SANEAMENTO

Copasa conclui obra de R$ 24 milhões e blinda interceptor que leva 60% do esgoto de Montes Claros para tratamento

Copasa conclui obra de R$ 24 milhões em Montes Claros, implantando novo interceptor de esgoto que garante segurança operacional e evita contaminação ambiental. Tecnologia subterrânea preserva mobilidade urbana.

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A Copasa concluiu a implantação de um novo interceptor de esgoto na margem direita do córrego Vieira, em Montes Claros, no Norte de Minas, encerrando um problema estrutural que já havia provocado rompimentos, erosões e interdições de via na região nos últimos anos. A obra, orçada em R$ 24 milhões, fica próxima ao cruzamento das avenidas Deputado Esteves Rodrigues e Sidney Chaves, no bairro Vila Regina, e tem papel estratégico para o funcionamento do sistema de esgotamento sanitário da cidade.

A estrutura é responsável por redirecionar cerca de 60% de todo o esgoto coletado no município até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vieira. Qualquer falha nesse trecho compromete diretamente a operação da estação e eleva o risco de contaminação do córrego e de áreas urbanas vizinhas.

Tecnologia subterrânea evita abertura de valas

Para executar a obra sem interromper o trânsito nas avenidas do entorno, a Copasa utilizou o Método Não Destrutivo (MND), com a tecnologia TunnelLiner de 1.800 mm e tubo condutor em polietileno de alta densidade (PEAD) de 1.200 mm. A técnica permitiu instalar 1.160 metros de tubulação de grande porte por via subterrânea, sem necessidade de escavação a céu aberto — solução que reduz o tempo de obra, preserva a mobilidade urbana e minimiza o impacto ambiental na faixa do córrego.

O gerente de Expansão Norte e Leste da Copasa, Raul César Durães, destacou o resultado da intervenção. "As intervenções promoveram a segurança e a eficiência operacionais, evitando a ocorrência de extravasamentos de efluentes, erosões e novos rompimentos, o que contribui diretamente para a preservação do meio ambiente, o bem-estar e a qualidade de vida da comunidade local", afirmou.

Um problema que se arrasta desde rompimentos anteriores

A obra agora concluída tem origem em uma sequência de falhas no mesmo ponto do sistema. Em fevereiro de um ano anterior, fortes chuvas provocaram a ruptura do interceptor existente, causando um processo erosivo na avenida Sidney Chaves e a interdição parcial da via. Durante os reparos emergenciais feitos na época, a Copasa identificou um novo trecho com integridade estrutural comprometida, agravado pelo tráfego de veículos pesados sobre a tubulação, o que levou a companhia a abrir um processo licitatório para substituir definitivamente a estrutura por um novo interceptor de 1.160 metros.

As obras desse novo trecho foram iniciadas com um investimento inicialmente estimado em R$ 20 milhões e previsão de conclusão em dezembro daquele ano. O valor final apurado na entrega, de R$ 24 milhões, reflete o custo real do empreendimento após o avanço dos trabalhos subterrâneos ao longo de toda a extensão projetada.

Parte de um ciclo maior de investimentos em Montes Claros

A entrega do interceptor do córrego Vieira integra um conjunto mais amplo de investimentos da Copasa na cidade. Em 2024 e 2025, a companhia já havia concluído a instalação de outro interceptor sanitário, na margem esquerda do córrego das Melancias, no bairro Esplanada, com aporte de R$ 3,7 milhões, também direcionado a levar efluentes até a ETE Vieira e prevenir a contaminação da Lagoa do Interlagos. No mesmo período, a Copasa executou obras de R$ 8,4 milhões para melhorar a eficiência do tratamento na própria ETE Vieira.

Somados, os investimentos da Copasa em Montes Claros para o biênio 2024-2025 foram estimados em mais de R$ 118 milhões, sendo R$ 56,3 milhões direcionados ao sistema de esgotamento sanitário e R$ 62,1 milhões ao abastecimento de água. Entre 2022 e 2024, a companhia já havia aplicado outros R$ 34 milhões na implantação de adutoras, redes de água e esgoto e reposição de ativos no município.

Cobertura de água e esgoto entre as mais altas do país

Montes Claros, com cerca de 415 mil habitantes, é atendida pela Copasa desde a década de 1970 e figura entre as 20 melhores cidades do país no Ranking do Saneamento Básico das 100 maiores cidades, elaborado com base nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e divulgado anualmente pelo governo federal. Em audiência pública realizada em junho na Câmara Municipal para discutir a prestação dos serviços, o gerente regional da Copasa, Rômulo de Souza Lima, apresentou índices de cobertura de 99,92% em abastecimento de água e 99,52% em esgotamento tratado nos imóveis do município — patamares que superam a meta definida pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê acesso universal à água (99% da população) e ao esgotamento até 2033. Apesar dos números, vereadores presentes ao encontro cobraram da concessionária melhorias na qualidade do serviço prestado à população.

O atendimento em Montes Claros é regido por contrato de concessão de 30 anos firmado entre a Copasa e a Prefeitura em julho de 2018, que prevê investimentos da ordem de R$ 700 milhões ao longo da vigência do acordo para expansão e modernização dos sistemas de água e esgoto no município.

Uso indevido da rede agrava risco de novos rompimentos

A Copasa voltou a alertar a população sobre práticas que colocam em risco a integridade de estruturas como o interceptor do córrego Vieira. A rede coletora de esgoto foi projetada exclusivamente para transportar dejetos domésticos, mas ligações clandestinas de calhas e rufos residenciais, somadas ao descarte de lixo em vasos sanitários e pias, sobrecarregam o sistema — sobretudo em dias de chuva intensa, quando o volume de água pluvial que entra na rede aumenta de forma abrupta e eleva a pressão sobre as tubulações, podendo comprometer até os processos de tratamento na ETE.

O direcionamento de água de chuva para a rede de esgoto é proibido por lei e sujeito a fiscalização e multa. A companhia reforça que a manutenção da integridade de estruturas como o interceptor do córrego Vieira depende tanto dos investimentos em infraestrutura quanto do comportamento adequado dos usuários conectados à rede.

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