SANEAMENTO

Corsan investe R$ 1 milhão para modernizar rede de distribuição de água em Santo Cristo

Corsan investe R$ 1 milhão para modernizar rede de distribuição de água em Santo Cristo

Corsan investe R$ 1 milhão para modernizar rede de distribuição de água em Santo Cristo, no Rio Grande do Sul. As obras incluem substituição de tubulações antigas e instalação de equipamentos para reduzir vazamentos e melhorar o abastecimento.

A Corsan está executando, em Santo Cristo, na região Noroeste do Rio Grande do Sul, um conjunto de obras de modernização da rede de distribuição de água que soma R$ 1 milhão em investimentos. O pacote de intervenções prevê a substituição de redes antigas em três pontos do município, com o objetivo declarado de reduzir vazamentos, aumentar a segurança operacional do sistema e qualificar o fornecimento de água tratada à população.

A intervenção de maior porte ocorre na Avenida Dom Pedro II, uma das principais vias de Santo Cristo, entre as ruas Vereador Asmann e Goiás. Ali, as equipes da companhia trocam aproximadamente um quilômetro de tubulação utilizando o Método Não Destrutivo (MND), técnica que permite instalar a nova rede sem a abertura contínua de valas ao longo do trajeto. O procedimento reduz o impacto sobre o pavimento e a rotina da via, mas ainda assim exige a interdição temporária de uma das pistas durante a execução, com recomendação da concessionária para que motoristas e pedestres redobrem a atenção ao circular pelo trecho.

Segundo o coordenador regional de relações institucionais da Corsan, Jovane Soncini, a escolha pela tecnologia não destrutiva está diretamente ligada à importância viária da avenida. “Por ser uma das principais vias da cidade, com grande fluxo de veículos, com essa técnica conseguimos executar o serviço de forma mais ágil”, destaca.

Além da avenida principal, o cronograma inclui a troca de cerca de 120 metros de rede na Travessa Bahia e de outros 336 metros na Rua Vereador Meurer. O projeto também contempla a instalação de ramais, interligações, válvulas redutoras de pressão (VRPs) e registros — equipamentos que ajudam a controlar a pressão da água na tubulação, reduzir a ocorrência de novos vazamentos e garantir o funcionamento mais estável do sistema de abastecimento como um todo.

Obra nasce de demanda da comunidade e diálogo com o município

De acordo com a Corsan, o conjunto de melhorias é fruto de articulação direta com o poder público local. “Esse conjunto de melhorias é resultado também do diálogo que a Corsan mantém com o Município. As demandas são apresentadas e discutidas em reuniões com o Executivo, vereadores, empresários e representantes da comunidade, permitindo identificar os pontos” mais críticos da rede, segundo a companhia.

O investimento atual se soma a outros aportes recentes da concessionária no município. Conforme balanço divulgado pela própria Corsan, a empresa já investiu R$ 1,6 milhão no sistema de abastecimento de água do município, enquanto no esgotamento sanitário os investimentos chegam a R$ 3 milhões, incluindo a implantação da ETE Scotte, uma estação de tratamento de esgoto com tecnologia compacta e modular.

A relação da Corsan com a infraestrutura de saneamento de Santo Cristo não é recente. Já em 2018, a companhia havia iniciado a implantação do sistema de esgotamento sanitário do município, com a execução de 6.578 metros de redes coletoras, 3.423 metros de ramais prediais e 146 metros de travessias, em um investimento de R$ 3.625.060,85 com recursos do Orçamento Geral da União, por meio da então Fundação Nacional de Saúde (Funasa), obra que à época beneficiou cerca de 1.470 habitantes.

Santo Cristo tinha 15.320 habitantes no Censo 2022 do IBGE, com estimativa de 15.667 moradores para 2026, distribuídos por um território de 367 km² no Noroeste gaúcho, na microrregião de Santa Rosa.

As obras em Santo Cristo se inserem em um movimento mais amplo de investimentos da Corsan desde que a companhia passou para controle privado. Em dezembro de 2022, a estatal gaúcha foi arrematada em leilão de privatização pelo grupo Aegea, e a gestão efetivamente mudou de mãos em julho de 2023. Com o contrato de concessão dos serviços de saneamento, válido até 2058, foram anunciados investimentos de R$ 15 bilhões até 2033, destinados à operação, à modernização e à ampliação da infraestrutura de abastecimento de água e esgoto. Atualmente, a Corsan atua em 317 municípios, levando água e esgoto tratados a cerca de 6,5 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, com compromisso de alcançar 99% de cobertura de abastecimento de água potável e 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto, em conformidade com as metas do Marco Legal do Saneamento.

Levantamento da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, divulgado dois anos após a conclusão da privatização, mostra que a cobertura de esgoto nos municípios atendidos pela companhia saiu de 19% para 30% em menos de três anos, avanço equivalente a mais de 50% de toda a expansão histórica registrada antes da mudança de controle acionário. No mesmo período, foram R$ 4,3 bilhões investidos, 852 mil pessoas beneficiadas e 47,2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos gerados pela companhia em todo o estado. Já no abastecimento de água, indicador em que Santo Cristo já apresenta índices elevados, a universalização chegou a 99,26% nas 317 cidades atendidas, com 733 mil hidrômetros substituídos no período avaliado.

Perdas de água seguem desafio nacional do setor

Obras como a de Santo Cristo — com foco explícito em reduzir vazamentos e qualificar a distribuição — dialogam com um dos principais gargalos do saneamento brasileiro. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa), do Ministério das Cidades, apontam que, em levantamento mais recente, 39,9% do volume de água produzido no país é perdido ao longo da distribuição, considerando captação, tratamento, adução e rede até o consumidor final. Estudo do Instituto Trata Brasil com a consultoria GO Associados, baseado em dados do SNIS, já apontava que as perdas de água no Brasil se situavam em torno de 35%, a depender do indicador observado, cerca de 20 pontos percentuais acima da média dos países desenvolvidos, que foi de 15%.

O Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabelece prazos progressivos para a redução desse indicador em municípios beneficiados por recursos públicos federais ou financiamentos geridos pela União, com metas que se tornam mais rígidas a cada atualização do índice médio nacional. É nesse cenário regulatório que se inserem investimentos como o de Santo Cristo: ao substituir trechos de rede antiga por tubulação nova e instalar válvulas redutoras de pressão, a Corsan busca atacar diretamente as chamadas perdas físicas — aquelas que ocorrem por rompimentos, vazamentos e falhas estruturais na rede, antes mesmo de a água chegar ao hidrômetro do consumidor.

Para os moradores de Santo Cristo, o resultado esperado da obra é um sistema de abastecimento mais estável, com menor necessidade de interrupções para reparos emergenciais e melhor controle de pressão nas regiões atendidas pelas redes da Avenida Dom Pedro II, da Travessa Bahia e da Rua Vereador Meurer.

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