MUDANÇAS CLIMÁTICAS

El Niño pode ser severo no Sudeste em outubro

El Niño pode ser severo no Sudeste em outubro

O fortalecimento do El Niño agrava a seca no Sudeste, elevando a pressão sobre os recursos hídricos e atividades agrícolas.

Um levantamento realizado por pesquisadores da UNIASSELVI revelou que 76% da região Sudeste estava sob algum nível de seca em junho, sendo que 2% em um cenário mais crítico que o observado no mesmo período de 2023. Com o fortalecimento do fenômeno El Niño, a combinação entre temperaturas elevadas, evaporação e incerteza sobre o retorno das chuvas pode aumentar a pressão sobre recursos hídricos e atividades agrícolas na região.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, acadêmicos do curso de Engenharia de Software da UNIASSELVI, sob orientação do professor e coordenador dos cursos de Tecnologia da instituição, Pedro Zanchett, e cruzou informações de organismos nacionais e internacionais, como NOAA, NASA, INPE, INMET, CEMADEN e Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), utilizando automação, inteligência artificial e análise de dados para consolidar evidências e produzir uma visão integrada sobre o cenário climático esperado. A pesquisa indica mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade considerada "muito forte", com possível pico em outubro de 2026. As projeções indicam ainda a continuidade do fortalecimento do fenômeno até o fim de 2026. "O cenário exige atenção porque não basta observar apenas quanto vai chover. É preciso acompanhar a umidade do solo, a situação dos rios e reservatórios, as temperaturas e as condições de cada bacia. A tecnologia permite integrar essas informações e transformar dados dispersos em apoio mais qualificado à prevenção e à tomada de decisão", explica Pedro Sidnei Zanchett, doutor em Engenharia de Automação e Sistemas e coordenador de cursos de graduação na área de Tecnologia da UNIASSELVI.

No Sudeste, a pesquisa identificou como um dos principais riscos para os próximos meses a combinação entre calor, aumento da evaporação e incerteza sobre a regularização das chuvas. Sistemas hídricos que já acumulam déficit podem apresentar deterioração mais rápida, embora os pesquisadores ressaltem que as condições variam significativamente entre as diferentes bacias hidrográficas. Na agricultura, a cultura do café pode ser muito atingida em Minas Gerais. Segundo o estudo, o retorno adequado das chuvas após o período seco é importante para as floradas futuras. Temperaturas elevadas também podem acelerar ciclos e aumentar problemas sanitários nas lavouras, tornando ainda mais importante o acompanhamento das condições do solo, disponibilidade de água e previsões de curto prazo. "O El Niño não produz os mesmos efeitos em todos os lugares. Por isso, um dos pontos centrais do nosso trabalho é justamente transformar uma previsão climática ampla em uma análise territorial dos riscos. Para a agricultura, por exemplo, o momento e a distribuição das chuvas podem ser tão importantes quanto o volume acumulado", destaca Zanchett.

Os pesquisadores ressaltam que não existe uma relação automática entre El Niño e falta de chuva em todo o Sudeste. O fenômeno interage com diferentes condições atmosféricas e oceânicas, e uma previsão sazonal não permite determinar antecipadamente quando uma cidade enfrentará estiagem, temporal ou outro evento extremo. A iniciativa está conectada à tese de doutorado do professor Pedro Zanchett, intitulada RADIAN, que propõe uma arquitetura de referência para sistemas de apoio à decisão voltados ao gerenciamento de desastres naturais. O projeto de iniciação científica amplia essa pesquisa ao investigar como inteligência artificial generativa, computação em nuvem e automação podem integrar informações produzidas por diferentes órgãos responsáveis pelo monitoramento climático e pela gestão de riscos. "A inteligência artificial não deve ser tratada como um oráculo e nem substituir especialistas. O potencial está em fazer com que diferentes fontes de informação conversem entre si, permitindo decisões mais rápidas, rastreáveis e fundamentadas", completa Zanchett.

Fartura.

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