ENERGIA SOLAR

Grupo AB Areias inaugura primeira usina solar flutuante com membrana das Américas em cava de mineração

Projeto pioneiro, instalado em Pindamonhangaba (SP), alia inovação tecnológica, geração de energia renovável e transformação de áreas mineradas

4 min de leitura

Foto: Divulgação

O Grupo AB Areias inaugurou, no dia 5 de novembro, a primeira usina solar flutuante com membrana das Américas. Instalada em uma cava exaurida da Mineração Auricchio Barros, em Pindamonhangaba (SP), a estrutura possui potência de 312 kWp e marca a transformação da área minerada.

O empreendimento utiliza tecnologia desenvolvida pela empresa norueguesa Ocean Sun, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e do Conselho de Pesquisa da Noruega. A implantação levou cinco meses e envolveu 35 profissionais.

Oito pessoas cortam uma fita vermelha à beira da cava inundada; ao fundo, a usina solar flutuante circular sobre o espelho d'água
Corte da fita na inauguração da usina solar flutuante, à beira da cava exaurida em Pindamonhangaba (SP)

Durante a cerimônia, Sandra Maia de Oliveira, sócia e diretora de ESG e Pessoas do Grupo AB Areias, destacou que a iniciativa nasceu da busca por alternativas para o uso futuro das áreas mineradas. Segundo ela, o projeto demonstra como espaços anteriormente destinados à atividade mineral podem receber novas aplicações, incorporando soluções de energia renovável.

Sandra também ressaltou a trajetória de 35 anos do Grupo AB Areias e reconheceu a contribuição das mais de 300 pessoas que integram a equipe. Em seu pronunciamento, agradeceu aos parceiros e colaboradores pelo apoio ao desenvolvimento da empresa e reforçou o compromisso de continuar construindo o futuro coletivamente e fazendo a diferença.

Paulo Kessler, CEO da Uapê e idealizador do projeto, apresentou os aspectos técnicos da implantação e os diferenciais da tecnologia. Entre os principais desafios, mencionou o período de chuvas e a própria inovação envolvida na execução. Apesar disso, avaliou que a solução apresenta uma estrutura relativamente simples e vantagens importantes quando aplicada a antigas cavas de mineração.

De acordo com Kessler, em comparação com outras tecnologias de usinas solares flutuantes, o sistema desenvolvido pela Ocean Sun permite uma implantação mais rápida, com menor utilização de materiais e menos operações de montagem. A tecnologia também exige menos estruturas de ancoragem, o que contribui para tornar o investimento mais competitivo em termos de CAPEX (despesas de capital). Outro diferencial é o potencial de maior eficiência na geração de energia quando aplicado a antigas cavas de mineração.

A solução também evita qualquer supressão vegetal, uma vez que os painéis são instalados sobre uma membrana flutuante, ocupando parte do espelho d'água das cavas exauridas da mineração de areia, sem utilizar novas áreas terrestres. Ao explicar o conceito, Kessler comparou a estrutura a uma vitória-régia geradora de energia: uma solução que flutua sobre a água, não exige a derrubada de árvores e permite aproveitar espaços já existentes.

A participação norueguesa também foi destacada durante a solenidade. A cônsul da Noruega, Marta Haukaas, ressaltou a disposição das empresas de seu país em contribuir com o desenvolvimento brasileiro, oferecendo tecnologia, conhecimento e soluções inovadoras para diferentes desafios.

O presidente do Grupo AB Areias, Carlos Auricchio (Caco), resgatou sua trajetória profissional e a história da mineração na região. Ele contou que iniciou sua atuação no setor aos 21 anos e relembrou o processo de implantação da Mineração Auricchio Barros, cuja atividade começou em 1996, após uma jornada para obtenção das licenças necessárias.

Ao longo de quase 30 anos a mineração aconteceu na Fazenda Sapucaia, em Pindamonhangaba, ocupando uma área de aproximadamente 400 hectares. O encerramento das atividades ocorreu no final de 2025, marcando o início de uma nova etapa para a área, agora destinada também a iniciativas de geração de energia renovável.

Em seu discurso, Caco Auricchio apresentou resultados ambientais associados à trajetória dos empreendimentos do Grupo, entre eles o plantio de mais de 300 mil árvores, a recuperação de aproximadamente 12 quilômetros de margens do Rio Paraíba do Sul e a regularidade ambiental das propriedades que acolhem a mineração. Também destacou a importância dos empresários assumirem a responsabilidade pelo ciclo de vida de seus produtos e pelas transformações e aproveitamento das áreas utilizadas pela mineração para novos usos rentáveis.

Para o presidente do Grupo AB, os reservatórios formados após a atividade mineral representam um patrimônio que pode receber novos projetos. Ele ressaltou que as cavas exauridas são um legado e que são muitas as possibilidades de aproveitamento desses espaços, desde que observados os critérios técnicos e ambientais aplicáveis.

A inauguração da usina solar flutuante reforça uma perspectiva cada vez mais relevante para o setor mineral: o planejamento do futuro das áreas desde o desenvolvimento da atividade até o encerramento das operações.

A experiência do Grupo AB Areias demonstra como uma cava exaurida pode integrar uma nova cadeia produtiva, contribuindo para a geração de energia renovável e para o aproveitamento de estruturas já existentes.

Além da inovação tecnológica, o projeto evidencia a importância de associar mineração, planejamento territorial, recuperação ambiental, inovação tecnológica e diversificação de atividades. Nesse contexto, o encerramento da extração não representa o fim da função econômica de uma área, mas pode abrir caminho para novas oportunidades de desenvolvimento e sustentabilidade.

Notícias relacionadas

Mais de ENERGIA SOLAR