SANEAMENTO

Corsan investe R$ 2,5 milhões para reforçar abastecimento de água em Guaporé, na Serra Gaúcha

Corsan investe R$ 2,5 milhões para reforçar abastecimento de água em Guaporé, na Serra Gaúcha

Corsan investe R$ 2,5 milhões em Guaporé para ampliar capacidade de tratamento de água em 30% com nova ETA e bombas anfíbias, reforçando segurança operacional frente a enchentes.

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) está instalando uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA) em Guaporé, na Serra Gaúcha, dentro de um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 2,5 milhões voltado à ampliação e à segurança operacional do sistema de abastecimento do município. Partes da nova estrutura começaram a chegar à cidade na semana anterior ao anúncio, e a companhia prevê que a unidade entre em operação até o final de dezembro.

Isoladamente, a nova ETA representa um investimento de cerca de R$ 1 milhão e terá capacidade para tratar até 30 litros de água por segundo. Somada aos 100 litros por segundo já tratados pela estação convencional existente no município, a capacidade total de produção poderá chegar a 130 litros por segundo — um incremento de até 30% na capacidade de tratamento de água de Guaporé.

"Essa medida faz parte do planejamento da Corsan para ampliar a capacidade de produção de água e dar mais segurança operacional ao sistema de Guaporé. Estamos trabalhando em soluções estruturantes para reforçar o abastecimento e atender cada vez melhor a população", afirmou a diretora executiva da companhia, Maraísa Mendonça.

Além da nova estação, o pacote de R$ 2,5 milhões inclui a aquisição e instalação de bombas anfíbias na captação de água do Rio Carreiro — equipamentos capazes de operar tanto submersos quanto fora da água, o que amplia a flexibilidade operacional do sistema, especialmente em períodos de chuva intensa. Também estão previstos 450 metros de tubulação com 150 milímetros de diâmetro e 340 metros com 100 milímetros, destinados a reforçar o abastecimento nos bairros Conceição e São José.

Captação do Rio Carreiro tem histórico recente de vulnerabilidade a enchentes

O investimento em bombas anfíbias ganha relevância diante do histórico recente de instabilidade na captação de água do Rio Carreiro, manancial que abastece a maior parte de Guaporé. Em 19 de outubro, dias após a chegada dos equipamentos da nova ETA ao município, a Corsan precisou mobilizar uma força-tarefa depois que um alagamento atingiu as bombas de captação, paralisando temporariamente o sistema e provocando oscilações de pressão e interrupções no abastecimento em diferentes pontos da cidade. Para amenizar os efeitos sobre a população, a companhia enviou caminhões-pipa com um volume inicial de 100 mil litros de água aos reservatórios do município.

O episódio não foi isolado. Em julho de 2026, Guaporé já havia figurado entre os nove municípios gaúchos com impacto no fornecimento de água durante um ciclo de fortes chuvas que atingiu mais de 200 cidades do Estado, com elevação de rios, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica afetando diretamente a captação de água bruta. Pouco depois, em setembro, a Corsan já havia investido R$ 150 mil na instalação de um dispositivo na tubulação de captação do Rio Carreiro especificamente para agilizar a limpeza em casos de eventos extremos e proteger os equipamentos de bombeamento. A sequência de intervenções mostra que o reforço do sistema de Guaporé vem sendo tratado pela concessionária como prioridade diante da recorrência de cheias que comprometem a operação.

Cobertura de água em Guaporé supera médias estadual e nacional

Guaporé tem população estimada em 25.523 habitantes, segundo levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa) de 2025, distribuídos entre 23.292 moradores na área urbana e 2.231 na zona rural. De acordo com dados do mesmo sistema, compilados pelo Instituto Trata Brasil, 91,3% da população do município tem acesso aos serviços de abastecimento de água, índice superior à média do Rio Grande do Sul, de 86,4%, e à média nacional, de 83,1%. A rede geral de distribuição atende 92,1% dos moradores, enquanto um pequeno contingente de sete habitantes ainda depende de baldes ou outros recursos alternativos para se abastecer.

O município integra a faixa populacional de 20 mil a 75 mil habitantes no Plano Regional de Água e Esgoto (PRAE) elaborado pela Corsan, instrumento que estabelece metas de cobertura por porte de cidade para o cumprimento do Marco Legal do Saneamento. Guaporé também possui plano municipal de saneamento próprio, instituído por lei específica em 2017, com previsão de ações de abastecimento, emergência e contingência — moldura legal que dialoga diretamente com o tipo de investimento agora anunciado para a captação do Rio Carreiro.

Parte de um ciclo de investimentos maior após a privatização

A obra em Guaporé se insere num movimento mais amplo de aceleração de investimentos da Corsan desde que a companhia passou ao controle do grupo Aegea, em julho de 2023, após leilão de privatização arrematado por R$ 4,151 bilhões. Na ocasião, foram anunciados planos de aportar mais de R$ 15 bilhões em dez anos nos 317 municípios atendidos pela companhia no Rio Grande do Sul, beneficiando cerca de 6 milhões de pessoas.

Um balanço divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) em agosto de 2025, dois anos após a privatização, apontou que a vazão total tratada pela Corsan no Estado havia aumentado 30% no período — percentual coincidente com o ganho de capacidade agora projetado especificamente para Guaporé. No mesmo balanço, o atendimento de esgotamento sanitário no Estado avançou de 20% para 28% dos domicílios, com a entrega de 11 novas Estações de Tratamento de Esgoto, três novas ETAs e a implantação de 1.129 quilômetros de redes de água e esgoto.

O ritmo de obras, no entanto, também tem gerado atritos entre a concessionária e poderes públicos municipais em diferentes pontos do Estado. Em Encantado, por exemplo, o Ministério Público chegou a recomendar a suspensão do contrato de esgoto após falhas reiteradas na prestação do serviço, e prefeituras de diversas regiões intensificaram a fiscalização sobre a Aegea desde a privatização, com centenas de processos administrativos abertos nos últimos dois anos. A companhia, por sua vez, reforça estar conduzindo o que descreve como o maior plano de investimentos da história do saneamento gaúcho, hoje orçado em cerca de R$ 15 bilhões até 2033 — valor que inclui o conjunto de obras agora direcionado a Guaporé.

Pelo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020), prestadoras de água e esgoto do país têm até 2033 para universalizar o acesso à água potável, com meta de cobertura de 99%, e à coleta e tratamento de esgoto, com meta de 90%. No Rio Grande do Sul, o cumprimento desses índices é fiscalizado pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs), responsável por acompanhar a execução do contrato de concessão assinado com a Aegea.

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