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SANEAMENTO

Setor e obras de infraestrutura alavancam linha amarela

Setor e obras de infraestrutura alavancam linha amarela

O 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios destacou o impacto positivo do novo marco legal no setor de saneamento e as oportunidades para a universalização dos serviços de água e esgoto, impulsionado pelo setor de infraestrutura e obras.

A Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema) realizou o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios no dia 21 de maio, em São Paulo. O evento reuniu 150 empresários e profissionais de locadores, usuários de máquinas, fabricantes e parceiros estratégicos, que tiveram a oportunidade de ampliar conexões qualificadas, disseminar conhecimento sobre o mercado de retroescavadeiras e realizar negócios. O setor de saneamento mostrou os impactos positivos do novo marco legal do setor e os desafios e as oportunidades para a universalização dos serviços de água e esgoto foram mostrados por Romário Júnior, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), que apontou que, desde a aprovação do marco legal, o setor já contabiliza 67 leilões realizados, abrangendo 1.821 municípios e somando R$ 205,1 bilhões em investimentos contratualizados. Outros 27 projetos estão em andamento, representando cerca de R$ 35 bilhões em investimentos previstos e 655 municípios a serem beneficados. “O setor está mobilizado e empenhado em cumprir as metas de universalização. Os investimentos já começaram a gerar impactos econômicos importantes, com aumento do emprego, da renda e do desenvolvimento da cadeia produtiva”, afirmou Júnior.

Os investimentos contínuos nas áreas de infraestrutura viária e saneamento têm impulsionado o mercado de máquinas de linha amarela, especialmente, as retroescavadeiras, fundamentais para viabilizar obras em todo o território nacional. Durante o encontro, especialistas reforçaram a evolução tecnológica desse equipamento e apresentaram o cenário para os próximos anos para a universalização do tratamento de água e coleta de esgoto e um panorama das concessões. O volume de investimentos no setor tem crescido de forma consistente. Desde 2024, ao coordenador da ABCON disse que os aportes atingiram R$ 29,1 bilhões, e a projeção para 2025 é chegar a R$ 44,5 bilhões. “O novo marco permitiu um avanço de cerca de 30% nos investimentos anuais em saneamento”, pontuou. Os municípios que já possuem contratos estruturados apresentam evolução mais acelerada nos indicadores de atendimento. Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização da água e 321 alcançaram as metas relacionadas à coleta e tratamento de esgoto.

Para Daniel Cardozo Daneluz, superintendente da Via Appia Concessões, o Brasil necessita desses investimentos para superar gargalos produtivos e impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura. A Via Appia é responsável pelo projeto do Rodoanel Norte, com 44 km de extensão, conectando municípios como Arujá, Guarulhos e São Paulo. “O empreendimento utiliza tecnologias modernas de pavimentação, como o asfalto SMA, que oferece maior resistência ao calor, ao sobrepeso e às deformações estruturais, além de outros equipamentos de segurança viária”, afirma Daneluz. O segundo trecho do Rodoanel Norte deve ser entregue até o final de 2026. A palestra ainda tratou da importância da manutenção e conservação contínua das rodovias, enfatizando o papel da gestão de ativos e da sustentabilidade na preservação dos investimentos em infraestrutura, e como as retroescavadeiras e implementos específicos têm sido fundamentais para serviços de limpeza, contenção de erosões, movimentação de cargas e rápida liberação de acidentes. “Máquina boa é aquela que entrega capacidade operacional, disponibilidade e adequação ao tipo de serviço executado”, resumiu Daneluz. Já Felipe Siqueira, gerente da HBSP Locações de Máquinas e Equipamentos, empresa coligada à Passarelli, abordou a atuação da companhia e as principais áreas de atuação, incluindo as obras do Piscinão Jaboticabal (SP), Hospital Universitário do Ceará e a ETA Guandu (RJ), além de reforçar a importância da retroescavadeira como um dos equipamentos mais versáteis, especialmente por sua mobilidade, multifuncionalidade e baixo custo operacional. “O equipamento atende diferentes demandas em um mesmo canteiro e oferece excelente relação entre produtividade e rentabilidade”, afirmou Siqueira, que trouxe exemplos de aplicações como o “kit vala limpa”, que permite a retirada da camada superficial do pavimento, com redução signinficativa de valor escavado, gerando economia, produtividade e quantidade menor de resíduos.

Siqueira destacou também que a retroescavadeira tem se tornado uma importante ferramenta de inclusão profissional, em meio aos desafios relacionados à escassez de mão de obra qualificada no setor. “Por ser um equipamento de entrada, permite capacitar novos profissionais e ampliar a mão de obra disponível no mercado”, explicou. Para o engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema, as retroescavadeiras são dos equipamentos mais versáteis e emblemáticos da linha amarela, com maior presença e relevância do mercado brasileiro e atuando em todos os segmentos. “Durante o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios falamos sobre algo maior do que máquinas, evidenciamos produtividade, tecnologia, eficiência operacional e, sobretudo, de desenvolvimento econômico, pois o setor proporciona exatamente isso”. O evento contou ainda com a apresentação de Rolf Pickert, CEO da Messe Muenchen do Brasil, que falou sobre a Arena M&T, que acontecerá de 21 a 23 de outubro, na Fazenda Rio Grande (PR), e com as palestras técnicas sobre as tecnologias e inovações das retroescavadeiras ministradas por Carlos Alves Junior (BMC Hyundai), Laura Stumpf (Case Construction), Flavio Schimanski (Forza), Carlos França (JCB), Tony Belizario (John Deere) e Daniel Cristóvão (Sotreq/Caterpillar), que ressaltaram a versatilidade, eficiência, produtividade desse equipamento.

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Mara Fornari Considerando as metas arrojadas de universalização do saneamento até 2033 e as oportunidades que se abrem em cinco estruturações feitas pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para o Amapá, Região Metropolitana de Maceió, PPP de Cariacica (ES), Cedae e Porto Alegre, a cadeia de fornecimento para este setor não terá do que se queixar – serão R$ 38 bilhões de investimentos nos próximos anos. Ainda assim, a cifra é bastante modesta perto das projeções consideradas pela Abcon/Sindcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto/Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto) para atender a todas as concessões pelos próximos 35 anos. Partindo dos R$ 38 bilhões projetados pelo BNDES, R$ 3 bilhões serão investidos no Estado do Amapá (em 16 municípios); R$ 2,56 bilhões em 13 municípios da Região Metropolitana de Maceió (AL); R$ 580 milhões na PPP de Cariacica (ES); R$ 29,7 bilhões nos quatro blocos da Cedae, que compreendem 35 municípios; e R$ 2,18 bilhões em Porto Alegre. Para identificar se existe condição de suprir a demanda estimada, as entidades Abcon e Sindcon, em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), realizaram, no início de julho, o evento “Marco Legal do Saneamento – Oportunidades para a Cadeia de Fornecimento”, que trouxe informações importantes de um estudo que está sendo realizado pelo BNDES. Os debates foram patrocinados pelas empresas: Acciona, Aegea Saneamento, BRK Ambiental, Sabesp, Engetec, Pieralisi e Tigre. Conforme informou Flávio Moraes da Mota, Chefe do Departamento de Indústria de Base Extrativa do BNDES, “como estruturador de alguns projetos de licitação, o Banco buscou analisar o impacto desses investimentos sobre a cadeia de fornecedores pois, a partir do momento que o Marco do Saneamento estabelece metas, as concessionárias têm a liberdade de optar pelas soluções e tecnologias que mais lhes atendem”. A expectativa da instituição é publicar o estudo completo até o final do ano, com o mapeamento da capacidade da cadeia de fornecedores e a previsibilidade do tempo de investimento, para que os concessionários possam tomar suas decisões de investimentos e, desta forma, aumentar o nível dos serviços prestados de água e esgoto para a maior parte da população brasileira. O mapeamento de bens industriais demandados em estruturações no BNDES foi apresentado pela Gerente Industrial Sabrina Schneider Martinez. O levantamento de dados foi baseado em cinco de sete projetos que o BNDES está estruturando, conforme já mencionamos, e levou em consideração o estágio de maturidade de cada um e suas demandas previstas exclusivamente em tubulação e equipamentos (Capex) e produtos químicos (Opex). A soma desses três insumos industriais totalizou R$ 11 bilhões, sendo: R$3,8 bilhões em tubulação (desmembrados em R$ 2,18 milhões para água e R$ 1,624 bilhão para esgoto), R$ 2,8 bilhões em produtos químicos (R$ 1,499 bilhão para água e R$ 1,257 bilhão para esgoto) e R$ 4,5 bilhões em equipamentos (R$ 3,248 bilhões para água e R$ 1,259 bilhão para esgoto). Sabrina explica que a meta de redução do índice de perdas de 40% para 25% e algumas características dos projetos para distribuição e tratamento de água acaba tornando esse valor maior do que os investimentos em esgoto no conjunto das cinco estruturações. Observando a alocação dos três insumos industriais nos tipos de obra, Sabrina ressalta que os equipamentos estão muito presentes nas ligações e estações de tratamento de esgoto, os produtos químicos em ETAs e ETEs e as tubulações na expansão e/ou implantação de redes e adutoras. Tubos “Falando especificamente de tubulação, a distribuição dessa demanda nas cinco estruturações ao longo do tempo mostra grande concentração de investimentos até 2033, em virtude das metas do marco do saneamento, que estipulam indicadores de atendimento de 99% da população com acesso à água e 90% com esgoto”, pontua a Gerente Industrial do BNDES. “Dos R$ 4 bilhões de investimentos até 2057, considerando uma média de concessão de 35 anos, R$ 3,4 bilhões, ou 85%, devem ser realizados até 2033. Isso significa a implantação total de 33 mil km de tubulações nesse horizonte, sendo 28 mil km até 2033. A distância equivale a quatro vezes e meia a faixa litorânea brasileira. Além da concentração de investimentos até 2033, é preciso observar o salto previsto de 2021 para 2022 e de 2022 para 2023 na demanda por tubulação nesses cinco projetos”, prossegue ela. Considerando as demandas de forma isolada e um horizonte de tempo até 2040, o investimento em tubos de água corresponde a R$ 2,2 bilhões para implementação de 12.800 km e R$ 1,6 bilhão para tubos de esgoto (20.500 km). Por tipo de obra, as tubulações estão bastante presentes nas redes e adutoras de água e em ligações, recalque, redes, coletores-tronco e emissários de esgoto. Quanto ao tipo de material de tubo demandado nos projetos, o estudo dividiu as tubulações em até 500mm de diâmetro e acima de 500mm. Até esta dimensão, o BNDES identificou em metragem o uso de 96% dos tubos em plásticos e 4% em materiais metálicos. Para tubulações acima de 500mm, a predominância em termos de metragem se dará por tubos metálicos (67%), seguidos de plásticos (21%) e concreto (12%). 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Considerando a distribuição anual até 2034, o protagonismo na demanda ficará com os tubos de 150mm. O investimento para os tubos de até 50mm irá se concentrar entre os anos de 2022 e 2023, com pico acentuado em 2027. Leia a reportagem completa na edição 198 de Saneamento Ambiental

2 de agosto, 2021
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ARTIGO
O poder de transformação do saneamento

Por Ricardo Lazzari Mendes * Os recentes leilões para concessão dos serviços de saneamento em Alagoas e no Espírito Santo demonstram que estamos no caminho certo para a universalização dos serviços de abastecimento de água e cobertura de 90% da rede de esgoto até 2033, conforme metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Com a participação de pesos-pesados do setor, as vencedoras apresentaram propostas audaciosas e revelaram o apetite do mercado para um dos segmentos menos desenvolvidos na infraestrutura brasileira até o momento. Em Maceió (AL), a proposta vencedora apresentou outorga de aproximadamente R$ 2 bilhões ante o valor mínimo da disputa de R$ 15,1 milhões. Na PPP de Cariacica (ES), os investimentos devem alcançar R$ 580 milhões em infraestrutura de saneamento básico ao longo dos 30 anos de contrato. A vencedora tem o compromisso de investir R$ 180 milhões nos primeiros cinco anos do projeto. Esses são apenas dois dos exemplos da movimentação do setor para os próximos anos. Até o fim de 2021, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) prevê mais sete leilões com potencial para injetar até R$ 165 bilhões na economia. Tudo indica que entramos na era do acerto de contas com a nossa dívida histórica com o saneamento. Ainda vivenciamos um atraso de décadas que deixa mais de 35 milhões de brasileiros sem água potável e outros 100 milhões que vivem em moradias sem ligação a um sistema de coleta de esgoto. A incapacidade governamental de atender tantas e variadas demandas encontra no Novo Marco Legal um instrumento para substituir a letargia de anos pela eficiência, com planejamento e metas. Além de contribuir substancialmente para a redução das desigualdades no Brasil, o avanço dos empreendimentos em saneamento vai ter peso significativo para a retomada do crescimento econômico. Nos próximos 13 anos, o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) prevê investimentos na ordem de R$ 750 bilhões segundo estudo da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto). Do total, a previsão é de R$ 498 bilhões apenas para a ampliação das redes nos municípios brasileiros. O potencial econômico do avanço do saneamento traz reflexos diretos na construção civil e na indústria de equipamentos, mas as demandas devem alcançar outros setores como os de brita, pedras e aço. O estudo aponta ainda que para cada 1 real investido em saneamento para extensão de redes, aproximadamente 76 centavos movimentarão a construção civil e 6 centavos o setor de máquinas e equipamentos. Os impactos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus podem ser reduzidos com o avanço das obras em saneamento básico de Norte a Sul do país. O setor pode criar 14 milhões de empregos ao longo dos próximos anos, trazer inovação tecnológica significativa para as companhias brasileiras e torná-las ainda mais competitivas no mercado internacional. No total, o setor de saneamento deve movimentar indiretamente R$ 1,4 trilhão na economia. Nas regiões metropolitanas, os projetos para a redução de perdas hídricas devem ganhar impulso nos próximos anos, promovendo maior dinamismo econômico. As cidades brasileiras têm 38,45% de média de perdas, o que representa um grande desperdício de água captada, tratada e potável. Estamos deixando o dinheiro escorrer nos vazamentos. O avanço do saneamento é um dos principais pilares para deixarmos de ser uma sociedade em desenvolvimento e nos tornarmos uma nação que oferece amplas oportunidades e igualdade para os seus cidadãos. Com o Novo Marco Legal, vamos finalmente conseguir tirar do papel os projetos que realmente farão uma grande transformação no Brasil. * Ricardo Lazzari Mendes é Presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente), engenheiro pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP e doutor em engenharia hidráulica e sanitária pela Escola Politécnica da USP.

1 de fevereiro, 2021