Corsan investe R$ 2,8 milhões para reduzir perdas e modernizar abastecimento em Palmeira das Missões
Obras vão do desassoreamento da barragem no Rio Macaco a seis válvulas redutoras de pressão e geofonamento na rede, beneficiando cerca de 34 mil moradores
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A Corsan vai aplicar aproximadamente R$ 2,8 milhões em um pacote de obras que cobre toda a cadeia do abastecimento de água em Palmeira das Missões, da captação no Rio Macaco até a rede de distribuição. O conjunto de intervenções inclui desassoreamento da barragem, recuperação de conjuntos mecânicos de bombeamento, substituição de tubulação, seis novas válvulas redutoras de pressão, sensores, válvulas de ar e dispositivos de descarga na rede, além de serviços de geofonamento e modelagem hidráulica para localizar vazamentos ocultos. A companhia estima beneficiar cerca de 34 mil habitantes do município.
Falhas recentes justificam o foco na captação
O histórico operacional do sistema ajuda a entender por que a captação no Rio Macaco concentra parte relevante do investimento. Em fevereiro deste ano, fortes ventos provocaram queda de energia no sistema de captação da cidade, e com a paralisação dos motores de bombeamento, toda a cidade ficou temporariamente sem água, com a Corsan precisando enviar um gerador para tentar restabelecer o fornecimento. O abastecimento só foi normalizado de forma gradual, conforme os reservatórios recuperavam os níveis adequados de armazenamento após o retorno da eletricidade.
O pacote agora anunciado também dá sequência a uma ação preventiva de julho deste ano, quando a companhia já havia realizado uma limpeza interna na adutora que leva água do Rio Macaco até a estação de tratamento, usando um dispositivo PIG para remover resíduos acumulados sem necessidade de escavação. Segundo a Corsan, aquela manutenção integrava o conjunto de ações para aumentar a confiabilidade do sistema e reduzir perdas de água, o mesmo objetivo que orienta agora a troca de equipamentos de bombeamento e tubulação.
Geofonamento e combate a perdas
A instalação de válvulas redutoras de pressão e sensores na rede, somada ao geofonamento, não é uma iniciativa isolada de Palmeira das Missões: integra o programa estadual de combate a perdas da Corsan, que já usa monitoramento por satélite e geofonia em outros municípios gaúchos. Segundo a companhia, essa combinação de tecnologias permitiu localizar e corrigir 27 mil vazamentos ocultos desde o início da atual gestão, derrubando o índice de perdas de 44% para 40%.
O número ainda está acima da média nacional. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam perda de 41,6% da água tratada no Rio Grande do Sul antes de chegar às residências, o maior volume entre os estados da região Sul. A meta declarada pela companhia é reduzir esse índice para até 30% até 2033, prazo final estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento para a universalização dos serviços no país.
Plano bilionário sob cobrança por cronograma
O investimento em Palmeira das Missões se insere num ciclo mais amplo de aportes anunciado desde a privatização da Corsan, concluída em 2023 sob controle do grupo Aegea: o plano previsto para o funcionamento e qualificação da infraestrutura de água e esgoto no Rio Grande do Sul totaliza R$ 15 bilhões até 2033, elevando a capacidade de investimento anual da companhia de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão. Para 2026, a empresa projeta desembolsar R$ 1,6 bilhão no estado.
Esse ritmo de investimentos tem sido questionado pela Assembleia Legislativa gaúcha. Em audiência pública da Comissão Especial de Fiscalização da Aegea/Corsan, em junho deste ano, representantes da empresa admitiram que ainda não há um cronograma físico-financeiro consolidado de investimentos para os 317 municípios atendidos. Meses antes, a deputada Luciana Genro havia cobrado da companhia a apresentação, por município contratado, do plano de investimento com cronograma físico e financeiro necessário para alcançar a meta de 90% de esgoto tratado até 2033 — informação que, segundo parlamentares, segue indisponível de forma sistematizada para a maioria das cidades atendidas, incluindo as do interior do estado.
Em Palmeira das Missões, a nota da Corsan não detalha datas de início e conclusão das diferentes frentes nem a origem específica dos recursos dentro do plano de investimentos do contrato municipal. O município já registrou crescimento populacional relevante no período recente: levantamentos apresentados pela própria companhia à Câmara de Vereadores local apontavam cerca de 29 mil pessoas atendidas pelo sistema de água havia alguns anos, número que a Corsan agora atualiza para 34 mil habitantes beneficiados pelas obras.






















