Universalização pode gerar quase R$ 1,5 trilhão em benefícios até 2040

Estudo do Instituto Trata Brasil calcula saldo líquido de R$ 815,7 bilhões, puxado pelo ganho de produtividade do trabalho; em 2024, o país teve 336 mil internações por doenças de veiculação hídrica.
Segundo dados do DATASUS presentes no Painel Saneamento Brasil, em 2024, o Brasil registrou 336.165 internações e 4.877 óbitos por doenças de veiculação hídrica, como diarreia, dengue e leptospirose, problema que poderiam ser evitados com o acesso da população brasileira ao saneamento básico. Ainda hoje, 33 milhões de brasileiros vivem sem abastecimento de água e aproximadamente 90 milhões sem atendimento de coleta de esgoto.
A falta de saneamento também limita as oportunidades. Dados do IBGE 2024, presentes no Painel, mostram que a renda média de quem tem saneamento é de R$ 3.447,79, contra R$ 2.320,39 de quem não tem, uma diferença de 48,6%. Na educação, a escolaridade média de quem tem acesso é de 9,50 anos, enquanto a de quem não tem é de 7,50 anos, dois anos a menos de estudo. O estudo "Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento no Brasil", do Instituto Trata Brasil, mostra que a universalização pode gerar R$ 1,455 trilhão em benefícios entre 2021 e 2040. Descontados os custos, o saldo líquido chega a R$ 815,7 bilhões, com destaque para o aumento da produtividade do trabalho (R$ 438 bilhões) e a redução dos custos com saúde (R$ 25,1 bilhões).
Os números revelam que o acesso ao saneamento vai muito além de uma obra de infraestrutura: é saúde, renda, educação e dignidade. Com o prazo do Marco Legal do Saneamento Básico fixado em 2033, universalizar o acesso a água tratada e a coleta e tratamento de esgoto é uma urgência para garantir qualidade de vida e bem-estar para a população.












