SANEAMENTO

FENASAN 2026 destaca tecnologias e desafios do setor

FENASAN 2026 destaca tecnologias e desafios do setor

Feira em São Paulo evidencia a busca por operações mais eficientes, novas ferramentas de gestão e investimentos para ampliar o acesso ao saneamento e aprimorar a destinação de resíduos.

A ampliação do acesso ao saneamento básico e o avanço das tecnologias aplicadas à gestão de resíduos estiveram entre os temas em destaque na FENASAN 2026, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo. Considerada o maior evento de saneamento ambiental da América Latina, a feira reuniu representantes dos setores público e privado, especialistas e empresas para discutir investimentos, desafios operacionais e soluções voltadas ao desenvolvimento do setor.

A exposição contemplou fabricantes de tubos e conexões, bombas, equipamentos de tratamento, sistemas de medição, sensores, soluções de automação, softwares, serviços de engenharia e consultoria, além de tecnologias para a gestão de água, efluentes e resíduos. Com a participação de empresas nacionais e internacionais, o evento apresentou soluções voltadas à redução das perdas de água, à eficiência energética, à manutenção preditiva, ao monitoramento remoto, ao controle de algas e à expansão da infraestrutura, entre outras demandas operacionais.

Durante o evento, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, destacou a prioridade do Governo Federal na retomada de obras essenciais de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Segundo as informações apresentadas, o Ministério das Cidades coordena R$ 64,5 bilhões em investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), distribuídos em mais de dois mil projetos em 1.597 municípios. O montante soma-se a R$ 50,8 bilhões captados por meio de debêntures incentivadas, instrumento de financiamento de projetos de infraestrutura no mercado de capitais.

A mobilização desses recursos busca viabilizar empreendimentos e ampliar a capacidade de atendimento dos serviços de saneamento. A conversão dos investimentos em melhorias efetivas para a população, entretanto, depende da execução das obras, do cumprimento dos cronogramas e da articulação entre os agentes responsáveis pelos projetos.

ECO EXPO 2026: tecnologia aplicada à gestão de resíduos

Realizada paralelamente à FENASAN, a ECO EXPO 2026 teve como foco a gestão de resíduos sólidos, a reciclagem, a limpeza pública, o saneamento urbano e a geração de energia sustentável. A programação também destacou soluções tecnológicas destinadas a aprimorar processos e ampliar o controle sobre as diferentes etapas da cadeia de resíduos.

Nesse contexto, a atuação integrada das empresas Sygecom, iSat e WasteBank evidenciou o papel da digitalização na organização do mercado da reciclagem. O conjunto de soluções abrange softwares para gestão de negócios, rastreamento de frotas utilizadas no transporte de resíduos e serviços financeiros direcionados aos catadores.

Em entrevista, Dinho Machado, CEO do Grupo Sygecom, explicou que a iniciativa surgiu da percepção, há cerca de 20 anos, da necessidade de informatizar o setor. Segundo ele, a tecnologia pode contribuir para reduzir a informalidade e melhorar as condições de trabalho de pessoas que dependem da reciclagem para gerar renda.

“Há 20 anos, o meu pai viu a necessidade de ter um aplicativo, um software para o mercado da reciclagem, que é o meio de sobrevivência para muitas famílias e precisamos capacitar profissionais e trabalhar longe da informalidade”, afirmou Machado.

A integração dessas funcionalidades aponta para mudanças na cadeia da reciclagem, marcada pela atuação de diferentes agentes e por desafios relacionados à formalização, ao acesso a serviços financeiros e à organização logística. Os sistemas digitais podem ampliar a disponibilidade de informações e facilitar o acompanhamento das operações. Seus resultados, porém, dependem da capacitação dos usuários, da qualidade dos dados e da incorporação efetiva dessas ferramentas à rotina de trabalho.

SISGR registra mais de 26,9 milhões de toneladas de resíduos rastreadas

A rastreabilidade também esteve em pauta com a apresentação dos resultados acumulados pelo Sistema de Gestão de Resíduos (SISGR) ao longo de dez anos de atuação. De acordo com os dados divulgados, a plataforma contabiliza:

  • Mais de 26,9 milhões de toneladas de resíduos rastreadas e certificadas pelo sistema;
  • Mais de R$ 2,2 bilhões em faturamento processado pela plataforma;
  • Mais de 4,5 milhões de agendamentos realizados no sistema.

Os números dão dimensão do volume de operações acompanhado pela ferramenta e ilustram a aplicação da tecnologia no gerenciamento dos fluxos de resíduos. A rastreabilidade, aliada ao processamento de dados e ao uso de inteligência artificial, pode contribuir para registrar movimentações, aprimorar controles e gerar informações para subsidiar a gestão ambiental.

O acompanhamento digital também pode facilitar a identificação das etapas operacionais, melhorar a organização dos agendamentos e ampliar a visibilidade sobre as atividades realizadas. Para que esses registros se traduzam em benefícios ambientais efetivos, entretanto, é necessário garantir a confiabilidade dos dados, a adequação dos procedimentos e a avaliação consistente dos resultados.

Gestão, infraestrutura e inovação: desafios complementares

Os temas discutidos na FENASAN 2026 e as soluções apresentadas na ECO EXPO evidenciam diferentes dimensões dos desafios do saneamento ambiental brasileiro. A universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário exige investimentos, planejamento e execução de obras. Já a gestão de resíduos demanda controle operacional, rastreabilidade e integração entre os agentes envolvidos.

Nesse cenário, a tecnologia pode apoiar a tomada de decisões, a organização logística e o monitoramento das atividades. Na cadeia da reciclagem, também pode favorecer a formalização dos negócios e ampliar a inserção dos trabalhadores em processos mais estruturados.

O avanço do setor, contudo, não depende apenas da incorporação de novas ferramentas ou da disponibilidade de recursos financeiros. A efetividade das iniciativas está relacionada à qualidade da gestão, à capacitação profissional, à transparência das informações e à capacidade de transformar investimentos e inovação em melhorias concretas e mensuráveis para a população e o meio ambiente.

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