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DESMATAMENTO

Brasil faz promessa contraditória

Brasil faz promessa contraditória

Atualmente, o Brasil não consegue conter o desmatamento ilegal e ao menos quatro projetos de lei legalizam a devastação e impedem que a prática seja combatida.

O Ministério do meio Ambiente (MMA) publicou documento em seu site onde oficializa a meta do Brasil de terminar o mandato de Jair Bolsonaro com o desmatamento na Amazônia 16% superior ao de 2018, último ano antes do novo governo. Ao mesmo tempo, O governo assinou em Glasgow, com outros 104 países, uma Declaração sobre Florestas que se compromete a "parar e reverter" a perda florestal no mundo até 2030. "Dizer que o seu objetivo é entregar o governo com o desmatamento 16% maior do que quando você assumiu não é um plano, é uma confissão de culpa", diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Atualmente, o Brasil não consegue conter o desmatamento ilegal e ao menos quatro projetos de lei legalizam a devastação e impedem que a prática seja combatida. O governo Bolsonaro diz que reduzirá a taxa de desmatamento na Amazônia em seu último ano de mandato a 8.762 km2. Em 2018, a taxa era de 7.536 km2. Nos últimos dois anos, a devastação medida pelo sistema oficial do Inpe, o Prodes, ficou mais de 40% acima da de 2018 e mais de 60% acima do que foi medido na última década. "Este é o terceiro plano de combate ao desmatamento que o governo Bolsonaro publica depois de ter revogado a política que funcionava, o PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia). Nenhum deles contém o elemento fundamental, que é de fato combater o desmatamento”, diz Astrini.

A Declaração sobre Florestas, que deverá vir acompanhada de um fundo de US$ 19 bilhões, é o segundo documento do tipo produzido nos últimos sete anos. Em 2014, em Nova York, dezenas de países assinaram uma declaração prometendo eliminar o desmatamento até 2020. O Brasil jamais subscreveu o texto. O documento de Glasgow, que deve ser um dos principais resultados da COP26, estica o prazo e conta com a adesão de todos os grandes países tropicais. "A declaração nós temos, o que falta agora é governo", afirma Astrini.
O Brasil assinou também o compromisso global de metano. O acordo visa reduzir o metano em 30% até 2030, o que pode ajudar a humanidade a ganhar algum tempo para acelerar a transição para uma economia sem combustíveis fósseis, mantendo viva a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento da Terra em 1,5ºC.

O Brasil tem no metano uma fonte expressiva de emissões, a maioria nos setores de agropecuária e resíduos. Somente as emissões de metano do rebanho bovino representam 17% de todos os gases-estufa do país em 2020. "O país tem tecnologias disponíveis tanto no Plano ABC, na agricultura, quanto no setor de manejo de resíduos sólidos para reduzir as emissões de metano com ganho de eficiência. Só que isso exigirá um grau de priorização e investimentos que é incompatível com o atual governo federal. Cumprir o compromisso global de Glasgow será uma tarefa para o governo eleito em 2022", diz Suely Araújo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que o desmatamento em setembro de 2020 foi o segundo pior da série histórica do sistema de monitoramento Deter B. Ao todo, foram 964 km² de área desmatada, perdendo apenas para o mesmo mês de 2019, quando foram devastados 1.543 km ². Segundo satélites, a Operação Verde Brasil 2, que completou cinco meses em 11 de outubro, não obteve sucesso em conter o desmatamento e as queimadas na Amazônia. Entre maio e setembro de 2020 – o período mais seco do ano – o desmatamento foi duas vezes maior do que nos três anos anteriores da série. Nos anos de 2016, 2017 e 2018, a média mensal de alertas de desmatamento neste período ficou em 576 km². No Governo Bolsonaro, esta média saltou para 1.189 km². As queimadas na Amazônia entre maio e setembro aumentaram 21% na comparação com o mesmo período de 2019. O desmatamento é medido sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Mas, considerando o ano-calendário, de janeiro a dezembro, o período de um ano e nove meses de gestão Bolsonaro teve 76% mais desmatamento (8.560 km2) por ano do que os três anos cheios anteriores (4.844 km2 em média). "Os números do desmatamento continuam altos e inaceitáveis. Em setembro, a cada minuto uma área do tamanho de 2 campos de futebol foi derrubada de forma ilegal. Enquanto o vice-presidente demonstra o mesmo negacionismo sobre a crise ambiental do presidente e do ministro do Meio Ambiente, o crime corre solto na Amazônia, com a certeza da impunidade", disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. Segundo Astrini, esta atitude pode até colher aplausos da claque do governo nas redes sociais, mas “no mundo real ela produz destruição, evasão de divisas, emissões de carbono e danos comerciais, como vimos nesta semana com a indicação do Parlamento Europeu de que não aprovará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul."

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19 de setembro, 2016
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13 de abril, 2016