Corsan conclui 20ª obra de tratamento de esgoto no RS e ultrapassa R$ 300 milhões investidos desde a privatização
Corsan conclui 20ª estação de tratamento de esgoto no RS com investimento de mais de R$ 300 milhões desde privatização. Obras ampliam cobertura de saneamento em 18 municípios gaúchos.
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A entrega de uma nova estação de tratamento de esgoto (ETE) em Iraí, no Norte do Rio Grande do Sul, na quarta-feira (28), fechou um ciclo simbólico para a Corsan: a unidade é a 20ª obra do tipo concluída pela companhia desde julho de 2023, somando mais de R$ 300 milhões em investimentos distribuídos por 18 municípios gaúchos. Do total, 12 estações foram construídas do zero, duas passaram por ampliação e seis foram modernizadas — um conjunto que, segundo a empresa, já contribui para reduzir o lançamento de esgoto bruto em rios, arroios e lagoas do Estado.
Com capacidade para tratar 864 mil litros de esgoto por dia, a nova ETE de Iraí recebeu aporte de R$ 3,6 milhões e vai atender inicialmente cerca de 800 imóveis. Somando redes coletoras e demais estruturas associadas, o município recebeu mais de R$ 9,6 milhões em investimentos da Corsan só em 2026. A cidade, conhecida pelo turismo termal, trocava uma estrutura de esgotamento considerada obsoleta por uma infraestrutura nova. "Tínhamos uma estrutura de esgoto muito primitiva e ineficiente. Agora, damos um passo importante para a preservação ambiental e para a saúde das pessoas", afirmou o vice-prefeito Lucas Balestrin, em declaração à assessoria da companhia.
As outras obras do pacote de 20 estações se espalham por regiões distintas do Estado, da Fronteira Oeste ao Litoral Norte, passando por centros maiores como Canoas, Passo Fundo e Bento Gonçalves e por municípios de pequeno porte, como Aceguá e Não-Me-Toque. Em 2026, também entraram em operação as estações de Barra do Quaraí e de Itapuã, em Viamão.
Um atraso histórico que a privatização tenta reverter
O ritmo de obras tem relação direta com a mudança de controle acionário da Corsan. Em dezembro de 2022, o consórcio liderado pela Aegea Saneamento — em parceria com Perfin e Kinea — venceu o leilão de privatização da companhia com uma proposta única de R$ 4,151 bilhões, segundo registrou a própria Corsan à época. A assinatura do contrato de compra e venda ocorreu em julho de 2023, data que a companhia passou a adotar como marco inicial do novo ciclo de investimentos.
A dimensão do desafio herdado é expressiva. Em julho de 2023, 257 dos 317 municípios atendidos pela Corsan não tinham nenhuma cobertura de esgotamento sanitário. Em escala estadual, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicavam que apenas 36% do esgoto gerado no Rio Grande do Sul recebia tratamento, com 183 municípios sequer atendidos pela companhia. Já no universo de cidades operadas pela Corsan, a própria companhia relata que a cobertura de esgoto saiu de 19%, em 2023, para 30% em 2026 — um avanço que, segundo a empresa, equivale à metade de tudo o que havia sido construído em quase seis décadas de história estatal.
Antes da venda, ainda sob controle público, a própria Corsan estimava ser necessário investir cerca de R$ 11,1 bilhões entre 2021 e 2033 para cumprir as metas do novo marco regulatório do setor — montante que a estrutura financeira da estatal não conseguia viabilizar no ritmo exigido pela lei. Com a privatização, o plano de investimentos apresentado pela Aegea passou a prever recursos ainda maiores: a companhia sinalizou um total de R$ 15 bilhões até 2033 para expandir a infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto em todo o Estado, incluindo a implantação de 18 mil quilômetros de redes coletoras e a construção de mais de 300 novas estações de tratamento e 3,1 mil estações elevatórias.
Tecnologia modular reduz tempo de obra de dois anos para quatro meses
Para dar conta do cronograma apertado imposto pelo Marco Legal, a Corsan passou a investir em estações de tratamento modulares, desenvolvidas em parceria com empresas gaúchas. Segundo a companhia, essas unidades pré-fabricadas reduzem o prazo de implantação de uma ETE convencional de aproximadamente dois anos para cerca de quatro meses, variando conforme as características técnicas de cada projeto — uma redução que, em reportagens recentes sobre o novo modelo construtivo adotado pela empresa, chega a 80% no tempo total de obra.

A aceleração também aparece nos números de expansão de rede coletora, estrutura que leva o esgoto das casas até as estações de tratamento. Em 2022, ainda sob gestão estatal, cerca de 600 mil imóveis tinham infraestrutura de esgoto disponível na área hoje atendida pela Corsan; atualmente esse número é de aproximadamente 1 milhão de imóveis. O ritmo de implantação de redes, que era de 40 quilômetros por ano em 2022, saltou para 604 quilômetros em 2025, com projeção de atingir 800 quilômetros até o fim de 2026 — a companhia soma atualmente obras em andamento ou previstas em quase 80 municípios gaúchos.
Levantamentos recentes sobre a operação da companhia confirmam essa curva de investimentos: apenas no primeiro semestre de 2026, a Corsan aplicou R$ 832,04 milhões em obras de água e esgoto, com projeção de fechar o ano com R$ 1,6 bilhão investido no Estado. Somando os três primeiros anos sob controle privado, o total aportado se aproxima de R$ 6 bilhões — o equivalente, segundo a própria companhia, a quase quatro vezes a média anual que a Corsan conseguia investir quando ainda era estatal, que girava em torno de R$ 499 milhões por ano, contra os atuais R$ 2,1 bilhões anuais em média.
Meta é chegar a 90% de cobertura de esgoto até 2033
Os investimentos em Iraí e nos demais 17 municípios contemplados pelas 20 novas estações integram o planejamento da Corsan para cumprir a meta nacional de universalização prevista pela Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento: 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. É uma meta ambiciosa para um Estado que, segundo a própria companhia, convive com décadas de subinvestimento no setor.
"Estamos enfrentando um atraso de décadas com investimentos, planejamento e capacidade de execução. Cada estação entregue significa mais esgoto tratado, menos poluição nos mananciais e melhores condições de saúde para a população. Nosso compromisso é acelerar essa transformação, levando um serviço essencial a municípios de todos os portes e avançando em direção à universalização até 2033", afirmou a presidente da Corsan, Samanta Takimi, sobre a entrega da estação de Iraí.
Em entrevistas recentes sobre o balanço de três anos de operação privada, Takimi reforçou que o desafio da nova fase da companhia é justamente transformar o volume de recursos aportados em resultado concreto para a população, incorporando tecnologias e modelos de gestão de outras operações do grupo Aegea pelo país. "O relógio da universalização está correndo", resumiu a executiva.
A companhia reforça, por fim, que a conclusão de uma estação de tratamento só se traduz em benefício ambiental e sanitário quando acompanhada da ligação efetiva dos imóveis à rede coletora — etapa que depende tanto da expansão de infraestrutura quanto da adesão dos moradores, para garantir que o esgoto doméstico seja de fato encaminhado para tratamento antes de retornar a rios, arroios e lagoas do Rio Grande do Sul.
































