Sabesp lucra R$ 1,1 bilhão, investe R$ 4,5 bilhões e reduz em 30% a carga orgânica no Tietê
No terceiro trimestre, as obras de água cresceram 47%, e as metas de universalização de 2024 a 2026 já estão superadas nas áreas urbanas; núcleos informais e zona rural seguem atrás
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A Sabesp teve lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre de 2026, 13,8% menos que um ano antes. Segundo a companhia, a diferença está no resultado financeiro: o terceiro trimestre de 2025 foi reforçado por um ganho não recorrente de R$ 1,5 bilhão com precatórios, e as despesas com juros cresceram com a dívida que financia as obras. O lucro líquido contábil, que inclui os efeitos não recorrentes, foi de R$ 1,39 bilhão no trimestre e soma R$ 4,6 bilhões em nove meses.
Os investimentos seguiram em alta: R$ 4,5 bilhões no trimestre, 13,8% a mais que no mesmo período do ano passado, e R$ 12 bilhões em nove meses, 15% acima de 2025. Segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira (5), o efeito das obras já aparece no Tietê: na Região Metropolitana de São Paulo, a carga orgânica média anual lançada no rio caiu cerca de 30% em relação a 2025.
A água puxou o aumento. As obras de abastecimento receberam R$ 1,7 bilhão no trimestre, 47% a mais que um ano antes, enquanto o esgoto ficou em R$ 2,8 bilhões, praticamente o mesmo valor. No acumulado do ano, foram R$ 4 bilhões em água (alta de 42%) e R$ 8 bilhões em esgoto (alta de 5%).
O avanço da universalização é acompanhado pelo Fator U, o indicador de metas do contrato de concessão. Até setembro, a companhia tinha cumprido 118% da meta de 2024 a 2026 para novas economias de água (cada imóvel ou unidade atendida conta uma), 103% da meta de novas economias de esgoto e 89% da meta de economias conectadas ao tratamento.
A média esconde a diferença entre as áreas atendidas. Nas áreas urbanas, a meta foi ultrapassada com folga: 126% na água e 118% no esgoto. Nos núcleos informais e na zona rural, recorte em que as obras costumam esbarrar em regularização fundiária e terreno difícil, o resultado ficou em 93% na água e 71% no esgoto, a um trimestre do fim do período da meta.
A carteira de obras contratadas e ainda não executadas chegou a R$ 44,2 bilhões. O valor cresceu com a contratação das Ondas 2 e 3 do programa de universalização; a Onda 4, que reúne as obras da Região Metropolitana de São Paulo, ainda está em licitação. O plano apresentado em fevereiro prevê R$ 70 bilhões em investimentos até 2029.

Na operação, a receita líquida ajustada dos serviços de saneamento cresceu 9%, para R$ 5,96 bilhões, com o reajuste tarifário de 10,6% e 2,2% mais economias atendidas. As chuvas acima da média mudaram o padrão de consumo e pesaram no resultado. O volume faturado subiu 1,1%, para 1,1 bilhão de metros cúbicos, e a tarifa média passou de R$ 5,68 para R$ 6,07 por metro cúbico; na categoria residencial, de R$ 4,04 para R$ 4,32.
Nos custos, a energia elétrica subiu 37%, para R$ 415 milhões no trimestre, com a inflação e os novos encargos setoriais ligados a Angra. As perdas estimadas com contas que a empresa não espera receber dobraram, para R$ 159 milhões, com o envelhecimento da carteira de devedores. A despesa com pessoal caiu 21%: a companhia terminou setembro com 9.057 empregados, 2,7% a menos que um ano antes.
O Plano Comercial, de melhoria do atendimento, custou R$ 179 milhões no trimestre. Desde março, segundo a empresa, as reclamações na Ouvidoria e em outros canais críticos caíram 51%, e o tempo médio de espera nas agências, 70%. Na segurança, a taxa de frequência de acidentes com afastamento entre empregados e terceirizados recuou 67% em um ano. Em maio, uma explosão em obra da companhia no Jaguaré, na zona oeste da capital, matou uma pessoa; o caso gerou despesa não recorrente de R$ 38 milhões no trimestre.
A dívida cresceu para financiar as obras: empréstimos e financiamentos somavam R$ 46,4 bilhões em setembro, R$ 6,3 bilhões a mais que em dezembro. Na operação, o Ebitda ajustado, que mede a geração de caixa, subiu 13,8% no trimestre, para R$ 3,6 bilhões.






















