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SANEAMENTO

Setor convive com escassez de ácido fluossilícico

Setor convive com escassez de ácido fluossilícico

A escassez de ácido fluossilícico, essencial para a fluoretação da água, afeta o setor de saneamento brasileiro devido a conflitos internacionais e à redução da produção nacional de fertilizantes.

O setor de saneamento enfrenta uma grave escassez de ácido fluossilícico, insumo utilizado no tratamento de água e na etapa de fluoretação, agravado pelos impactos da guerra envolvendo Irã e Estados Unidos sobre as cadeias de suprimentos. O confronto comprometeu a disponibilidade de matérias-primas e afetou a produção necessária para o abastecimento do mercado brasileiro. Historicamente, o ácido fluossilícico utilizado no Brasil era obtido no mercado nacional como subproduto da cadeia de produção de fertilizantes fosfatados. No entanto, a redução da produção interna a partir da paralisação da fábrica da Mosaic Fertilizantes em abril de 2026, somada às dificuldades impostas pelo atual cenário internacional, resultou em uma escassez sem precedentes do insumo.

O principal impasse que está fora do controle das empresas de saneamento é a falta de clareza sobre a capacidade de recomposição da oferta no mercado nacional e a viabilidade e os prazos para eventual complementação por meio de importações. Enquanto isso, operadores de diferentes regiões relatam que atualmente o Brasil possui apenas o estoque disponível nas empresas e nas distribuidoras, sem nova fabricação do produto, de modo que os preços já apresentam aumentos superiores a 300% e há perspectiva de escassez do produto.

Uma eventual interrupção temporária da fluoretação não compromete a qualidade, a segurança sanitária nem a potabilidade da água distribuída à população. Embora a fluoretação seja uma política pública de saúde preventiva, sua ausência temporária não afeta os padrões de qualidade da água para consumo humano. Diante da excepcionalidade da situação, é necessário que as autoridades de vigilância sanitária avaliem a concessão de isenção temporária da obrigatoriedade da fluoretação enquanto perdurar a indisponibilidade do insumo no mercado brasileiro. Adicionalmente, a redução temporária das dosagens pode ser adotada como medida de racionalização dos estoques existentes até que o abastecimento seja normalizado. A escassez do ácido fluossilícico é uma consequência imprevista da guerra entre Estados Unidos e Irã que inviabilizou a produção nacional de fertilizantes fosfatados. O setor de saneamento não deve ser penalizado por uma situação excepcional sobre a qual não tem controle.

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