URE Barueri está 88% concluída para transformar resíduos em energia

A Unidade de Recuperação Energética de Barueri (URE Barueri) está 88% concluída e pronta para transformar resíduos sólidos urbanos em energia.
A Unidade de Recuperação Energética de Barueri (URE Barueri) avançou 88% nas obras civis e na instalação dos equipamentos e está na etapa final de implantação. Construída no município localizado na Grande São Paulo, a URE Barueri terá capacidade para receber até 870 toneladas diárias de resíduos sólidos urbanos e foi projetada para aproveitar a fração não reciclável dos resíduos na geração de energia. A estrutura foi visitada nesta sexta-feira, 2 de outubro, pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende. “Conhecer de perto uma iniciativa como a URE Barueri é importante para entender como novas tecnologias podem contribuir para os desafios da gestão de resíduos nos grandes centros urbanos. O aproveitamento energético daquilo que não pode mais ser reciclado amplia as alternativas de destinação e pode reduzir a necessidade de envio de resíduos para aterros e de transporte por longas distâncias. É uma solução que associa gestão adequada de resíduos, inovação e geração de energia”, afirmou a titular da Pasta.
A visita teve o acompanhamento de conselheiros do Grupo Orizon e representantes da Semil. Na ocasião, foram apresentados os principais setores da unidade e o funcionamento previsto para o processo, desde o recebimento dos resíduos até a geração de energia e o tratamento dos gases. A URE Barueri é projetada para ser a primeira usina Waste-to-Energy da América Latina. A tecnologia, utilizada internacionalmente, permite o aproveitamento energético de resíduos que não podem ser encaminhados para reciclagem. "A URE Barueri é a primeira Unidade de Recuperação Energética (Waste-to-Energy) da América Latina, somos precursores na implantação dessa solução. A URE vai dar destinação adequada aos resíduos de uma região densamente povoada, gerando energia renovável perto do centro de consumo, seguindo o modelo de países desenvolvidos.", afirma Mario Silva, diretor executivo de Transição Energética do Grupo Orizon.
Ao recuperar energeticamente a parcela não reciclável dos resíduos, a URE poderá contribuir para reduzir a quantidade de materiais destinada a aterros e a necessidade de transporte por longas distâncias, além de gerar energia próxima aos centros de consumo. A unidade terá potência instalada de 20 MW, com geração prevista equivalente ao consumo de mais de 75 mil residências ou de um município de aproximadamente 250 mil habitantes.
Para virar energia, os resíduos sem potencial de reciclagem serão encaminhados para combustão, e o calor gerado aquecerá uma caldeira, produzindo vapor que movimenta uma turbina para a geração de energia elétrica. Os gases resultantes passam por sistemas de tratamento antes de serem emitidos pela chaminé, com monitoramento contínuo das emissões. A estrutura conta ainda com um bunker estanque para o descarregamento dos resíduos. O ar do local é direcionado para o processo de combustão, evitando a dispersão de odores. As cinzas e escórias geradas no processo serão resfriadas e encaminhadas para uma área específica da unidade.
A Orizon explica que a fabricação dos equipamentos da linha de incineração já foi concluída e todos os equipamentos estão entregues na planta. As próximas etapas incluem a conclusão da montagem eletromecânica, os acabamentos civis e o comissionamento. O início dos testes está previsto para dezembro de 2026, e a entrada em operação comercial, para o primeiro semestre de 2027. A URE integra uma parceria público-privada de 30 anos com a Prefeitura de Barueri. O projeto tem investimento estimado em cerca de R$ 600 milhões.
O avanço de projetos ligados ao aproveitamento de resíduos para a produção de energia também aparece no crescimento do licenciamento ambiental de empreendimentos de biometano em São Paulo. Segundo números da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foram emitidas 87 licenças para projetos de biometano em 2025, contra 26 em 2024, um aumento de aproximadamente 234,6%. As iniciativas estão distribuídas por 81 municípios paulistas, com 94% no interior e 6% na capital. Do total, 41,2% dos projetos estão relacionados a resíduos e saneamento. O Estado conta atualmente com nove plantas de biometano autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e outras doze em fase de autorização, segundo os dados apresentados. A capacidade atual é de cerca de 700 mil metros cúbicos por dia, enquanto o potencial estimado chega a 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.












