Sanesul contrata ampliação de esgoto em Bonito por R$ 1,5 milhão para reforçar proteção ambiental do destino turístico
Sanesul contrata ampliação do sistema de esgoto em Bonito por R$ 1,5 milhão, reforçando a proteção ambiental do principal destino de ecoturismo do país e garantindo qualidade das águas dos rios locais.
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A Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) formalizou um novo contrato para ampliar o sistema de esgotamento sanitário de Bonito, um dos principais destinos de ecoturismo do país e cuja economia depende diretamente da qualidade das águas de rios como o Formoso. O valor do ajuste é de R$ 1.535.000,00, pouco acima de R$ 1,5 milhão, e será pago com recursos próprios da estatal.
O contrato nº 800/2026 foi assinado em 30 de setembro de 2026 e publicado no Diário Oficial do Estado em 9 de outubro, após o processo licitatório nº 029/2026, vinculado ao processo administrativo nº 00.443/2026/GEPRO/SANESUL. A empresa vencedora da disputa foi a Congeo Ambiental Ltda, que assinou o documento ao lado dos diretores da Sanesul Renato Marcílio da Silva e Leopoldo Godoy do Espírito Santo.
O que a obra vai entregar
O escopo contratado prevê a instalação de equipamentos e o fornecimento de materiais para estruturar a rede de esgoto da cidade, com destaque para a implantação de uma estação elevatória de esgoto bruto que vai atender o bairro Solar dos Lagos I e a Rua Nossa Senhora Aparecida. O edital publicado em julho já detalhava que a intervenção também contempla rede coletora de esgoto e ligações domiciliares, além do fornecimento e instalação de materiais e equipamentos complementares.
O prazo de execução dos serviços é de nove meses, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço, enquanto a vigência contratual foi fixada em 12 meses a partir da assinatura. A obra é tocada sob regime de empreitada por preços unitários.
O avanço das obras já entrou na pauta de reuniões entre a prefeitura e a estatal. O prefeito Josmail Rodrigues (PSDB) se encontrou com o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, para tratar da implantação de estruturas de esgotamento sanitário e da ampliação da rede de coleta de esgoto no município. Na ocasião, também foram discutidas as articulações para levar a rede coletora até os bairros Parque das Palmeiras e Palmeira Velha, que ainda dependem de encaminhamentos para viabilizar o atendimento.
Bonito já figura entre os municípios com esgoto quase universalizado
O investimento chega num momento em que Bonito aparece entre os destaques estaduais em cobertura de esgoto. Levantamento da Sanesul divulgado em outubro apontou que o município, junto com Caracol, atingiu 99% de cobertura na coleta e no tratamento de esgoto, patamar que supera com folga a meta nacional prevista no Novo Marco Legal do Saneamento Básico, segundo o qual o Brasil deverá garantir, até 2033, acesso à água potável para 99% da população e à coleta e ao tratamento de esgoto para 90%.
Bonito integra um grupo de 13 municípios atendidos pela Sanesul que já alcançaram o índice de 99%, ao lado de Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Japorã, Jateí, Inocência e Paranaíba. No conjunto das localidades operadas pela companhia em Mato Grosso do Sul, porém, a cobertura média ainda é de 81,12%, o que evidencia a disparidade entre os municípios mais avançados e o restante do estado.
A trajetória de Bonito no saneamento é anterior aos contratos recentes. Um projeto financiado por convênio entre Petrobras e Fapems, coordenado por um ex-professor titular da UFMS, implantou entre 2004 e 2007 a rede coletora, interceptores, estações elevatórias, linhas de recalque e emissários do município, com investimento então orçado em cerca de R$ 3,8 milhões. Segundo o coordenador do projeto à época, a universalização da coleta e do tratamento de esgoto em Bonito já teria sido alcançada em 2007, com os recursos federais bancando quase integralmente a obra e a Sanesul entrando apenas com a contrapartida de um programa de educação ambiental.
Preservação do Rio Formoso motiva investimento maior
A ampliação agora contratada é um reforço pontual numa rede que já opera em patamar avançado, mas Bonito segue no radar de investimentos maiores da Sanesul justamente pela sensibilidade ambiental da região. Em maio deste ano, a companhia anunciou um aporte de R$ 26 milhões para transferir o emissário da estação de tratamento de esgoto da bacia do Rio Formoso para a bacia do Rio Miranda, medida que resultou de estudos do Grupo de Trabalho do Rio Bonito, formado há cerca de dois anos pelo Governo do Estado, pela Prefeitura local, pela Sanesul e pela concessionária Ambiental MS Pantanal com o objetivo de reverter processos de degradação observados na bacia hidrográfica que sustenta o turismo de flutuação e mergulho no município.
A lógica por trás desses investimentos é direta: a economia de Bonito gira em torno da transparência e da qualidade das águas de atrativos como o Rio Formoso, a Gruta do Lago Azul e o Aquário Natural, de modo que qualquer aporte de carga orgânica proveniente de falhas no esgotamento compromete tanto o meio ambiente quanto a atividade turística que sustenta o município.
Sanesul amplia investimentos para além das PPPs
O contrato em Bonito se soma a uma série de obras que a Sanesul vem bancando com recursos próprios em municípios sul-mato-grossenses, mesmo em localidades cobertas por parcerias público-privadas. Em Dourados, por exemplo, a estatal anunciou investimento de mais de R$ 17,5 milhões em redes de coleta de esgoto diretamente, apesar de existir uma PPP com a Ambiental MS Pantanal que previa aporte de R$ 43 milhões da concessionária privada no mesmo período — segundo o Sindágua, a cobertura de esgoto na cidade passaria de 90% com os investimentos públicos, superando o prazo que a PPP havia estabelecido para 2033.
O padrão indica uma estratégia da companhia estadual de acelerar obras de esgotamento sanitário com orçamento próprio em paralelo às parcerias vigentes, perseguindo a antecipação das metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento tanto em cidades do interior quanto em polos turísticos como Bonito, onde a qualidade da infraestrutura sanitária está diretamente ligada à preservação dos atrativos naturais que movimentam a economia local.
































