Sanepar investe R$ 8,4 milhões e amplia em 40% a produção de água em Lupionópolis

Sanepar investe R$ 8,4 milhões em Lupionópolis e amplia em 40% a capacidade de produção de água tratada do município. A obra integra pacote de R$ 755,3 milhões do Novo PAC destinado a 18 projetos de abastecimento.
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está executando em Lupionópolis, no noroeste do estado, uma obra de R$ 8,4 milhões que deve elevar em 40% a capacidade de produção de água tratada do município. O projeto prevê a implantação de 7 quilômetros de novas tubulações e, na etapa atual, as equipes da companhia trabalham na interligação das redes recém-construídas ao sistema de abastecimento já existente.
Lupionópolis é um município de pequeno porte do noroeste paranaense, com pouco mais de 4,9 mil habitantes segundo o Censo do IBGE de 2020. O abastecimento de água da cidade é de responsabilidade da Sanepar desde que a companhia assumiu a prestação dos serviços na região, dentro do modelo estadual que concentra a operação de água e esgoto em praticamente todo o Paraná sob uma única concessionária.
Obra integra pacote de investimentos habilitado pelo Novo PAC
O reforço no sistema de produção de água de Lupionópolis não é uma ação isolada. O município está entre os contemplados por uma habilitação do Ministério das Cidades, divulgada em agosto deste ano, que liberou R$ 755,3 milhões em crédito do FGTS, via Novo PAC, para financiar obras de abastecimento de água em 18 projetos espalhados por estados como Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia e São Paulo. O Paraná concentrou o maior número de iniciativas aprovadas na rodada, todas sob responsabilidade da Sanepar: ao todo, treze propostas de municípios paranaenses foram habilitadas, incluindo, além de Lupionópolis, cidades como Mandaguaçu, Mallet, Santo Antônio do Sudoeste, Francisco Beltrão, Rolândia e Itaperuçu.
Nessa habilitação, o valor destinado especificamente a Lupionópolis foi registrado em pouco mais de R$ 7,2 milhões, de acordo com a documentação oficial do programa. A diferença para os R$ 8,4 milhões anunciados agora pela Sanepar como investimento total da obra é compatível com o formato usual desse tipo de financiamento, em que o crédito do FGTS cobre parte do empreendimento e o restante é aportado com recursos próprios da companhia, somado a custos de projeto, mão de obra e materiais que entram na conta final da intervenção.
Esse tipo de operação, abrangendo desde a captação até a estação de tratamento, poços, adutoras e estações elevatórias, tem sido a porta de entrada do Novo PAC para destravar obras de segurança hídrica em municípios menores do estado, que normalmente têm menor capacidade de investimento isolado e dependem do planejamento centralizado da Sanepar para ampliar sua infraestrutura.
Um padrão de investimentos em cidades pequenas
A obra de Lupionópolis se soma a uma série de intervenções recentes da Sanepar em municípios de pequeno e médio porte do Paraná voltadas a reforçar a produção de água. Em Cornélio Procópio, a companhia está investindo R$ 8,8 milhões na perfuração de um poço de alta capacidade no Aquífero Guarani, com profundidade estimada em 870 metros, e no remanejamento de uma adutora de água bruta. Em Toledo, no oeste do estado, a Sanepar implantou uma rede adutora de 5,5 quilômetros para transportar água de um novo poço até o centro de reservação da cidade. Na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, um novo reservatório praticamente dobrou a capacidade de armazenamento local após reclamações de moradores sobre instabilidade no fornecimento.
Esses investimentos pontuais convivem com projetos de maior envergadura, como o Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP), orçado em até R$ 2 bilhões e que vai beneficiar mais de 1,4 milhão de moradores em municípios como Apucarana, Arapongas, Rolândia e, em etapas futuras, Londrina e Cambé. A obra de Lupionópolis é de escala bem mais modesta, mas segue a mesma lógica de ampliar a capacidade de produção para acompanhar a demanda e reduzir riscos de desabastecimento.
Cobertura de água e desafio do esgoto no município
O abastecimento de água em Lupionópolis já é praticamente universalizado: dados consolidados a partir de informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) repassadas pela Sanepar indicam que a totalidade da população do município tem acesso aos serviços de abastecimento, a maior parte por rede geral de distribuição. Esse quadro é condizente com o desempenho da companhia no restante do estado: segundo a Sanepar, 100% da população atendida pela empresa em seus mais de 345 municípios paranaenses tem acesso à água tratada, índice que coloca o Paraná entre os estados de referência nacional em universalização do abastecimento, à frente da média brasileira apurada pelo Instituto Trata Brasil.
A situação do esgotamento sanitário no município, no entanto, aparece historicamente mais defasada nas bases de dados do setor, que indicavam cobertura de rede coletora bem inferior à de água em levantamentos anteriores — um padrão recorrente em pequenos municípios do interior, inclusive dentro da área de atuação da Sanepar, que no conjunto do estado atende cerca de 81% da população com coleta de esgoto, tratando 100% do volume coletado. A diferença entre os dois indicadores reforça por que os investimentos da companhia têm priorizado, em paralelo às obras de água, a expansão das redes coletoras como meta para cumprir o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), que estabelece a universalização do acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Entre 2019 e 2024, a Sanepar aplicou R$ 8,8 bilhões em investimentos nos sistemas de água e esgoto dos municípios paranaenses, segundo balanço da própria companhia, consolidando um ciclo de obras que inclui desde grandes sistemas regionais até intervenções pontuais como a de Lupionópolis — essenciais para garantir segurança hídrica em cidades de menor porte, que dependem diretamente desse tipo de reforço estrutural para acompanhar o crescimento populacional e reduzir a vulnerabilidade a episódios de escassez.
Próximos passos da obra
Com a fase de interligação das novas redes em curso, a expectativa é que o ganho de 40% na capacidade de produção de água passe a se refletir integralmente no abastecimento assim que as conexões ao sistema existente forem concluídas e testadas. A Sanepar não detalhou publicamente prazo de conclusão da obra nem a tecnologia específica empregada na ampliação — se via novo poço, nova unidade de tratamento ou reforço da capacidade de bombeamento —, mas o volume de tubulação implantado, 7 quilômetros, indica um esforço comparável a outras intervenções de médio porte realizadas recentemente pela companhia em municípios de perfil semelhante no interior do Paraná.












