BIOMETANO

Posto de biometano da Ultragaz em Jundiaí roda com gás do aterro de Caieiras e mira rede de 20 unidades em rodovias

Unidade de R$ 4 milhões no km 64 da Bandeirantes abastece até 200 caminhões por dia, com sistema hidráulico próprio que reduz o tempo de carga para 8 a 12 minutos

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A Ultragaz inaugurou nesta quarta-feira (4) seu primeiro posto de abastecimento de biometano em rodovia, instalado no Complexo Lago Azul, no km 64 da Rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí (SP). A unidade tem capacidade para fornecer 24 mil metros cúbicos de biometano por dia, volume que a empresa calcula ser suficiente para abastecer cerca de 200 caminhões diariamente, e recebeu investimento de R$ 4 milhões.

O combustível que abastece o posto não é um gás genérico de rede: vem integralmente do aterro sanitário de Caieiras, na Grande São Paulo, operado pela Solví em parceria com a Essencis Biometano, e chega sem mistura com gás natural fóssil. Segundo Erik Trench, diretor de gases renováveis da Ultragaz, a operação começa no aterro, de onde o biometano é transportado comprimido a até 250 bar em carretas até o ponto de abastecimento.

Da bomba de cilindros ao caminhão

A novidade técnica do posto é um equipamento hidráulico desenvolvido internamente pela Ultragaz, batizado de HPU (hydraulic power unit), que dispensa compressores convencionais no momento do abastecimento. O sistema usa apenas 40 kVA de potência elétrica — ante 300 a 400 kVA exigidos por configurações convencionais, segundo comparação da própria companhia — e permite carregar até 10% mais gás nos tanques dos caminhões, reduzindo o tempo de abastecimento para 8 a 12 minutos, frente aos 20 a 22 minutos de postos com compressão tradicional. A tecnologia já opera em mais de cinquenta pontos de clientes da Ultragaz, mas Jundiaí é o primeiro posto próprio da companhia a utilizá-la.

Monetização do biogás de aterro

O caso de Caieiras ilustra a cadeia que sustenta esse tipo de projeto: a planta de biometano do aterro, considerado o maior em operação na América Latina, recebeu R$ 93,8 milhões do BNDES — via Fundo Clima, cobrindo 60% de um investimento total de cerca de R$ 200 milhões — para ampliar a captação de biogás e sua purificação, com capacidade instalada de 68 mil metros cúbicos por dia e expectativa de evitar a emissão de 43.068 toneladas de CO2 equivalente por ano. A produção é comercializada por Ultragaz e Neogás, entregue via gás natural comprimido por modal rodoviário, e segue resoluções da ANP quanto a origem certificada.

Esse fornecimento está inserido em um portfólio maior: a Ultragaz tem hoje cerca de 700 mil metros cúbicos por dia de biometano contratados com fornecedores distribuídos em 15 polos produtivos, entre aterros sanitários, resíduos industriais e projetos de agronegócio. Desse total, aproximadamente 150 mil metros cúbicos por dia já estão comercializados, e 20% desse volume é destinado ao abastecimento de veículos pesados.

Expansão da malha de postos

O lançamento de Jundiaí é o primeiro passo do programa Rotas Verdes, estratégia da companhia para instalar pontos de abastecimento ao longo de corredores logísticos do Sul e Sudeste nos próximos três anos, com a meta de chegar a cerca de 20 unidades em rodovias. Um dia depois da inauguração, a Ultragaz anunciou dois novos pontos no mesmo Complexo Lago Azul, nos quilômetros 58 e 62 da Bandeirantes, em sentidos opostos, com capacidade conjunta de 48 mil metros cúbicos por dia e mais de 400 abastecimentos diários — entrada em operação prevista para o início de 2027. A companhia informou que pretende detalhar o restante do plano de expansão durante a Fenatran 2026 e que, no futuro, a estrutura ficará disponível para qualquer veículo pesado movido a biometano, não apenas para clientes com contrato.

Por ora, o posto de Jundiaí opera para caminhões de clientes já contratados pela Ultragaz, modelo que a empresa prevê manter até o fim de 2026 antes de ampliar o acesso. A companhia aponta redução superior a 99% nas emissões de gases de efeito estufa com o uso do biometano frente ao diesel, conforme condições e metodologia próprias apresentadas no evento — número que, em outras comunicações recentes da empresa sobre o mesmo corredor, aparece como redução "superior a 95%", sem detalhamento público da diferença metodológica entre os dois índices.

A escala do desafio ajuda a dimensionar o significado do posto: o Brasil tem uma frota de mais de 2 milhões de veículos pesados movidos a diesel, enquanto os caminhões a gás natural ou biometano somam hoje cerca de 2,5 mil unidades. É nesse cenário que a Ultragaz integra, desde a gestão 2026-2029, o Conselho de Administração do CIBiogás, a ICT do Biogás e do Biometano no Brasil. Para Felipe Souza Marques, diretor-presidente da entidade, a disponibilidade de postos ao longo das rotas é o fator que falta para destravar a decisão de transportadoras por uma logística de baixo carbono — na avaliação dele, trata-se de "descarbonização na veia, com o biometano deslocando o diesel".

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