SANEAMENTO

Cosanpa transporta equipamentos para nova ETA em Marituba; obra integra ciclo de R$ 800 milhões na Grande Belém

Cosanpa conclui transporte de equipamentos para nova ETA em Marituba que beneficiará 26 mil moradores. A obra integra ciclo de R$ 800 milhões de investimentos na Grande Belém e utiliza tecnologia de filtros de zeólita.

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A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) concluiu o transporte dos principais equipamentos da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) do Sistema Novo Horizonte, em Marituba, município da Região Metropolitana de Belém. A operação, realizada com apoio de batedores de trânsito e equipes de segurança do trabalho, levou dois tanques, tubulações e outras estruturas até o canteiro de obras montado no bairro Novo Horizonte.

Segundo a companhia, a nova estrutura vai beneficiar mais de 26 mil moradores em quatro bairros do município. O diferencial técnico da unidade está nos filtros de zeólita, mineral de origem vulcânica apontado pela Cosanpa como mais eficiente na remoção de partículas da água, solução normalmente empregada em sistemas abastecidos por captação subterrânea — caso do Sistema Novo Horizonte, operado a partir de poços.

"Concluímos essa força-tarefa de transporte com êxito. Com a chegada dessas estruturas, nossas equipes seguirão focadas na montagem e ativação desse equipamento", afirmou o presidente da Cosanpa, coronel Dilson Júnior, destacando o ganho de qualidade de vida esperado para a população local.

Pacote de obras vai além da ETA

A nova estação de tratamento é apenas uma das frentes abertas pela Cosanpa no Sistema Novo Horizonte. Até o primeiro semestre de 2027, a companhia pretende concluir também a revitalização do reservatório elevado, a construção e interligação de um novo poço — que deve ampliar a capacidade de produção de água para a região — e a modernização das bombas e dos sistemas de automação e controle.

O histórico do sistema ajuda a dimensionar a obra atual. O Sistema Novo Horizonte foi originalmente construído pela Prefeitura de Marituba e posteriormente incorporado à operação da Cosanpa, que desde então vem reforçando a infraestrutura do bairro em etapas sucessivas, incluindo intervenções emergenciais de manutenção registradas em anos anteriores por interrupções no abastecimento.

Marituba já recebeu outros investimentos relevantes da companhia nos últimos anos. Em 2020, a Cosanpa entregou o Sistema Beija-Flor, no mesmo município, com aporte de R$ 19,6 milhões e estrutura que incluiu dois poços de 270 metros de profundidade, estação de tratamento com quatro filtros, reservatórios e mais de 24 quilômetros de redes de distribuição, beneficiando então mais de 40 mil moradores.

Marituba dentro do novo arranjo do saneamento paraense

A obra em Novo Horizonte ocorre num momento de reorganização do setor no Pará. Desde 2025, o estado opera sob um modelo de concessão em que a concessionária privada Águas do Pará assumiu a distribuição de água, a coleta e o tratamento de esgoto e o atendimento aos clientes em 126 municípios paraenses, incluindo Belém, Ananindeua e Marituba. Nesses três municípios da Grande Belém, porém, a Cosanpa manteve a responsabilidade pela captação e pelo tratamento da água, atuando como produtora para um sistema que abastece mais de 2 milhões de pessoas na região metropolitana.

Essa divisão de papéis é sustentada por um contrato de interdependência entre a Cosanpa e a Águas do Pará, cujo termo aditivo prevê R$ 220 milhões para ampliar e modernizar o sistema de produção de água de Belém, Ananindeua e Marituba, incluindo reforma e fabricação de novos filtros para estações de tratamento, modernização de sopradores e implantação de sistemas de tratamento e desinfecção em 32 poços dos três municípios. Especialistas do setor já apontaram que esse valor representa investimentos em execução contínua, não um aporte já integralmente concluído.

Paralelamente, a Região Metropolitana de Belém vive o que a própria Cosanpa descreve como o maior ciclo de obras em saneamento de sua história, somando mais de R$ 800 milhões em investimentos entre recursos do governo estadual e financiamento internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) via Projeto de Desenvolvimento do Saneamento do Pará (Prodesan Pará), iniciativa orçada em US$ 125 milhões. O programa prevê a construção de novas estações de tratamento de água em bairros de Belém, Ananindeua e Marituba, com tecnologia mais moderna e prazos de implantação mais curtos, beneficiando ao todo mais de 1,2 milhão de pessoas.

O que dizem os indicadores oficiais

Os números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) ajudam a contextualizar o desafio que a Cosanpa enfrenta mesmo após a concessão. Levantamentos recentes da companhia, com base em dados do SNIS, apontam índice de cobertura de abastecimento de água de aproximadamente 74,7% nos 52 municípios ainda sob sua gestão direta, com índice de atendimento efetivo em torno de 55,8%. Em Belém, especificamente, a cobertura de água chega a cerca de 95,4%, mas o atendimento de esgoto na capital permanece baixo, em torno de 20% de cobertura e pouco mais de 16% de atendimento — um retrato que reforça por que o Pará aparece entre os estados com menor investimento per capita em saneamento do país, com aplicação de apenas R$ 22,38 por habitante em 2022, segundo dados do SNIS citados por veículos que cobrem o setor.

É nesse cenário que a concessão para a Águas do Pará foi apresentada pelo governo estadual como estratégia para acelerar a universalização: a meta oficial é garantir água tratada para 99% da população até 2033 e elevar a coleta e o tratamento de esgoto a 90% dos paraenses até 2039, prazos que dialogam diretamente com os horizontes fixados pelo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020) em nível nacional.

Para Marituba, município de pouco mais de 119 mil habitantes conforme estimativas populacionais recentes do IBGE, a conclusão da nova ETA do Sistema Novo Horizonte e das obras complementares programadas para 2027 representa mais uma etapa dentro desse plano de ampliação de infraestrutura hídrica que vem sendo executado por camadas — produção pela Cosanpa, distribuição e atendimento ao cliente pela Águas do Pará — na tentativa de reduzir o histórico déficit de regularidade no abastecimento da Região Metropolitana de Belém.

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