SANEAMENTO

Sabesp dobra produção de água em Embu-Guaçu com investimento de R$ 16,5 milhões em tecnologia de membranas

Sabesp dobra produção de água em Embu-Guaçu com investimento de R$ 16,5 milhões em tecnologia de membranas

Sabesp dobra capacidade da ETA de Embu-Guaçu com investimento de R$ 16,5 milhões em tecnologia de membranas, beneficiando 60 mil moradores e aumentando produção de 110 para 220 litros por segundo.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, praticamente dobrou sua capacidade de produção após a entrada em operação de duas unidades móveis de ultrafiltração por membranas. A ampliação, que elevou o volume tratado de 110 para 220 litros por segundo, recebeu investimento de R$ 16,5 milhões da Sabesp e deve beneficiar diretamente cerca de 60 mil moradores da região, entre eles os bairros de Lagoa Grande e entorno.

A obra foi entregue pelo governo estadual em fevereiro deste ano, dentro de um pacote mais amplo de investimentos para Embu-Guaçu, Embu das Artes e Itapecerica da Serra. Segundo a Sabesp, o aporte total programado para os três municípios chega a R$ 966,2 milhões até 2029 — montante que, de acordo com o governo estadual, representa um aumento de 510% no investimento por habitante da região em relação ao ciclo anterior.

Tecnologia de membranas acelera entrega

As duas unidades móveis instaladas em Embu-Guaçu funcionam como módulos independentes e dispensam a construção de uma estação convencional de grande porte. O sistema de ultrafiltração por membranas filtra a água em processos mais rápidos que os métodos tradicionais e tem sido adotado por companhias de saneamento em regiões de crescimento populacional acelerado, justamente por reduzir prazo de obra e área construída.

Apesar do processo mais compacto, a água segue submetida aos mesmos controles de qualidade e dosagem de produtos químicos aplicados ao tratamento convencional, conforme informado pela Sabesp, e deve atender aos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde.

A entrega da ETA Embu-Guaçu integra o programa "Na Rota da Água", da Sabesp, que prevê aproximadamente 1.100 entregas de infraestrutura de água e esgoto até 2029 em todo o estado.

Pacote de quase R$ 1 bilhão na região

A ampliação da ETA não é uma intervenção isolada. Faz parte de um conjunto de obras que inclui a adutora Alça Sudoeste, cuja primeira etapa — com três quilômetros de extensão — já foi entregue, com ganho de vazão de cerca de 100 litros por segundo. A segunda fase do empreendimento, orçada em R$ 62 milhões, deve ampliar a disponibilidade hídrica da região de 550 para 720 litros por segundo até o primeiro semestre de 2026.

O esgoto coletado na região será encaminhado a uma estação de tratamento em Barueri. Segundo o governo estadual, o conjunto de intervenções em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu deve beneficiar diretamente 400 mil moradores e contribuir para a recuperação da qualidade da água do Rio Embu-Mirim e da Represa Guarapiranga, um dos principais mananciais que abastecem a capital paulista.

O governo estadual associa o pacote de obras ao cenário de estiagem prolongada na Região Metropolitana de São Paulo: os índices de chuva na região têm ficado entre 40% e 70% abaixo da média histórica, o que reduz a disponibilidade de água nos mananciais e aumenta a pressão sobre o sistema de abastecimento.

Parte de um ciclo recorde de investimentos

A obra em Embu-Guaçu se soma a outras intervenções recentes da Sabesp em estações de tratamento da Grande São Paulo. Na ETA Rio Grande, em São Bernardo do Campo — responsável pelo abastecimento de parte do Grande ABC —, a companhia já investiu mais de R$ 80 milhões para elevar a produção de 5.000 para 5.400 litros por segundo, e iniciou uma segunda rodada de aportes, de R$ 100 milhões, que deve levar a capacidade a 5,9 mil litros por segundo até dezembro de 2026, beneficiando cerca de 2,4 milhões de pessoas. Em Itapecerica da Serra, outra ETA entrou em operação para reforçar o abastecimento das zonas sul e oeste da capital e do sudoeste da Grande São Paulo, com capacidade de 50 litros por segundo.

Esses investimentos ocorrem após a privatização da Sabesp, concluída em 2024 pelo governo paulista. Segundo a própria companhia, 2025 foi o ano de maior investimento da história da estatal-privatizada em obras de água e esgoto: foram R$ 15,2 bilhões aplicados, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões investidos no ano anterior. Parte desses recursos tem sido direcionada a projetos como o IntegraTietê, voltado à despoluição do rio Tietê na Grande São Paulo, e à ampliação de grandes estações de tratamento de esgoto, caso da ETE Parque Novo Mundo, que recebe aporte de cerca de R$ 1 bilhão para atender cerca de 3 milhões de moradores de São Paulo e Guarulhos.

O avanço dos investimentos em infraestrutura hídrica na Grande São Paulo acompanha as metas do Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece a universalização do acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto no país até 2033. A combinação de obras de produção de água, como a de Embu-Guaçu, com intervenções em adução e tratamento de esgoto é apontada pelo setor como estratégia para reduzir a vulnerabilidade da Região Metropolitana a períodos de estiagem e sustentar o crescimento populacional nas bordas da mancha urbana.

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