Mato Grosso do Sul avança na universalização com 36 municípios

Mato Grosso do Sul avança significativamente na universalização do esgotamento sanitário, com 36 municípios já atingindo o objetivo antes do prazo estabelecido pelo Novo Marco do Saneamento.
A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) atua em 68 dos 79 municípios do estado e avança para a universalização do esgotamento sanitário antes do prazo determinado pelo Novo Marco do Saneamento. Atualmente, Mato Grosso do Sul tem 36 municípios que já atingiram índices de universalização e várias outras estão próximas desse patamar. O abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul. No esgotamento sanitário, o avanço ocorre em parceria com a Ambiental MS Pantanal, por meio da PPP (Parceria Público-Privada), que tem papel estratégico na expansão da rede e na antecipação da meta estabelecida para o setor.
O avanço já pode ser observado em diferentes regiões. Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba aparecem com 99% de cobertura, enquanto Aral Moreira registra 98,92%; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%. Itaquiraí saltou de zero para 98% em 2026 e é um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação.
Somente na implantação do sistema de esgoto foram investidos R$ 35 milhões. Com as melhorias no abastecimento de água, o pacote da Sanesul no município chega a R$ 42,5 milhões. A nova ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) foi dimensionada para atender também ao crescimento futuro da cidade. A estrutura conta com tecnologia para controle de odores, prevê o aproveitamento de resíduos sólidos como bioinsumo e permite que a água tratada retorne ao meio ambiente dentro dos padrões de qualidade. “É uma cidade que não tinha saneamento básico e hoje chega praticamente à universalização. Isso representa saúde, bem-estar e desenvolvimento para o cidadão de Itaquiraí”, afirmou Eduardo Riedel, governo estadual reeleito.
Para o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, o avanço mostra que antecipar a universalização deixou de ser apenas uma meta e está se tornando realidade nos municípios atendidos pela companhia. “Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, destaca Marcílio. O desempenho de Mato Grosso do Sul se destaca quando comparado ao restante do país. Dados do ITB (Instituto Trata Brasil) mostram que cerca de 90 milhões de brasileiros, o equivalente a 43,3% da população, ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. O instituto coloca Mato Grosso do Sul entre os estados mais avançados do país em saneamento e aponta que a cobertura estadual está acima da média brasileira.
A evolução ocorreu de forma acelerada nas últimas décadas. Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de sul-mato-grossenses passaram a ter acesso à coleta de esgoto, enquanto cerca de 870 mil foram incorporados ao atendimento com água tratada. A presidente-executiva do ITB, Luana Pretto, que esteve recentemente em Campo Grande para detalhar os indicadores de Mato Grosso do Sul e do país, destaca que os resultados já produziram impactos econômicos expressivos. “A evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas”, afirmou.
A antecipação da universalização também deverá produzir reflexos econômicos e sociais nos próximos anos. Estudo do ITB em parceria com a EX ANTE Consultoria estima R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos para Mato Grosso do Sul até 2040. A projeção considera ganhos proporcionados pelo saneamento em diferentes áreas, como redução de despesas com saúde, aumento da produtividade, geração de renda, valorização imobiliária e fortalecimento do turismo. Somente na saúde, a economia estimada entre 2025 e 2040 é de R$ 258,8 milhões. O levantamento também projeta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária. Segundo Luana Pretto, cada R$ 1 investido em saneamento pode proporcionar R$ 5,90 em ganhos sociais no Estado.
A expansão também tem efeito direto na preservação ambiental. Com mais esgoto coletado e tratado, diminui a carga de poluentes lançada nos corpos hídricos, impacto considerado especialmente importante para a proteção do Pantanal. Com 36 municípios já universalizados e uma parcela significativa dos demais avançando para índices superiores a 90%, Mato Grosso do Sul entra na fase decisiva de um projeto colocado como prioridade pelo governo estadual.












