SANEAMENTO

Jundiaí toca R$ 59 milhões em obras de água e esgoto para fechar o último trecho da universalização

Jundiaí toca R$ 59 milhões em obras de água e esgoto para fechar o último trecho da universalização

Jundiaí investe R$ 59 milhões em obras de água e esgoto para concluir a universalização dos serviços, beneficiando 27 mil famílias com novas redes e reservatórios.

A DAE Jundiaí, empresa municipal responsável pelos serviços de água e esgoto de Jundiaí (SP), mantém em execução simultânea um pacote de obras que soma mais de R$ 59 milhões e deve beneficiar cerca de 27 mil famílias. As frentes somam mais de 30 quilômetros de novas redes de água e esgoto e incluem uma adutora de 6,9 quilômetros na região sul, redes coletoras em bairros que ainda dependem de fossas e a construção de novos reservatórios. O balanço foi divulgado em 18 de setembro, pouco mais de duas semanas depois de a companhia anunciar que o município atingiu os indicadores de universalização previstos no Marco Legal do Saneamento.

Segundo o Relatório Anual de Sustentabilidade 2025 da DAE, publicado em 1º de setembro, Jundiaí encerrou 2025 com 99,14% de cobertura de água tratada e 97,09% de coleta e afastamento de esgoto, ante 98,57% e 96,56% em 2024. Os índices seguem a metodologia do SINISA, sistema oficial do Ministério das Cidades, e colocam o município acima das metas de 99% para água e 90% para esgoto fixadas pela Lei 14.026/2020 para 2033. A antecipação, pelas contas da DAE, é de oito anos.

O salto recente se concentrou na zona rural. Em 2024, 64,41% da população rural de Jundiaí tinha acesso à rede de água; no fim de 2025, eram 81,06%. Na coleta e afastamento de esgoto, a cobertura rural passou de 44,09% para 71,56% no mesmo período. É justamente nessas áreas, de ocupação dispersa e historicamente atendidas por poços e fossas, que estão as obras mais caras por domicílio.

O caso mais evidente é o sistema de esgotamento dos bairros Traviú e Poste, a maior intervenção de esgoto em curso na cidade. A obra soma R$ 16,6 milhões e 14,3 quilômetros de interceptores, redes coletoras e uma linha de recalque no Traviú, para atender cerca de 350 famílias. O investimento equivale a aproximadamente R$ 47 mil por família, patamar muito superior ao de redes em áreas urbanas consolidadas. As obras começaram em outubro de 2025 e foram divididas em etapas: o Loteamento Retentém foi entregue em junho, com 4,8 quilômetros de rede e interceptor atendendo 151 famílias; o trecho do Poste deve ser concluído até dezembro de 2026, e o sistema completo, incluindo o Traviú, até dezembro de 2027.

No Vale dos Cebrantes, a DAE entregou em maio 5,7 quilômetros de redes coletoras de esgoto, com investimento de R$ 2,1 milhões, para cerca de 150 famílias que antes usavam fossas sépticas. A segunda etapa, em execução, prevê 4,2 quilômetros de rede de água, com R$ 2,2 milhões em recursos e mão de obra próprios, para mais de 200 famílias. A conclusão está prevista para dezembro, quando o bairro passará a ter atendimento completo de água e esgoto.

O pacote inclui ainda a implantação de rede de esgoto no Loteamento Fumachi, que já recebeu as redes de água, uma nova rede coletora no Jardim Aeroporto e o remanejamento de adutoras e redes de esgoto no Medeiros. A companhia não detalhou os valores dessas três frentes. Em 14 de setembro, a DAE concluiu uma extensão menor no Ivoturucaia: 530 metros de rede de água na avenida José Mezzalira, com R$ 119 mil, para cerca de 50 famílias.

A principal obra de abastecimento do pacote é a Adutora do Castanho, com 6,9 quilômetros em ferro fundido e PEAD, trechos de 500 e 300 milímetros de diâmetro, ligando a região do Jardim do Lago a Santa Gertrudes. A estrutura deve reforçar o abastecimento de cerca de 6.500 famílias da região sul, com investimento atual de R$ 18,2 milhões e entrega prevista para fevereiro de 2027.

Os números da adutora variaram ao longo do processo. Em maio de 2025, ainda em licitação, a obra tinha custo estimado em R$ 16,3 milhões, com recursos federais e a Caixa como agente financeiro, e prazo de execução de 12 meses. Na ordem de início, em novembro de 2025, o investimento informado era de R$ 12,7 milhões, com recursos próprios e do PAC, e a conclusão estava prevista para o segundo semestre de 2026. A DAE não explicou publicamente a revisão para R$ 18,2 milhões nem o adiamento.

Somadas, as três obras com valores divulgados (Castanho, Traviú e Poste e a rede de água do Cebrantes) totalizam R$ 37 milhões, cerca de 63% do pacote, e atendem pouco mais de 7 mil famílias. Os demais R$ 22 milhões se distribuem entre as frentes sem valor individual informado e as estruturas de reservação. Em maio, a DAE havia apresentado um recorte mais amplo, de obras realizadas e previstas entre 2025 e 2027, que somava mais de R$ 114 milhões, 116 quilômetros de intervenções em redes e 15 mil famílias beneficiadas.

Paralelamente à expansão das redes, a companhia constrói um reservatório de 5 milhões de litros no Jardim Planalto e planeja novas unidades no Medeiros e no Eloy Chaves, bairros de crescimento acelerado nos últimos anos. Hoje o sistema opera 60 reservatórios de água tratada, com volume total de 85 milhões de litros, e conta com represa de acumulação com capacidade para 9,3 bilhões de litros. A DAE também prevê a implantação de uma usina fotovoltaica para reduzir custos operacionais.

“Estamos trabalhando simultaneamente em diferentes regiões, ampliando redes e investindo em estruturas que trazem mais segurança para o abastecimento. Jundiaí cresceu e nossa infraestrutura precisa acompanhar esse desenvolvimento”, afirma o diretor-presidente da DAE Jundiaí, Daniel Bocalão.

No Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil, com dados de 2024, Jundiaí ficou em 20º lugar entre os 100 municípios mais populosos do país, liderados por Franca (SP). No recorte de cidades com até 500 mil habitantes, aparece em 11º no Brasil e em 5º no Estado de São Paulo. A própria DAE tem tratado o resultado com cautela, em razão da mudança metodológica do SINISA, que passou a contabilizar apenas domicílios efetivamente conectados às redes públicas.

O prefeito Gustavo Martinelli estabeleceu como meta levar os serviços a todas as regiões do município até 2028. Com as áreas urbanas praticamente atendidas, o avanço daqui em diante depende das obras de periferia rural, onde cada ponto percentual de cobertura custa mais caro.

Artigos Relacionados