Corsan entrega ETE de R$ 3,6 milhões em Iraí e eleva investimentos no município a R$ 9,6 milhões em 2026

Corsan entrega nova Estação de Tratamento de Esgoto em Iraí com investimento de R$ 3,6 milhões. A estrutura tratará 864 mil litros de esgoto por dia e beneficiará cerca de 800 imóveis no município.
A Corsan entregou, na manhã desta quarta-feira (28), a nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Iraí, no norte do Rio Grande do Sul. A unidade, construída na Rua Rodolfo Gerlach, 881, no bairro Vila Militar, tem capacidade para tratar 10 litros de esgoto por segundo — o equivalente a 864 mil litros por dia — e vai atender inicialmente cerca de 800 imóveis do município.
O investimento na estação foi de R$ 3,6 milhões. Somando as redes coletoras e as demais estruturas implantadas no sistema de esgotamento sanitário local, os aportes da Corsan em Iraí já ultrapassam R$ 9,6 milhões apenas em 2026, segundo a companhia.
Antes da nova ETE, Iraí contava apenas com uma estrutura de afastamento de esgoto sem tratamento adequado. A substituição por um sistema de tratamento completo é apontada pela concessionária e pela administração municipal como um marco para a saúde pública e para a vocação turística da cidade, conhecida por suas águas termais.
Cidade das águas termais ganha tratamento de esgoto
Iraí é um dos principais destinos turísticos do interior gaúcho ligados ao turismo de águas termais, integrando a Rota das Águas e Pedras. O Balneário Osvaldo Cruz, cartão-postal do município, reúne fontes de água mineral termal que já receberam reconhecimento internacional em exposição realizada em Sevilha, na Espanha, na década de 1930, e atraem visitantes de diferentes regiões do país em busca de tratamentos terapêuticos.
Para o gerente de Operação da Microrregional de Frederico Westphalen da Corsan, Joziano da Cruz, o investimento em esgotamento sanitário tem relação direta com a preservação dessas fontes e com a atividade econômica que elas sustentam. Segundo ele, a estrutura contribui para valorizar as características turísticas da cidade e promover um ambiente mais saudável para moradores e visitantes.
O vice-prefeito de Iraí, Lucas Balestrin, reforçou o caráter estratégico da obra para um município cuja economia depende da qualidade ambiental de seus recursos hídricos. Segundo ele, a cidade tinha uma estrutura de afastamento de esgoto considerada primitiva e ineficiente, e a nova ETE representa um passo importante para a preservação ambiental, a saúde das pessoas e o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento.
De acordo com apuração do jornal O Alto Uruguai, a continuidade das obras de esgotamento sanitário em Iraí já está prevista para o segundo semestre de 2027, dando sequência à ampliação gradual do sistema conforme o cronograma da Corsan e as metas do marco regulatório do setor.
Contexto: Corsan amplia ritmo de obras após privatização
A entrega de Iraí integra um movimento mais amplo de expansão do esgotamento sanitário no Rio Grande do Sul, estado que historicamente apresenta uma das piores coberturas de coleta e tratamento de esgoto do país. Desde que o Grupo Aegea assumiu a gestão da Corsan, em julho de 2023, a companhia afirma estar executando o maior plano de investimentos em saneamento de sua história, com a meta de elevar a cobertura de esgoto nos 317 municípios atendidos dos atuais patamares para 90% até 2033, prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020).
Segundo balanço divulgado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema-RS), dois anos após a privatização o atendimento de esgotamento sanitário no estado saltou de 20% para 28% dos domicílios, um avanço de 33% que representa 284 mil novos imóveis conectados ou com ligação disponível, beneficiando 852 mil pessoas. Em julho de 2026, a diretora-presidente da Corsan, Samanta Takimi, informou que o índice de esgoto atendido já havia avançado de 19% para 30% em três anos de gestão privada, com a companhia acumulando quase R$ 6 bilhões em aportes desde 2023 — ante uma média histórica anual de cerca de R$ 499 milhões no período anterior à privatização.
O plano estadual prevê R$ 15 bilhões em investimentos até 2033, com a implantação de 18 mil quilômetros de novas redes coletoras, mais de 300 novas estações de tratamento de esgoto e 3,1 mil estações elevatórias, visando conectar 2,2 milhões de residências e beneficiar cerca de 5,4 milhões de gaúchos. Projeções do Instituto Trata Brasil citadas pelo governo estadual estimam que esse ciclo de obras pode gerar 47,2 mil empregos anuais e ganhos sociais de R$ 40,7 bilhões até 2040.
Casos como o de São Borja, na Fronteira Oeste, ilustram o ritmo das entregas: a cobertura de esgoto no município passou de 21,53% em 2023 para 49,08% no primeiro trimestre de 2026, com a implantação de 56,4 quilômetros de novas redes. Já em Barra do Quaraí, a Corsan instalou a primeira ETE do modelo SCOTTE no Rio Grande do Sul, parte das ações que devem levar o município à universalização do esgotamento sanitário em 2027. Para 2026, a companhia projeta investir R$ 1,6 bilhão no estado, com a implantação de 1.741 quilômetros de redes de esgoto e mais de 155 mil novas ligações previstas no ciclo de obras do ano.
A nova ETE de Iraí se soma a esse conjunto de entregas regionais e caminha na direção do que o próprio setor reconhece como desafio histórico: reverter décadas de déficit de investimento em esgotamento sanitário num dos estados com pior desempenho do país nesse indicador, dentro do prazo apertado imposto pelo Marco Legal do Saneamento.












