciclos da água e das chuvas e, consequentemente, a manutenção da produtividade agrícola. O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) estima que a proteção e a governança efetiva das terras indígenas podem gerar entre US$ 520 e US$ 1.160 bilhões em benefícios econômicos ao Brasil ao longo de 20 anos. "Atacar os povos indígenas é atacar os êxitos e a liderança ambiental do Brasil no mundo e, além de trazer prejuízos econômicos, pode aumentar, inclusive, o risco para o setor empresarial com a redução do acesso ao mercado internacional dos produtos brasileiros", avalia Souza. 

"O FSC sempre valorizou a importância das comunidades indígenas para a conservação das florestas", diz Aline Tristão, diretora executiva do FSC Brasil, e viabilizar formas alternativas de sustento, por meio do manejo responsável de produtos não madeireiros, permite que o modo de vida dessas populações, que naturalmente promovem a conservação ambiental, seja mantido, garante Aline. Segundo Souza, a Fundação Indígena, ao trabalhar de forma independente e respeitando as diferentes culturas, práticas tradicionais e visão holística de diferentes comunidades pode garantir a adoção do manejo florestal responsável para conservar as florestas para todos e para sempre.

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