SANEAMENTO

Corsan investe R$ 415 mil para levar água a distrito industrial e nova estação de esgoto em Horizontina

Corsan investe R$ 415 mil para levar água a distrito industrial e nova estação de esgoto em Horizontina

Corsan investe R$ 415 mil para ampliar rede de abastecimento de água em Horizontina e implanta estação compacta de tratamento de esgoto SCOTTE, reduzindo o cronograma de obras em até 80%.

A Corsan iniciou a ampliação da rede de abastecimento de água em Horizontina, no Noroeste do Rio Grande do Sul, para atender simultaneamente dois empreendimentos estratégicos do município: o novo distrito industrial e a estação compacta de tratamento de esgoto SCOTTE, que está em fase final de implantação. A obra prevê a instalação de três quilômetros de tubulações ao longo do novo Anel Rodoviário da cidade, com investimento de cerca de R$ 415 mil.

O traçado da nova rede começa na rotatória de acesso ao Aeroporto Municipal Walter Bündchen e segue até a ETE SCOTTE, localizada no final da Rua São Paulo. A companhia optou por tubulação de polietileno de alta densidade (PEAD) em vez do PVC convencional, material que, segundo a Corsan, oferece maior resistência mecânica e durabilidade, reduzindo a necessidade de manutenções futuras no trecho.

De acordo com o coordenador de operações da Corsan, Gilvan Almeida, a ampliação integra o planejamento da companhia para acompanhar o crescimento econômico de Horizontina. Segundo ele, a empresa está preparando o sistema de abastecimento para garantir condições de atender as cerca de 15 empresas previstas para o novo distrito industrial e também a operação da nova estação de tratamento de esgoto.

Uma tecnologia modular para acelerar o tratamento de esgoto

A ETE SCOTTE — sigla para Sistema Compacto e Transportável de Tratamento de Esgoto — é uma das principais apostas da Corsan para acelerar a universalização do saneamento no Rio Grande do Sul. A tecnologia foi desenvolvida pela equipe de engenharia da companhia em parceria com empresas gaúchas e tem como principal característica o formato modular, fabricado em Canoas e transportado em módulos pré-fabricados até o município de destino.

Enquanto uma estação de tratamento convencional pode levar até dois anos para entrar em operação, a solução compacta reduz esse prazo para cerca de quatro meses, um corte de até 80% no cronograma de implantação, segundo dados da própria Corsan. O sistema é oferecido em quatro modelos, com capacidade de tratamento de 2,5, 5, 10 e 20 litros de esgoto por segundo, e pode ser combinado para atender demandas maiores. As unidades ficam conectadas 24 horas por dia ao Centro de Operações Integradas (COI) da companhia, o que permite monitoramento remoto em tempo real do desempenho dos equipamentos.

A Corsan já instalou a primeira unidade da SCOTTE em Barra do Quaraí, na Fronteira Oeste, e expandiu a tecnologia para outros municípios da região, como São Luiz Gonzaga, onde a estação deve beneficiar cerca de 5 mil pessoas com mais de 2 mil novas ligações de esgoto após a conclusão das obras. Segundo a presidente da companhia, Samanta Takimi, a solução é capaz de atender, de forma independente, 294 dos 317 municípios operados pela Corsan no Rio Grande do Sul, o que a torna uma ferramenta estratégica para acelerar a expansão do tratamento de esgoto em praticamente todo o estado.

Em Horizontina, a implantação da ETE SCOTTE segue em paralelo com a construção de uma Estação de Bombeamento de Esgoto (EBE) e da linha de recalque que interligará as duas estruturas. Levantamento da própria Corsan aponta que, até etapas recentes da obra, já haviam sido investidos mais de R$ 5,2 milhões no projeto de esgotamento sanitário do município, que também contempla a ampliação da rede coletora em bairros como o Jardim Vila Nova, onde moradores foram informados sobre o cronograma das obras em reunião do programa Afluentes, iniciativa da companhia de diálogo direto com comunidades atendidas.

Déficit de saneamento ainda é expressivo no município

Horizontina tem 18.851 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022, com estimativa que ultrapassa 19 mil pessoas em levantamentos mais recentes. Os indicadores de saneamento do município mostram por que a chegada da tecnologia SCOTTE é considerada prioritária pela concessionária: cerca de 82% da população é atendida com abastecimento de água, abaixo da média estadual de aproximadamente 88%, segundo compilação de dados do Censo 2022 feita pelo Instituto Trata Brasil. No esgotamento sanitário, o cenário é mais crítico — municípios como Horizontina figuram historicamente entre aqueles com índice de coleta de esgoto abaixo de 50% da população, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o que reforça a relevância de uma estação de tratamento operando no município.

O quadro é semelhante ao retrato mais amplo da Corsan no Rio Grande do Sul após a privatização da companhia, concluída com a entrada do grupo Aegea como controlador. Segundo balanço da própria concessionária, a cobertura de esgoto no conjunto dos municípios atendidos pela Corsan saltou de 19% para 30% em menos de três anos, avanço que representa mais da metade de toda a expansão histórica registrada pela companhia antes da privatização. Desde o início da concessão, a Corsan contabiliza R$ 4,3 bilhões investidos em todo o estado, com mais de 852 mil pessoas beneficiadas.

Para 2026, o planejamento da companhia prevê a implantação de 1.741 quilômetros de novas redes e 155,8 mil novas ligações de esgoto, com impacto direto sobre cerca de 955 mil gaúchos. A meta declarada pela Corsan é alcançar 90% da população atendida com coleta e tratamento de esgoto até 2033 — prazo que coincide com o horizonte de universalização estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020) para que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% ao esgotamento sanitário tratado em todo o país.

Infraestrutura como condição para atração industrial

A ampliação da rede de água em Horizontina ilustra um movimento que se repete em municípios do interior gaúcho: a infraestrutura de saneamento como pré-condição para a instalação de novos empreendimentos industriais. Ao garantir abastecimento de água e, simultaneamente, capacidade de tratamento de esgoto para o futuro distrito industrial, a Corsan busca evitar que a falta de infraestrutura básica se torne um gargalo para a atração de empresas — um fator cada vez mais relevante na decisão de instalação de indústrias, que dependem de outorgas de uso de água e de licenciamento ambiental para operar.

A escolha do PEAD para a nova tubulação também segue uma tendência observada em outras obras recentes da companhia no estado, que tem priorizado materiais de maior vida útil em trechos estratégicos, reduzindo o risco de rompimentos e interrupções no abastecimento em áreas de expansão urbana e industrial.

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