SANEAMENTO

Apenas 13 candidatos têm planos abrangentes para o setor

Apenas 13 candidatos têm planos abrangentes para o setor

Um estudo inédito avalia o comprometimento dos candidatos a governador nas eleições de 2026 com a agenda de saneamento básico em seus planos de governo.

O Instituto Trata Brasil e a GO Associados lança a 1ª edição do "Estudo sobre as Eleições de 2026: o Comprometimento dos Candidatos a Governador com o Saneamento", documento que avalia o comprometimento dos candidatos com as pautas de saneamento em seus planos de governo, com destaque para os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem. O objetivo da pesquisa é identificar em que medida os candidatos aos governos estaduais incorporaram, em seus programas, compromissos com a agenda de saneamento básico. A leitura dos resultados permitirá observar três dimensões principais: Presença do tema: avalia se o tema saneamento aparece ou não como parte da agenda programática dos candidatos; Profundidade da abordagem: mensura a aderência dos planos aos eixos e propostas definidos na metodologia; e Aderência ao déficit local: analisa a relação entre o comprometimento manifesto nos planos e a realidade do déficit de saneamento enfrentado pela população em cada recorte territorial.

Ao todo, foram considerados os 26 estados e o Distrito Federal, resultando numa amostra total de 62 candidatos. Todos os planos foram obtidos diretamente através do site do TSE, adotando como recorte temporal o dia 15 de setembro de 2026 para viabilizar a análise antes do primeiro turno das eleições. O estudo informa que, na data do levantamento, algumas propostas constavam como versões preliminares na plataforma oficial. Assim, eventuais alterações ou atualizações realizadas após essa data não estarão refletidas nos resultados do estudo.

Dos 62 planos de governo avaliados, cinco tiveram a abordagem classificada como superficial, por abordar somente um dos eixos; 44 (mais de 70%) tiveram abordagem classificada como transversal, sendo que 15 abordaram somente dois eixos, enquanto 29 abordaram três eixos, e 13 tiveram abordagem classificada como abrangente, por abordarem todos os quatro eixos. O primeiro eixo é Ausente, quando o tema de saneamento não é citado em nenhum trecho da proposta. Entre as propostas mais abordadas nos planos de governo, a de universalização foi a que mais apareceu, sendo mencionada em 54 (87%) dos 62 planos. O resultado é o esperado, visto que as metas têm limite legal previsto para 2033 – prazo que se concretizará no próximo ciclo eleitoral. Atualmente, o Brasil tem cerca de 33 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e quase 90 milhões sem coleta de esgoto. São sete anos para o prazo da universalização e as eleições de 2026 ocorrem em uma janela importante, já que o mandato 2027–2030 será decisivo para o avanço do setor no país.

Em contrapartida, as propostas com menos destaques foram as de governança de dados e informações de saneamento básico e de metas tangíveis, aparecendo em 15 (24%) e 16 (26%) dos planos de governo, respectivamente. Este último resultado era esperado, visto que um comprometimento com propostas concretas envolve um nível de aprofundamento no tema que poucos candidatos estão dispostos a assumir. O retrato nacional do estudo mostra um avanço importante, mas ainda incompleto. O saneamento básico aparece em todos os planos avaliados, porém, o assunto não significa necessariamente compromisso estruturado. Em conjunto, os resultados permitem destacar três características principais da abordagem do saneamento nos planos de governo analisados: Abordagem transversal: a maior parte dos planos trata a agenda de forma transversal, abordando dois ou três dos quatro eixos analisados. Classificação abrangente: apenas 13 candidatos, ou 21%, alcançam a classificação atingindo os quatro eixos analisados e o Retrato nacional: a pauta entrou no debate eleitoral, mas ainda precisa ganhar maior profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento.

No âmbito regional, o estudo buscou identificar se o padrão nacional se sustenta de forma homogênea pelo território ou se há variação relevante entre as regiões. É possível observar que o comprometimento dos candidatos com o saneamento não acompanha a situação real do setor em cada região, o que impede a identificação de um padrão regional simples. Em primeiro lugar, a região Nordeste apresenta o maior comprometimento médio nacional (2,95), mesmo que apresente os segundos piores indicadores do SINISA. A região Sudeste, que apresenta os melhores patamares nos indicadores citados, ocupa a terceira posição em comprometimento médio dos candidatos (2,78). Por outro lado, a região Norte, que apresenta os piores indicadores de saneamento apresentados, aparece como a penúltima média em comprometimento (2,71). Por fim, o Centro-Oeste acentua esse descolamento, sendo o detentor da segunda melhor posição para a cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto do país, ao mesmo tempo que registra a menor média entre as cinco regiões (2,70). A análise regional permite destacar que a Heterogeneidade regional não possui um padrão simples: o comprometimento com o saneamento não se distribui de forma homogênea pelo país, mas também não segue um padrão regional único ou direto ; Descolamento do déficit regional: não há evidência clara de que regiões com maiores déficits apresentem planos mais robustos, nem de que regiões com melhores indicadores deixem o tema em segundo plano e Centralidade do debate: o resultado sugere que a agenda de saneamento depende menos da localização geográfica, isoladamente considerada, e mais da forma como cada disputa eleitoral e cada candidatura incorporam o tema em seus programas. Assim como observado no panorama regional, não se encontra um padrão claro por região para a classificação dos planos de governo. Há alguma concentração de classificações mais elevadas nos estados do Nordeste e do Sudeste, com destaque para Pernambuco (o único caso que obteve nota máxima, com ambos os planos classificados como abrangentes), Piauí, São Paulo e Espírito Santo.

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