Corsan antecipa em três anos obra de esgoto no bairro Passo Fundo, em Guaíba, e investe R$ 5,8 milhões

Corsan antecipa em três anos a conclusão de obra de esgotamento sanitário no bairro Passo Fundo, em Guaíba. Investimento de R$ 5,8 milhões beneficiará 2 mil famílias e reduzirá poluição no arroio Passo Fundo.
A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) entra na reta final das obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário no bairro Passo Fundo, em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O investimento de R$ 5,8 milhões estava programado para ser concluído apenas em 2029, mas a companhia antecipou o cronograma em cerca de três anos: a entrega está prevista para o fim de novembro de 2026.
O projeto contempla 8 quilômetros de redes coletoras de esgoto, 1,5 quilômetro de tubulação de recalque até a estação de tratamento e a construção de três estações elevatórias, responsáveis por bombear o esgoto das áreas mais baixas do bairro. Atualmente, as equipes concentram-se nos ajustes finais da obra, com destaque para a recomposição do pavimento da Avenida Adão Foques, etapa acompanhada tanto pela fiscalização da Corsan quanto pela prefeitura do município.
Segundo a gerente de serviços da Corsan em Guaíba, Beatriz Souza, a antecipação só foi viável por causa do entrosamento entre a companhia e a administração municipal, o que permitiu alinhar o calendário das obras de saneamento com as intervenções de infraestrutura urbana tocadas pela prefeitura. Com a conclusão, cerca de 2 mil famílias do bairro passarão a contar com rede de coleta e afastamento de esgoto, benefício que a companhia associa a ganhos de saúde pública, valorização imobiliária e redução da poluição ambiental na região.
Um problema antigo: a poluição do arroio Passo Fundo
A obra não nasce isolada. Já em 2021, vereadores de Guaíba levaram à Corsan uma demanda específica para priorizar o esgotamento sanitário na zona oeste da cidade em razão da alta presença de efluentes no arroio Passo Fundo, um dos cursos d'água historicamente mais afetados pelo lançamento de esgoto in natura no município.
Em meados de 2025, a companhia já havia detalhado uma frente de obras mais ampla voltada a esse mesmo problema: um investimento de R$ 26 milhões, com 45 quilômetros de redes e cinco estações elevatórias, estimado para beneficiar 3,8 mil famílias e equacionar o que a própria Corsan classificou como um dos maiores passivos ambientais da cidade. À época, a gerente institucional da companhia, Renata Rohde, insistia num ponto crítico para o sucesso da obra: o esgoto só deixa de poluir o arroio se as casas efetivamente se conectarem à rede nova depois de notificadas — caso contrário, o despejo continua indo para valas ou para a rede pluvial. A conclusão desse pacote mais amplo já era projetada, naquele momento, para o último trimestre de 2026, horizonte que coincide com a entrega agora anunciada para o bairro Passo Fundo.
Cobertura de esgoto avança, mas Guaíba ainda está abaixo da média estadual
O ritmo das obras recentes reflete uma mudança de patamar na cobertura de esgoto do município. Em sessão na Câmara de Vereadores de Guaíba no início de 2026, o gerente institucional da Corsan, Rogério Madrid, afirmou que até 2018 a cidade praticamente não tratava esgoto e que a companhia saiu de um índice próximo de zero para cerca de 49% de esgoto tratado em menos de sete anos, com a meta de chegar perto de 60% até 2028 e aos 90% exigidos pelo Marco Legal do Saneamento até 2033.
O avanço é expressivo frente ao histórico do município: em 2020, a Corsan contabilizava R$ 91,5 milhões investidos na implantação e ampliação do sistema de esgotamento de Guaíba, com a estação de tratamento de esgoto do município operando, na primeira etapa, com capacidade para tratar 240 litros por segundo e uma cobertura que, à época, girava em torno de 19% da população — patamar que o contrato de parceria público-privada do saneamento previa elevar para perto de 90% da área urbana ao longo de 11 anos.
Durante a mesma oitiva na Câmara, vereadores cobraram a companhia por vazamentos, falta d'água e aumento nas contas em outros pontos da cidade, e questionaram o valor da tarifa de esgoto, hoje calculada sobre 70% do consumo de água registrado no imóvel. Madrid esclareceu que esse percentual é um parâmetro técnico padrão, fixado pela agência reguladora do setor, e não um índice definido pela própria Corsan.
Metas estaduais e o salto de investimentos desde a Aegea
O ritmo de obras em Guaíba acompanha uma aceleração mais ampla na operação da Corsan desde que o Grupo Aegea assumiu a gestão da companhia, em julho de 2023. Levantamento recente mostra que, nos três anos seguintes à mudança de controle, a Corsan investiu R$ 6 bilhões em todo o Rio Grande do Sul, quadruplicando a média anual de aportes em relação ao período anterior. Nesse intervalo, a cobertura de esgoto nos municípios atendidos pela companhia passou de 19% para 30%, com a implantação de 1,1 mil quilômetros de redes coletoras, 18 novas estações de tratamento de esgoto e 116 elevatórias, beneficiando 852 mil pessoas.
Apesar do avanço, o Rio Grande do Sul ainda caminha atrás da média nacional: segundo dados do Instituto Trata Brasil referentes a 2022, apenas 36% da população gaúcha tinha acesso a coleta de esgoto, contra uma média nacional de 55% — e estados como São Paulo já superavam 90% de cobertura no mesmo período.
É nesse cenário que se inserem os R$ 5,8 milhões aplicados no bairro Passo Fundo: uma obra pontual, mas alinhada à meta corporativa de levar 99% da população dos 317 municípios atendidos pela Corsan no Rio Grande do Sul ao acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto até 2033, meta que demanda da companhia um aporte médio de R$ 1,5 bilhão por ano até o fim do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento.
Para os moradores do bairro Passo Fundo, a entrega prevista para novembro marca o fim de uma espera que, pelo cronograma original, se estenderia por mais três anos. Mas a experiência de outras obras de esgotamento no município mostra que a conclusão da infraestrutura é apenas a primeira etapa: a adesão efetiva das famílias à rede, mediante notificação da Corsan, é o que converte o investimento em redução real da poluição dos cursos d'água e em ganho de saúde pública para a população local.












