Guterres cobra que poluidores paguem por crise climática

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, reforça o apelo para que os maiores poluidores da crise climática sejam responsabilizados e paguem pelos danos causados.
Enquanto o Secretário-Geral da ONU fazia seu último discurso sobre o clima, ativistas globais afirmam que o apelo para "Fazer os Poluidores Pagarem" ganhou força. António Guterres reafirmou a importância de manter viva a meta de 1,5°C e fez um apelo claro para que os principais responsáveis pela crise climática sejam responsabilizados. “Aqueles que mais poluíram – e mais lucraram – devem fazer muito mais para reparar os danos que causaram. Os poluidores devem pagar. E aos líderes, cidades, sociedade civil e cidadãos que trabalham para responsabilizá-los: vocês estão do lado certo da história. Continuem”, disse o Secretário-Geral da ONU.
O apelo por maior responsabilização da indústria de combustíveis fósseis, que impulsiona a crise climática, surgiu apenas um dia depois de ativistas terem apresentado 2 milhões de assinaturas às Nações Unidas exigindo que os governos "Façam os Poluidores Pagarem". Ao longo de seu mandato, Guterres esteve entre as vozes mais incisivas a exigir que a indústria de combustíveis fósseis fosse responsabilizada pelos danos causados por seus produtos, desde a defesa de impostos sobre lucros extraordinários do petróleo e gás, até o apoio a "taxas de solidariedade" para sanar a lacuna de financiamento climático internacional devida aos países do Sul Global, e o apelo por ações para enfrentar aqueles que ele chamou de "padrinhos do caos climático". Ativistas afirmam que sua intervenção hoje demonstra o alcance dessa argumentação e expressam a esperança de que seu sucessor a leve adiante em um momento em que a questão nunca foi tão urgente.
No início desta semana, membros da coalizão Make Polluters Pay International, juntamente com ativistas e comunidades locais, reuniram-se em Nova York para destacar a crescente demanda pública para que as empresas de combustíveis fósseis paguem pelos danos climáticos causados por sua indústria. Eles apresentaram petições na ONU com um total combinado de mais de 2 milhões de assinaturas, pedindo aos governos que responsabilizem os poluidores. Isso ocorre após um ano marcado por incêndios florestais devastadores, inundações e desastres climáticos mortais, além da contínua insegurança energética global ligada à dependência do petróleo e do gás. Ativistas afirmam que a mensagem para os governos é simples: estamos ultrapassando o limite de 1,5°C, que os governos juraram respeitar, e a necessidade de ações urgentes nunca foi tão evidente. Enquanto as empresas de combustíveis fósseis continuam a acumular lucros colossais, as pessoas comuns pagam o preço com contas de energia e alimentos mais caras, e perdas irreparáveis: casas, colheitas, vidas.
A campanha Make Polluters Pay mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo em apoio à exigência de que os governos introduzam medidas vinculativas que obriguem as empresas de combustíveis fósseis a contribuir para os custos dos danos climáticos e a alterar os incentivos financeiros que mantêm o fluxo de dinheiro para o carvão, o petróleo e o gás. Ativistas defendem medidas como impostos sobre danos climáticos, sobretaxas sobre lucros com combustíveis fósseis e multas, com a receita destinada à recuperação, adaptação, indenização por perdas e danos e uma transição justa para energias renováveis.
A campanha reuniu membros da coalizão Make Polluters Pay International, incluindo 350.org, Greenpeace International, Fossil Free Media e Oxfam International, juntamente com ativistas da linha de frente e comunidades afetadas pelas mudanças climáticas. “Quando o Secretário-Geral da ONU exige que as empresas de combustíveis fósseis paguem, sabemos que essa demanda se tornou impossível de ignorar. Milhões de pessoas em todo o mundo estão exigindo isso e os governos estão começando a ouvir. Depois de meses de lucros exorbitantes da indústria de petróleo e gás, os ministros da Fazenda estão recolocando os impostos sobre lucros extraordinários na agenda. Isso é um sinal de quão rápido a política está mudando. O movimento está crescendo, o público o apoia e os governos precisam acompanhar”, disse Louise Hutchins, co-coordenadora da Coalizão Internacional "Faça os Poluidores Pagarem".
Para Anne Jellema, Diretora Executiva da 350.org, ativistas e comunidades na linha de frente têm dito há anos a mesma coisa: “as empresas que lucraram com os combustíveis fósseis devem pagar a sua justa parte dos custos da crise que ajudaram a criar. Hoje, essa reivindicação está se tornando cada vez mais comum. O apelo do Secretário-Geral para que os poluidores paguem reflete o que milhões de pessoas em todo o mundo estão exigindo. Temos visto casas queimarem, comunidades serem inundadas e famílias lutarem contra os custos das crises climáticas e energéticas, enquanto as empresas de combustíveis fósseis continuam a obter lucros extraordinários. Nós pagamos. Elas lucram. É hora de mudar isso. As vozes de mais de 2 milhões de pessoas estão agora sendo levadas à ONU. Os governos têm o poder de fazer os poluidores pagarem, e devem usá-lo”. Já Mads Christensen, Diretor Executivo do Greenpeace Internacional, comentou que Guterres passou anos alertando os líderes sobre as consequências da dependência dos combustíveis fósseis, e este ano ele provou que estava certo. “Do calor mortal aos incêndios e inundações devastadores, a própria dependência que impulsiona esses desastres está abalando economias inteiras e deixando famílias expostas à volatilidade dos preços da energia e dos alimentos, enquanto as empresas por trás disso continuam lucrando. Quanto pior a crise, mais elas ganham: a mesma instabilidade que esvazia os bolsos das pessoas enche os delas”. Pra Mads, é preciso que novas regras obriguem os governos a alinhar seus impostos e gastos com as metas climáticas globais arrecadariam centenas de bilhões de dólares para apoiar os países e comunidades menos responsáveis, ao mesmo tempo que incentivariam a saída de dinheiro dos combustíveis fósseis e o investimento em energia renovável e segura que realmente protege as pessoas. “Enquanto a destruição continuar lucrativa, a transição para um futuro mais seguro e justo continuará sendo adiada. Guterres apresentou a solução; agora, os governos precisam agir."
Amitabh Behar, Diretor Executivo da Oxfam Internacional, disse que pessoas que menos contribuíram para a crise climática são as que estão pagando o preço mais alto. Estão perdendo casas, meios de subsistência e acesso a alimentos, e enfrentando um futuro cada vez mais incerto, enquanto as corporações de combustíveis fósseis e seus bilionários continuam lucrando. “O apelo para que os ricos poluidores paguem é uma questão de justiça. É sobre garantir que aqueles que mais se beneficiaram da economia dos combustíveis fósseis paguem pelos danos que ela causou. Hoje, o Secretário-Geral uniu-se a milhões de pessoas em todo o mundo para exigir que 'os poluidores paguem'. É hora de os governos ouvirem e garantirem que novas fontes de financiamento cheguem às comunidades que estão na linha de frente desta crise”.
Os ativistas apelam aos governos para que façam com que as empresas de combustíveis fósseis paguem por meio de impostos sobre os danos climáticos, sobretaxas permanentes sobre os lucros com combustíveis fósseis e multas significativas; Direcionem as receitas para as comunidades, incluindo o financiamento da adaptação, recuperação e indenização por perdas e danos e agilizem a transição dos combustíveis fósseis para uma energia limpa, acessível e segura, além de garantir que os poluidores sejam responsabilizados por meio de políticas fiscais progressistas, em vez de permitir que os custos dos danos climáticos continuem recaindo sobre as pessoas comuns.












